Perspectiva Política: coerência na campanha, renovação da bancada e favoritismo em SC
A diferença de critérios entre aliados e adversários, a possível renovação da bancada federal catarinense e a vantagem de Jorginho Mello estão entre os destaques desta edição.
A régua muda conforme o candidato
Cada candidato tem o direito de definir sua estratégia de campanha, inclusive escolher os debates dos quais pretende participar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os governadores Tarcísio de Freitas, em São Paulo, e Jorginho Mello, em Santa Catarina, todos candidatos à reeleição, decidiram ser seletivos nesse tipo de compromisso. A escolha pode ser criticada, mas o critério precisa valer igualmente para todos.
Fernando Haddad, adversário de Tarcísio, e Gelson Merísio, adversário de Jorginho, criticaram publicamente as ausências dos governadores. Os dois, entretanto, são aliados políticos e candidatos apoiados por Lula em seus estados. Quando o presidente também deixou de participar de debates, não se ouviu deles a mesma cobrança.
A crítica perde força quando depende de quem pratica o ato. Se faltar a debates é prejudicial ao eleitor quando a decisão parte de um adversário, também deveria ser quando parte de um aliado. Na política, coerência significa utilizar a mesma régua para medir comportamentos semelhantes — independentemente do nome, do partido ou da conveniência eleitoral.
O feeling aponta renovação
Santa Catarina elege 16 deputados federais, mas, até o momento, não tivemos acesso a pesquisas sobre essa disputa. Mesmo sem esse instrumento, uma avaliação das nominatas partidárias e dos nomes colocados à disposição do eleitor indica que a bancada catarinense poderá passar por uma renovação entre cinco e sete cadeiras.
Duas mudanças já estão asseguradas. A deputada Carol de Toni disputa uma vaga no Senado, enquanto Carlos Chiodini concorre a vice-governador na chapa de João Rodrigues. Os outros 14 integrantes da atual bancada são candidatos à reeleição, mas enfrentarão uma disputa que reúne nomes conhecidos da política catarinense, entre eles ex-governadores, deputados estaduais, ex-prefeitos e antigos ocupantes de funções públicas.
Nossa análise considerou a atuação dos atuais parlamentares registrada no portal da Câmara dos Deputados, a presença de cada um no noticiário e a visibilidade de seus mandatos. Entre os novos candidatos, foram observados o histórico político, os cargos já exercidos, a base eleitoral e a força das nominatas partidárias. O sistema proporcional e a ausência de pesquisas tornam qualquer projeção ainda mais desafiadora.
Por isso, a estimativa de renovação entre cinco e sete cadeiras deve ser compreendida exatamente como é: o feeling do colunista. Não é pesquisa nem previsão de resultado, mas uma leitura do cenário atual. As urnas dirão se a percepção estava correta.
A aprovação sustenta o favoritismo

A pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira apresentou mais uma vez o governador Jorginho Mello na liderança da disputa em Santa Catarina. Ele alcançou 58,8% das intenções de voto no cenário estimulado, percentual que corresponde a 64,9% quando considerados apenas os votos válidos.
O levantamento também mostrou que 78% dos entrevistados aprovam a administração estadual, enquanto 64,7% classificam o governo como ótimo ou bom. Pesquisa após pesquisa, os números continuam demonstrando, até este momento, o amplo favoritismo do atual governador e candidato à reeleição.
Confirma-se uma conhecida realidade eleitoral: governos bem avaliados oferecem aos seus mandatários uma base muito sólida para buscar a continuidade. Aprovação elevada e intenção de voto caminham juntas no atual cenário catarinense. Favoritismo, entretanto, não é vitória antecipada. A confirmação — ou não — virá somente com a apuração dos votos.
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