Perspectiva Política: disputas que continuam depois das eleições

As ações ainda pendentes no TSE, as articulações pelo comando do Senado e as projeções econômicas para 2027 estão nesta edição.

A eleição terminou, os processos continuam

O Brasil possui precedentes de governadores que perderam seus mandatos por decisões da Justiça Eleitoral. Entre eles estão Mão Santa, no Piauí; Flamarion Portela, em Roraima; Cássio Cunha Lima, na Paraíba; Jackson Lago, no Maranhão; Marcelo Miranda, no Tocantins; e José Melo, no Amazonas. Os casos envolveram compra de votos, utilização da máquina pública e abuso dos poderes político ou econômico.

As eleições presidenciais de 2026 terminaram nas urnas, mas continuam no Tribunal Superior Eleitoral. Levantamento realizado na consulta pública da Corte apontou 29 Ações de Investigação Judicial Eleitoral pendentes: 15 contra Lula e 14 contra Flávio Bolsonaro. Entre as ações envolvendo o presidente reeleito estão questionamentos sobre abuso de poder político, econômico e de autoridade, uso de estruturas públicas, comunicações relacionadas a programas sociais e medidas anunciadas durante a campanha.

Caso o TSE reconheça a existência e a gravidade de alguma conduta abusiva, a legislação prevê sanções que podem chegar à inelegibilidade e à cassação do diploma. Lula foi declarado vencedor das eleições, mas o resultado das urnas não encerra as ações protocoladas. Agora, os processos seguirão seu curso e serão julgados pela Justiça Eleitoral.

A disputa já começou nos bastidores

A eleição para a Presidência do Senado ocorrerá somente em fevereiro de 2027, mas as articulações já estão em pleno andamento. Davi Alcolumbre trabalha pela reeleição, enquanto o PL, que terá a maior bancada da Casa, prepara a candidatura de Rogério Marinho. São necessários 41 votos, e os dois grupos afirmam possuir apoio suficiente para vencer.

Nesse cenário, circulou nos bastidores a informação de que o senador Eduardo Gomes, reeleito pelo PL do Tocantins, estaria negociando uma transferência para o PSD de Gilberto Kassab. Gomes desmentiu a possibilidade, mas o simples surgimento da informação demonstra a intensidade das negociações. O PSD ocupa posição central no chamado Centrão, e Kassab possui reconhecida capacidade para aproximar seu partido do poder, independentemente do campo político vencedor.

Eduardo Gomes participa diretamente das articulações e afirmou que o PL reunirá senadores da direita e de outras legendas para definir uma posição. Rogério Marinho e Tereza Cristina aparecem como alternativas ao projeto de reeleição de Alcolumbre.

A votação para a Presidência do Senado é secreta. Por isso, apoio anunciado por partidos ou parlamentares não significa voto garantido. Em uma disputa equilibrada, podem surgir dissidências — ou “traições”, como normalmente são chamadas no meio político. A resposta definitiva só será conhecida quando as cédulas forem abertas.

Menos crescimento e mais inflação

Passadas as eleições, o mercado começou a revisar as projeções para a economia brasileira em 2027. De modo geral, os novos cenários apontam para crescimento menor do Produto Interno Bruto e inflação mais elevada, diante das incertezas fiscais, do câmbio e da possibilidade de manutenção dos juros em patamares elevados.

Antes do segundo turno, o Boletim Focus projetava crescimento de 1,31% e inflação de 4,34% para 2027. Depois das eleições, levantamento com aproximadamente 30 participantes do mercado elevou a mediana da inflação para 5,3%.

Existem projeções ainda mais pessimistas. O Itaú reduziu sua previsão de crescimento para 0,5% e elevou a estimativa de inflação para 6,1% no próximo ano. Outras instituições trabalham com números menores, demonstrando que ainda não existe consenso sobre a intensidade da deterioração.

As estimativas poderão mudar conforme sejam conhecidos a equipe econômica, o Orçamento e as medidas fiscais do novo mandato. Entretanto, o primeiro sinal emitido pelos analistas é preocupante: o Brasil pode enfrentar em 2027 uma combinação difícil de baixo crescimento, inflação elevada e juros altos.

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