Perspectiva Política: poder, negociação e falta de transparência

Informações de bastidores revelam possíveis acordos na disputa pelo Senado, enquanto documentos do governo permanecem protegidos por sigilo.

Um voto e um projeto para 2029

Nos bastidores de Brasília, é dado como certo que o senador Eduardo Gomes (PL-TO) votará pela reeleição de Davi Alcolumbre à Presidência do Senado. Uma experiente jornalista do Tocantins ouvida pela coluna afirmou não ter dúvidas sobre essa escolha, embora o parlamentar ainda não tenha anunciado publicamente seu voto.

Eduardo Gomes é o atual primeiro-vice-presidente do Senado, mantém proximidade com Alcolumbre e aparece entre os possíveis dissidentes do PL. Nesta quarta-feira, ganhou ainda mais espaço ao ser escolhido por Alcolumbre para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027.

Segundo a mesma fonte, Eduardo Gomes deseja presidir o Senado e poderá construir sua candidatura para 2029. Nesse cenário, o apoio concedido agora a Alcolumbre poderia ser retribuído daqui a dois anos.

Não existe confirmação pública desse eventual entendimento, mas a informação ajuda a compreender as articulações que acontecem longe dos discursos partidários. Como o voto é secreto, a resposta definitiva somente aparecerá quando as cédulas forem abertas.


Uma candidatura para negociar?

Esta é uma leitura da coluna: a anunciada candidatura de Tereza Cristina como terceira via na disputa pela Presidência do Senado, nas condições atuais, não se sustenta eleitoralmente.

Davi Alcolumbre possui uma base consolidada no Centrão, o apoio do governo Lula e um conjunto de votos que ultrapassa 30 senadores. Rogério Marinho, cuja candidatura foi oficializada ontem pelo PL, parte de uma bancada com 29 integrantes e conta ainda com o apoio dos três senadores do Novo. Mesmo com possíveis dissidências dentro do próprio partido, Marinho busca votos em outras legendas e também começa a disputa acima da casa dos 30.

Tereza Cristina pertence a um PP dividido, cuja federação já anunciou apoio a Alcolumbre. Dentro do próprio partido, Guilherme Derrite defende a união da direita em torno de uma candidatura única e participa das articulações construídas por Rogério Marinho.

Sem um fato novo de grande impacto, não existe espaço matemático para três candidaturas competitivas. A leitura é que Tereza Cristina mantém seu nome para valorizar sua posição e encaminhar alguma negociação — seja na composição da candidatura de oposição, seja na futura distribuição dos espaços de poder no Senado. Até aqui, sua candidatura parece mais uma ferramenta de negociação do que um projeto com votos suficientes para vencer.


O sigilo banalizado

O sigilo parece ter sido banalizado. Tudo aquilo que possa provocar desgaste ou trazer problemas ao governo acaba, com frequência, protegido da fiscalização pública.

O caso mais recente envolve os estudos, pareceres e relatórios que fundamentaram duas medidas anunciadas durante a reta final da campanha eleitoral: a criação do Desenrola 3.0 e a proibição das bets. A Casa Civil negou acesso aos documentos e alegou que eles estão protegidos pelo sigilo profissional entre advogado e cliente.

A decisão impede que a sociedade conheça as análises técnicas, os impactos financeiros e os eventuais alertas apresentados antes da edição das medidas. Vale registrar ainda que o período eleitoral permanece sob análise do TSE em ações que questionam possível abuso de poder político e utilização da estrutura governamental em benefício eleitoral.

Transparência não pode existir somente quando interessa ao governo. Se as decisões foram tomadas em benefício da população e dentro da legalidade, seus fundamentos devem ser apresentados com clareza. O sigilo deveria ser exceção — nunca uma forma de evitar explicações.

#PerspectivaPolítica #SenadoFederal #DaviAlcolumbre #EduardoGomes #RogérioMarinho #TerezaCristina #GovernoFederal #Transparência #Sigilo #Política

Sobre o autor

Compartilhar em: