Mesmo que à distância, tenho acompanhado as notícias que mostram o triste momento vivido pelo Joinville Esporte Clube, um dos mais tradicionais e vitoriosos clubes do nosso futebol. Nascido a partir da então indispensável fusão entre América e Caxias, o JEC está trilhando o mesmo caminho que levou ao encerramento das atividades do futebol profissional nos seus antecessores.

Único octacampeão estadual, o nosso cinquentão acumula feitos que o deveriam credenciar como um dos bons exemplos administrativos do futebol brasileiro, pois assim foi pensado e por longos anos viveu. No entanto, a tradicional e já recorrente incapacidade administrativa que se instalou no clube nos últimos anos, está apontando para horizontes nada recomendáveis para quem representa a maior cidade do Estado, sua pujança econômica e seu povo movido pelo trabalho e à paixão pelo futebol.

Fico triste, muito triste, quando vejo um clube desmoronar diante de tantos malefícios que o atingiram.

Ver a penúria que atinge uma instituição que acumula feitos como 12 títulos do Campeonato Catarinense, cinco Copas Santa Catarina, uma Recopa Catarinense, um Campeonato Brasileiro da Série C, um Campeonato Brasileiro da Série B, uma Recopa Sul Brasileira e tantas outras conquistas que nos orgulharam diante do cenário nacional, é extremamente lamentável.

A cidade de Joinville não merece o momento por que está passando o seu maior representante. Felizmente, ainda há uma luz no fim do túnel e boa parte da comunidade que vive para o clube e não do clube, está estendendo suas mãos para socorrer o JEC e trazê-lo de volta para a segurança que ele necessita para continuar a sua vitoriosa trajetória. Mesmo que no seu retorno ele ainda não consiga correr, que reaprenda a andar, erga a cabeça, olhe para frente e para o alto em busca do seu melhor destino.

As soluções

É possível que alguns abnegados joinvilenses estejam em busca de soluções caseiras, sem saber que elas poderiam surgir se promessas fossem cumpridas e responsabilidades assumidas.

Dois exemplos bem à vista de todos.

1 – Para que serve a Associação de Clubes – que recebe um por cento da renda bruta de todos os jogos realizados em Santa Catarina – inclusive nos campeonatos nacionais? Não poderia a SC Clubes promover alguma ação em ajuda ao Joinville? Ou “emprestar” ao seu associado parte do disponível em seu recheado cofre, ao invés de arcar com polpudos salários a seu executivo, que nada executa a não ser promoções pessoais?

Aliás, nos seus velhos e bons tempos, a SC Clubes não tinha executivos e não deixava de bem representar seus filiados, socorrendo-os com atuações pontuais e emergenciais.

2 – Se bem me lembro, foi criada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, uma Frente Parlamentar do Futebol, que nada até o momento realizou para justificar a sua existência.

Não poderia ou deveria a tal frente estar reunindo ideias e promovendo discussões que viabilizassem soluções para o Joinville e outros que estão no fundo do poço, desde que sem o dinheiro público?

Mas aí também é pedir demais.

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