Perspectiva Política: soberania, Vorcaro e os movimentos da eleição em SC
A coerência de Lula ao defender a soberania, o protagonismo de Daniel Vorcaro na campanha presidencial e as novas adesões à reeleição de Jorginho Mello estão entre os destaques desta edição.
Soberania exige coerência

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU e em entrevistas concedidas nos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania brasileira e pediu que Donald Trump e os Estados Unidos não interfiram nas eleições do país. Está correto. A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente aos brasileiros.
Entretanto, Lula também precisa praticar aquilo que defende. Na Venezuela, gravou uma mensagem de apoio à candidatura de Nicolás Maduro. Na Argentina, manifestou-se em favor de Sergio Massa na disputa vencida por Javier Milei. Nas eleições dos Estados Unidos, declarou preferência por Kamala Harris e associou Donald Trump ao fascismo.
Os motivos apresentados para cada posicionamento não alteram o princípio. Lula está correto ao exigir que ninguém interfira nas eleições brasileiras, mas não pode adotar comportamento semelhante em relação às eleições de outros países. Soberania não pode ser uma regra válida apenas quando interessa. Respeitá-la exige coerência.
O candidato que não está na urna

Estamos em uma eleição presidencial, mas um dos personagens centrais da campanha até agora não é candidato. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro construiu um amplo círculo de relações com figuras importantes do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e de diferentes órgãos públicos. A cada nova revelação, seu nome retorna ao centro do debate eleitoral.
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro procuram vincular o adversário a episódios relacionados a Vorcaro e ao Banco Master. Mensagens, encontros, contratos e relações pessoais são apresentados como munição política, mesmo quando os fatos ainda dependem de investigação, contexto e comprovação de responsabilidades.
Neste momento, as campanhas trabalham com o vazamento da hora e apostam em seu potencial para desgastar o oponente. O problema é que fragmentos rapidamente se transformam em sentenças eleitorais. Muitas dessas situações levarão tempo para ser esclarecidas — se algum dia forem integralmente esclarecidas. Até lá, Vorcaro continuará ocupando um espaço que, em uma eleição presidencial, deveria pertencer aos candidatos, às propostas e aos problemas do país.
Jorginho amplia sua base política
Faltando dez dias para as eleições, as movimentações partidárias continuam repercutindo em Santa Catarina. O governador Jorginho Mello segue ampliando o conjunto de lideranças que apoiam sua candidatura à reeleição, inclusive entre partidos que integram a coligação de seu adversário João Rodrigues.
Nesta semana, os prefeitos Vilmar Peccini, de Bom Jesus, e Ademar Henrique Borges, de Balneário Barra do Sul, ambos filiados ao PSD, declararam apoio a Jorginho. Eles se juntam a outros integrantes do partido de João Rodrigues que já haviam optado pela candidatura do atual governador.
Duas adesões municipais, isoladamente, não definem uma eleição estadual. Somadas às dissidências anteriores, entretanto, revelam um movimento político: Jorginho aumenta a musculatura de seu projeto enquanto João Rodrigues enfrenta dificuldades para manter unida a própria base partidária. Na reta final, cada apoio conquistado por um representa também uma ausência sentida pelo outro.
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