Perspectiva Política: o recado das urnas ao Brasil

A reeleição de Lula, o peso decisivo do Nordeste e a manutenção do perfil conservador do eleitorado catarinense marcam a análise dos resultados presidenciais.

A soberania das urnas

Foto Oficial do Presidente Lula

Contrariando a tendência numérica apresentada pela maioria das pesquisas e dos prognósticos divulgados na reta final, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República. O resultado evidencia novamente que pesquisas registram um momento da disputa, mas somente as urnas determinam a vontade do eleitor.

Lula conquistou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, e assumirá em 1º de janeiro de 2027 seu quarto mandato como presidente do Brasil.

O povo é soberano e fez sua escolha. O que se espera agora é que o presidente reeleito consiga enfrentar os imensos desafios do país, recuperar o equilíbrio das contas públicas e colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento.

A disputa eleitoral terminou. O desejo deve ser um só: que o próximo governo tenha sucesso e que a vida dos brasileiros realmente melhore.


O peso decisivo do Nordeste

Novamente, o Nordeste foi decisivo em uma eleição presidencial. Lula venceu nos nove estados da região e construiu ali a vantagem necessária para compensar o desempenho de Flávio Bolsonaro nas demais partes do país.

O resultado nordestino não chegou a ser uma surpresa. O que contrariou as expectativas foi o desempenho de Flávio em regiões tradicionalmente identificadas com a centro-direita e a direita. Embora tenha vencido em grande parte desses territórios, as vantagens não alcançaram a intensidade necessária para neutralizar a expressiva votação de Lula no Nordeste.

Em uma eleição equilibrada, não basta vencer determinadas regiões ou estados. É preciso construir margens capazes de compensar as derrotas nos redutos do adversário. Lula conseguiu fazer isso. Flávio Bolsonaro, não.

A geografia eleitoral brasileira novamente teve papel determinante na escolha do presidente.


Santa Catarina manteve seu perfil eleitoral

Uma análise sucinta dos resultados do segundo turno em Santa Catarina confirma a preferência majoritária do eleitorado catarinense pelo campo da direita. O número de votos válidos cresceu 3,05% entre as duas etapas da eleição, passando de 4.500.897 para 4.638.385.

Flávio Bolsonaro alcançou 69,42% dos votos válidos. Sua votação aumentou 7,33%, passando de 3.000.020 no primeiro turno para 3.220.071 no segundo. É um percentual próximo ao que Santa Catarina vem entregando aos candidatos presidenciais da direita nas últimas eleições.

Lula, embora tenha ficado com 30,58% dos votos válidos no estado, apresentou o maior crescimento proporcional entre os dois turnos: avançou 25,82%, passando de 1.127.168 para 1.418.314 votos. Em tese, conseguiu atrair uma parcela importante dos eleitores que haviam escolhido outros candidatos no primeiro turno, além de votos incorporados pelo aumento da participação válida.

O crescimento de Lula merece registro, mas não alterou o perfil predominante do eleitorado catarinense. Santa Catarina voltou a entregar ao candidato da direita uma votação próxima de 70%, mantendo o comportamento observado nas últimas disputas presidenciais.

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