O fim de um sonho

Oportuna a iniciativa do Atletico Nacional, de Medellim (Colômbia) em promover no sábado (26) o amistoso com a Associação Chapecoense de Futebol, para homenagear o clube catarinense, cuja equipe foi dizimada pelo terrível acidente aéreo de 28 de novembro de 2016 (29 para nós em função do fuso horário). O encontro dos clubes, que não ocorreu na época quando disputariam a primeira final da Copa Sul-Americana em função da tragédia, nos faz relembrar não só o fato em si, com suas 71 vítimas e seus sete sobreviventes, como a forma como os segmentos atingidos foram afetados.
Junte-se a isso, a nossa eterna revolta com as causas, já comprovadas (pane seca/falta de combustível) originárias da irresponsabilidade da empresa aérea e seus representantes. Sei que este aspecto é fruto de demandas judiciais, às quais não tenho acesso e, muito menos qualificação para avaliar. Me cabe, no entanto, eternizar as consequências danosas que a tragédia promoveu para a sociedade esportiva brasileira e catarinense.
Entre as vítimas estavam atletas, jornalistas e dirigentes que cumpriam seus deveres de direito, impostos por suas responsabilidades profissionais.
No grupo tinha colegas de profissão e pessoas pelas quais sempre nutri a maior admiração, pessoal e profissional.
Para representa-los, escolho Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho, então Presidente da Federação Catarinense de Futebol, que ali estava não para um simples passeio ou por uma mera coincidência, mas no exercício de uma nobre função que ele sempre exerceu com muita devoção: a de estar junto aos seus filiados, onde quer que eles estivessem.
O “Dr. Delfim” como chamávamos, tanto ia num jogo da segunda divisão na mais distante cidade da sede da entidade (Balneário Camboriú) pilotando o seu próprio carro, como chefiava uma delegação da Seleção Brasileira de Futebol.
Lembro, por exemplo, que na véspera do embarque no fatídico voo 2933 da LaMia, ele estava em Tubarão na decisão da Série D catarinense entre Tubarão x Barroso (Itajaí), de onde se deslocou para o embarque internacional para apoiar seu clube filiado. Em Tubarão, junto estava o atual Diretor do Departamento de Competições das FCF, Carlos Fernando Crispim, que representa a entidade no evento, na Colômbia, mas não seguiu para a Colômbia.
Os fatos
A tragédia de Medellim, relembrada com o “Jogo da Amizade Eterna” nos privou do mais destemido dirigente do futebol catarinense dos últimos anos. Delfim Pádua Peixoto Filho, teve no futebol o mesmo ímpeto que o destacou na política, onde foi Deputado Estadual. Em defesa dos seus ideais, Delfim jamais se curvou diante de qualquer ameaça. No exercício das suas responsabilidades ele jamais esmoreceu frente a qualquer adversidade. Era tão presente nos campos de futebol, quanto na sede da federação. O futebol era a sua paixão, mesmo que isso o afastasse da família. Delfim tinha um alvo para o epílogo da sua brilhante carreira esportiva: ser presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um sonho que desfilava entre suas metas. E isso era reconhecido em nível nacional. Em sua marca administrativa ele ostentava o maior feito da entidade que presidia: ter quatro representantes na Série A, denominada como a elite do futebol brasileiro. E, em nível nacional, em defesa da legalidade estatutária da CBF, galgou a admiração e o respeito até de quem não o apoiava.
Mas o desastre de Medellin nos levou Delfim e com ele, se foram os sonhos.
De Delfim e seus 70 colegas vitimados, só nos resta saudades eternas.
