PERSPECTIVA POLÍTICA
Acordos legítimos, suspeitas que desafiam a confiança do eleitor e partidos reconstruindo seus espaços mostram diferentes movimentos de uma eleição que começa a ganhar forma pelo país.
Quando a neutralidade permite diferentes caminhos
Uma decisão nacional, várias decisões estaduais
A política brasileira é construída por articulações.
Nem sempre aquilo que vale nacionalmente produz a mesma configuração nos estados.
O Republicanos decidiu adotar posição de neutralidade na eleição presidencial e liberou seus diretórios estaduais para definir os caminhos que considerassem mais adequados às respectivas realidades políticas.
Na Paraíba, essa liberdade já produziu uma decisão concreta.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A lógica regional pesa
Hugo Motta representa a Paraíba, estado onde Lula e o Partido dos Trabalhadores possuem historicamente forte desempenho eleitoral.
Dentro dessa realidade, o apoio não chega a representar uma surpresa.
Partidos nacionais convivem com interesses regionais, candidaturas locais, alianças estaduais e projetos pessoais de seus principais dirigentes.
Muitas vezes, a composição que parece contraditória quando observada de Brasília passa a fazer sentido quando analisada dentro do contexto de cada estado.
É justamente por isso que a neutralidade partidária pode representar, na prática, liberdade para construir diferentes alianças regionais.
A reciprocidade também faz parte da política
O PT deverá apoiar a reeleição de Hugo Motta como deputado federal pela Paraíba.
Nos bastidores, também existem informações de que essa aproximação poderá envolver, futuramente, o apoio da bancada petista a uma eventual recondução de Motta à Presidência da Câmara dos Deputados.
Esse último movimento ainda não está oficialmente confirmado.
Mas a hipótese é perfeitamente compatível com a lógica das articulações políticas.
Apoios raramente são construídos de maneira isolada.
Normalmente fazem parte de uma combinação mais ampla de interesses, projetos e compromissos entre partidos e lideranças.
Política também é construção de reciprocidade
Nada existe de irregular nesse tipo de articulação.
A democracia parlamentar é construída justamente por negociações, acordos, alianças e composição de maiorias.
O importante é que essas escolhas sejam conhecidas e compreendidas pelos eleitores.
Um partido pode ser neutro nacionalmente e, ao mesmo tempo, permitir que seus integrantes apoiem candidatos diferentes nos estados.
Um deputado pode apoiar um candidato presidencial e receber, em contrapartida, apoio para seu próprio projeto eleitoral ou institucional.
Isso faz parte da política.
A neutralidade partidária não significa ausência de escolhas. Muitas vezes, significa apenas que as escolhas serão feitas de forma descentralizada, conforme os interesses e as realidades de cada estado.
Quando a ilegalidade destrói a confiança
Um problema que atravessa eleições
As campanhas eleitorais de 2026 ainda nem começaram oficialmente, mas episódios envolvendo suspeitas de práticas ilegais já voltam a aparecer.
Nesta terça-feira, três vereadores de Sobral, no Ceará, foram presos preventivamente em uma operação que investiga possível relação entre agentes políticos, organização criminosa e interferência no processo eleitoral.
O caso ainda será apurado pelas autoridades competentes.
Não cabe à coluna antecipar culpa ou julgamento.
Mas o episódio provoca uma reflexão maior.
Quem representa o povo precisa respeitar as regras
A democracia depende da confiança.
Quando alguém pede o voto da população, assume também a responsabilidade de disputar o processo dentro das regras estabelecidas.
Essa exigência é ainda maior para quem já exerce mandato.
Vereadores, deputados, prefeitos, governadores e demais representantes públicos não podem defender a legalidade em seus discursos e, ao mesmo tempo, aparecer envolvidos em práticas que coloquem o próprio processo eleitoral sob suspeita.
A Justiça investigará cada caso individualmente.
Mas, politicamente, a repetição desses episódios produz um dano coletivo.
O Brasil avançou, mas ainda convive com velhos problemas
O sistema eleitoral brasileiro evoluiu em diversos aspectos.
A fiscalização aumentou, as prestações de contas foram ampliadas e a Justiça Eleitoral passou a dispor de instrumentos mais sofisticados para acompanhar campanhas e movimentações financeiras.
Mesmo assim, suspeitas relacionadas à compra de votos, financiamento irregular, abuso de poder e interferência de grupos criminosos continuam surgindo eleição após eleição.
Não se trata, portanto, de um problema de um partido ou de uma região.
É uma fragilidade que precisa ser enfrentada pelo país.
A democracia precisa de representantes confiáveis
O eleitor pode discordar de uma proposta, de uma ideologia ou de um partido.
Isso faz parte da política.
O que não deveria ser relativizado é o respeito à lei.
Quando aqueles que pretendem representar a população aparecem envolvidos em suspeitas de práticas ilegais, a primeira vítima é a confiança do próprio cidadão nas instituições.
Investigações precisam respeitar o devido processo legal.
Culpas devem ser determinadas pela Justiça.
Mas o princípio precisa permanecer claro:
Quem pede a confiança do eleitor precisa demonstrar, antes de qualquer coisa, que respeita as regras da democracia que pretende representar.
PSD tenta reconstruir sua força em Brasília
Uma bancada que precisa ser recomposta
O PSD catarinense chega às eleições de 2026 com um objetivo bastante claro: recuperar espaço na Câmara dos Deputados.

Na atual legislatura, o partido chegou a contar com representantes eleitos por Santa Catarina, mas perdeu espaço após as mudanças partidárias de Ricardo Guidi e Ismael dos Santos, que migraram para o PL.
Agora, ao apresentar uma nominata com 14 nomes para a eleição proporcional, o PSD demonstra que pretende reconstruir essa presença em Brasília.
Entre os candidatos colocados na disputa, dois chamam atenção pela trajetória política já consolidada: Raimundo Colombo e Júlio Garcia.
Experiência eleitoral relevante
Raimundo Colombo possui uma das trajetórias políticas mais extensas de Santa Catarina.
Já foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Lages, senador da República e governou Santa Catarina por dois mandatos consecutivos, entre 2011 e 2018.
É um nome conhecido em diferentes regiões do estado e que já enfrentou diversas disputas eleitorais.
Esse histórico lhe oferece reconhecimento e capacidade de agregar votos a uma eleição proporcional em que o desempenho individual também contribui para definir o tamanho da bancada partidária.
Outro nome de peso
Júlio Garcia apresenta uma trajetória igualmente relevante.
Atualmente preside a Assembleia Legislativa de Santa Catarina pela quarta vez e exerce seu sétimo mandato como deputado estadual.
Ao longo de décadas de vida pública, construiu relações políticas em diferentes regiões do estado e acumulou experiência no Legislativo e na administração pública.
Agora, busca transferir esse capital político para uma disputa pela Câmara dos Deputados.
Para o PSD, reunir numa mesma nominata nomes com esse grau de experiência aumenta a competitividade do projeto de recuperar representação federal.
Eleição proporcional também exige estratégia
Nas eleições proporcionais, não basta possuir bons candidatos individualmente.
O partido precisa construir uma nominata capaz de somar votos suficientes para atingir os critérios eleitorais e conquistar cadeiras.
É justamente aí que nomes conhecidos e eleitoralmente testados ganham importância.
Colombo e Júlio Garcia não garantem, por si só, o resultado pretendido pelo PSD.
As urnas decidirão.
Mas oferecem ao partido dois candidatos com histórico, reconhecimento e capacidade eleitoral para sustentar o objetivo de voltar a ocupar espaço relevante na bancada federal catarinense.
Na eleição proporcional, votos elegem candidatos, mas também constroem bancadas. E o PSD parece ter entendido que, para recuperar espaço em Brasília, precisava começar a disputa colocando experiência e densidade eleitoral dentro de sua nominata.
Hashtags: #PerspectivaPolítica #Eleições2026 #Política #Democracia #HugoMotta #Republicanos #Paraíba #SantaCatarina #PSD #RaimundoColombo #JúlioGarcia #CâmaraDosDeputados
Contato WhatsApp (48) 998-03-05-04
