Focus reduz projeção da Selic para 13,50%, enquanto inflação sobe para 4,92% em 2026

Mercado financeiro passa a projetar novo recuo dos juros até dezembro; expectativa para o crescimento do PIB cai para 1,88% e estimativa do IPCA volta a subir.

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (21) trouxe novas projeções para a economia brasileira em 2026, com redução das expectativas para os juros e para o crescimento econômico e uma pequena elevação na inflação esperada para o ano.

A principal mudança ocorreu na taxa básica de juros.

A mediana das projeções das instituições consultadas pelo Banco Central passou de 13,75% para 13,50% ao ano para a Selic no encerramento de 2026.

A revisão acontece poucos dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo da taxa.

Na prática, ao projetar a Selic em 13,50% para dezembro, o mercado financeiro trabalha agora com a possibilidade de pelo menos mais uma redução dos juros até o encerramento do ano. O Copom, entretanto, não antecipou qual será sua próxima decisão e destacou a necessidade de cautela diante das incertezas do cenário econômico.

O movimento ocorre ao mesmo tempo em que as expectativas para a inflação apresentaram uma pequena piora.

A projeção do mercado para o IPCA de 2026 passou de 4,90% para 4,92%.

A alteração é pequena, de 0,02 ponto percentual, mas chama atenção porque a estimativa continua acima do limite superior do intervalo da meta de inflação.

A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, estabelecendo um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

Mesmo com a elevação desta semana, existe uma diferença quando se observa um período maior. Há quatro semanas, o Focus projetava inflação de 5,02% para 2026. Portanto, a estimativa atual de 4,92% permanece inferior àquela registrada há um mês.

O terceiro indicador importante divulgado nesta segunda-feira é o Produto Interno Bruto.

A expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi novamente reduzida, passando de 1,89% para 1,88%.

Há quatro semanas, a projeção era de 1,95%.

A revisão semanal é pequena, mas mantém a perspectiva de crescimento abaixo de 2% para a economia brasileira neste ano.

Para 2027, o mercado também reduziu a estimativa de crescimento do PIB, de 1,45% para 1,43%. Para 2028, a projeção permanece em 1,87%, e para 2029, em 2%.

O conjunto das projeções apresenta um cenário que merece acompanhamento.

De um lado, o mercado passou a esperar juros um pouco menores até dezembro.

De outro, a expectativa para a inflação voltou a subir marginalmente e continua acima do limite superior do intervalo da meta, enquanto a projeção de crescimento econômico sofreu nova redução.

Para 2027, a estimativa para a Selic permanece em 12% ao ano. Para 2028, o mercado projeta 10,50%, e para 2029, 10%.

No câmbio, não houve alteração nesta semana. A projeção para o dólar no encerramento de 2026 permanece em R$ 5,20, enquanto para 2027 a estimativa está em R$ 5,28.

O Boletim Focus não representa uma previsão feita pelo Banco Central.

O relatório reúne semanalmente as expectativas de instituições e analistas do mercado para os principais indicadores econômicos. Por isso, seus números mudam à medida que novas informações sobre inflação, atividade econômica, política monetária, contas públicas e cenário internacional são incorporadas às projeções.

A fotografia desta segunda-feira apresenta três movimentos principais para 2026: Selic projetada em 13,50%, crescimento do PIB em 1,88% e inflação estimada em 4,92%.

Juros um pouco menores, crescimento ligeiramente menor e inflação um pouco maior.

São mudanças pequenas de uma semana para outra, mas que mostram os desafios que permanecem para a economia brasileira: reduzir os juros e estimular a atividade sem perder de vista o controle da inflação.

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