Perspectiva Política: os desafios que começam depois das urnas
O novo mandato presidencial, as articulações pelo comando da Alesc e a responsabilidade de reconhecer e corrigir erros estão no centro desta edição.
A eleição acabou. Agora é governar
As eleições terminaram, mas a guerra de narrativas continua. Lula foi reeleito, o resultado está definido e o debate político precisa se concentrar nas soluções urgentes de que o Brasil necessita para recuperar o equilíbrio e avançar.
O novo mandato começa diante de questões fiscais importantes. Durante a campanha, Lula declarou que a dívida pública não o preocupava e reafirmou sua defesa de um Estado forte e indutor do desenvolvimento. Essa concepção exige recursos para financiar políticas públicas, investimentos e benefícios, provenientes da arrecadação tributária ou do endividamento público.
O desafio também passará pela relação com um Congresso Nacional mais conservador. Propostas envolvendo receitas, despesas e ampliação da atuação estatal dependerão de negociações políticas complexas nas duas Casas. Analistas apontam, entretanto, que medidas de reorganização fiscal poderão encontrar espaço se houver um diagnóstico comum sobre a necessidade de controlar as despesas obrigatórias.
Encerrada a campanha, a pauta passa a ser outra: qual será o plano apresentado para enfrentar os problemas fiscais, econômicos e sociais do país? Mais importante do que prolongar a discussão eleitoral será demonstrar como o Brasil será conduzido nos próximos quatro anos.
A articulação pelo comando da Alesc

A eleição para a Presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina ocorrerá somente no início da próxima legislatura, mas as articulações avançaram rapidamente depois do encerramento das eleições. O PL, que elegeu 16 dos 40 deputados estaduais, passou a comandar as negociações.
O encaminhamento discutido prevê Camilo Martins na Presidência da Alesc a partir de 2027, com Ana Campagnolo participando da composição e assumindo posteriormente o comando da Casa. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, a proposta recebeu o apoio da bancada eleita do PL e foi apresentada ao governador Jorginho Mello. As conversas com os demais partidos ainda deverão continuar.
Ana Campagnolo possui expressivo capital eleitoral para participar diretamente dessa construção. Atual primeira-secretária da Mesa Diretora, foi reeleita com 387.523 votos, a maior votação da história do Parlamento catarinense.
Entretanto, votação popular não garante, isoladamente, a Presidência de uma Casa Legislativa. A escolha depende da formação de maioria, dos acordos entre as bancadas e da governabilidade. As urnas concedem força política; o comando do Parlamento é definido pela capacidade de articulação.
A dificuldade de reconhecer erros

Prestes a concluir o terceiro mandato e reeleito para mais quatro anos, Lula enfrenta um desafio comum a qualquer governante: reconhecer decisões equivocadas e promover as correções necessárias.
Todo governo acerta e erra. Admitir uma falha não diminui uma liderança; ao contrário, pode demonstrar maturidade, transparência e disposição para corrigir caminhos. Quando a responsabilidade é atribuída permanentemente a auxiliares, adversários ou administrações anteriores, cria-se a percepção de que os erros pertencem sempre aos outros.
No quarto mandato, a maneira como Lula responderá aos problemas e assumirá responsabilidades será parte importante da avaliação de seu governo. Governantes infalíveis não existem. Reconhecer equívocos pode ser o primeiro passo para evitar que eles sejam repetidos.
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