Mantenho o meu ponto de vista de que o futebol precisa ter um tratamento diferenciado, no que diz respeito ao seu “status” no rol das demais modalidades esportivas. Respeitado o meu raciocínio contrário a investimento público no setor quando ele atende à interesses profissionais, a prática precisa ter uma interferência mais rígida do poder público no aspecto da segurança, por alcançar um expressivo número de pessoas envolvidas.

Quando um clube se estabelece com interesses profissionais e comerciais, precisa ter a devida competência econômica. Como se dizia antigamente “quem não tem competência, não se estabelece”. É por aí. Sem as tradicionais e negligentes concessões. É assim na aplicação legal do direito do cidadão em frequentar um evento público, com segurança e comodidade.

Talvez pela idade, que me abastece certa experiência na vida e na profissão, minhas escolhas de frequência a esses locais obedecem rígidas regras de conforto, comodidade e segurança. Afinal, se o espetáculo, seja ele qual for, é pago, tem que – obrigatoriamente – oferecer a contrapartida.

Não é o que acontece em muitos estádios do futebol brasileiro, onde levado pela paixão por seu clube, o torcedor enfrenta extremas dificuldades de locomoção, acessibilidade, conforto e segurança.

E não me venham com a justificativa de que o futebol pode e deve ser diferente do que um espetáculo (também público) em qualquer outro cenário. A exigência para o fornecimento de um alvará para uma apresentação pública em qualquer outro segmento, deve ser ainda mais rigorosa quando aplicada ao futebol, pois ali a paixão se sobrepõe à razão.

Que os responsáveis pela segurança pública atentem para este detalhe e não estabeleçam as tradicionais concessões que, normalmente, só serão lamentadas após o agravante de uma tragédia.

Ou o futebol aplica as necessárias – que não sejam as mínimas – medidas de segurança ou continuaremos a ter cada dia menos pessoas nos estádios e mais defronte as televisões.

As vítimas

Os episódios ocorridos no último final de semana no estádio Augusto Bauer (Brusque) no jogo Brusque x Paysandu, comprovam a minha preocupação. Quais instalações credenciam aquele local como uma Arena? Quais os critérios adotados para estabelecer os parâmetros de segurança para a realização de jogos, por menos importantes que sejam? Qual a segurança oferecida aos torcedores, dirigentes, imprensa esportiva e as próprias equipes? Talvez apenas o atual gramado sintético, aliás que substituiu o arremedo antes ali colocado pelo clube proprietário, o Carlos Renaux.

Se bem sei um pouco da missa, a promotora da partida (CBF), a Federação Catarinense de Futebol, os clubes e os demais participantes da partida, podem ser enquadrados como reféns, ou como simples vítimas do processo. Resta saber onde andam os réus.

O futuro

O que se espera, a partir dos citados incidentes, é que o Ministério Público (imagino que tenha preocupação com isso) busque conhecer os laudos apresentados para aprovar o estádio em todos os seus setores, desde a sua capacidade até a segurança oferecida aos seus frequentadores. Antes que os incidentes do último final de semana se repitam e se transformem em acidentes.

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