Oxford Porcelanas — de São Bento do Sul à mesa do Brasil e do mundo

Em São Bento do Sul, no Planalto Norte catarinense, a história da Oxford Porcelanas começou antes mesmo de carregar o nome que a tornaria conhecida em tantos lares brasileiros. A origem está ligada ao trabalho de Francisco Loersch, fundador da antiga Cerâmica Santa Terezinha, instalada no bairro Oxford. Em 26 de novembro de 1953, Loersch negociou o acervo da empresa com um grupo de empresários liderado por Otair Becker. Pouco depois, em 2 de janeiro de 1954, a produção foi iniciada com 72 colaboradores e uma unidade fabril. Nascia ali a Indústria Cerâmica Oxford Ltda., uma empresa que transformaria barro, fogo, técnica e desenho em uma das marcas mais tradicionais da mesa brasileira.

O nome veio do lugar. A fábrica estava no bairro Oxford, em São Bento do Sul, e dali construiu uma identidade que uniria indústria e território. O que parecia apenas uma referência geográfica tornou-se marca, memória e confiança. A Oxford cresceu em uma região de forte cultura industrial, onde trabalho, precisão e persistência sempre fizeram parte da rotina. E, como tantas empresas catarinenses que atravessaram décadas, aprendeu que qualidade não nasce de um único acerto: nasce da repetição bem feita, peça por peça, fornada por fornada.

Ao longo dos anos, a empresa deixou de ser apenas uma cerâmica local e passou a ocupar espaço nacional e internacional. Em 1968, foi criada a Oxford Mineração, em Campo Alegre, para fornecer matérias-primas à própria empresa e comercializar argila para outros segmentos. Em 1976, a Oxford enviou seu primeiro contêiner ao exterior, iniciando uma trajetória exportadora que ajudaria a projetar Santa Catarina no mercado global de louças de mesa. Em 1980, participou de sua primeira feira internacional, em Berlim, na Alemanha; em 1981, inaugurou sua primeira loja de fábrica, ao lado da empresa, em São Bento do Sul.

Há símbolos que contam uma história sem precisar de muita explicação. Um deles é a tradicional embalagem de madeira, criada em 1982, que se tornou um ícone da marca. Para muita gente, abrir uma caixa Oxford sempre foi mais do que receber pratos, xícaras ou aparelhos de jantar: era a chegada de um objeto pensado para durar, para receber visitas, para participar de aniversários, almoços de domingo, casamentos, mudanças e recomeços. Empresas de mesa posta lidam com algo delicado: entram na casa das pessoas e passam a fazer parte de memórias familiares.

A Oxford também precisou se reinventar. Em 2010, a empresa mudou seu posicionamento e passou a comercializar porcelanas sob a marca Oxford Porcelanas. A linha cerâmica passou a se chamar Biona Cerâmica, e a marca Oxford Daily surgiu com produtos mais coloridos e práticos, voltados ao uso cotidiano. A empresa deixou claro que sua força não estava apenas na tradição, mas na capacidade de acompanhar novos hábitos de consumo, novas casas, novos públicos e novas formas de se relacionar com a mesa.

A diversificação ganhou novos caminhos. Em 2011, a companhia comprou uma fábrica de cristais artesanais em Pomerode, abrindo uma frente ligada à produção de peças de maior valor agregado. Em 2017, a marca Strauss passou a integrar o Grupo Oxford, levando a empresa ao segmento de cristais de luxo. A partir desse movimento, a companhia passou a se posicionar como Grupo Oxford, reunindo marcas como Oxford, Biona e Strauss em um portfólio mais amplo para a casa.

Esse crescimento também ultrapassou Santa Catarina. Em 2016, a Oxford inaugurou sua primeira unidade fabril fora do estado, em São Mateus, no Espírito Santo. Anos depois, a operação capixaba recebeu novos investimentos e tecnologia para ampliar a produção de louças, reforçando a estratégia de combinar origem catarinense com presença industrial em outras regiões do país. Hoje, o grupo informa unidades industriais e administrativas em São Bento do Sul, Campo Alegre, Pomerode e São Mateus, reunindo mais de 3 mil colaboradores.

A dimensão atual ajuda a explicar por que a Oxford faz parte desta série. O Grupo Oxford se apresenta como o maior fabricante de porcelanas e cerâmicas de mesa das Américas, com peças presentes em lares de todo o Brasil e em mais de 60 países. Em Santa Catarina, sua história foi reconhecida oficialmente em 2023, quando a Câmara de São Bento do Sul concedeu moção de aplausos pelos 70 anos da empresa, destacando sua inovação, criatividade, presença internacional e relevância econômica.

Mas nenhuma grande indústria se resume ao que aparece na prateleira. Por trás de cada prato, xícara, travessa, taça ou peça decorada, há uma cadeia de trabalho que exige cuidado: mineração, preparação da massa, moldagem, queima, esmaltação, decoração, controle de qualidade, embalagem, logística, varejo, exportação e atendimento. Há operadores, designers, técnicos, artesãos, engenheiros, vendedores, motoristas, gestores e trabalhadores que fazem a engrenagem funcionar todos os dias. É esse esforço silencioso que transforma matéria-prima em objeto de uso, e objeto de uso em lembrança afetiva.

A trajetória da Oxford também dialoga com a sustentabilidade. O grupo afirma atuar com base em um conceito que permeia suas atividades, envolvendo compromisso com qualidade, responsabilidade social e cuidado ambiental. Esse ponto é especialmente importante em uma indústria que trabalha com matéria-prima mineral, energia, água, fornos e logística. A permanência de uma empresa por mais de 70 anos depende justamente dessa capacidade de adaptar processos, reduzir impactos e responder às exigências de consumidores cada vez mais atentos.

Linha do tempo — marcos essenciais
• 26/11/1953 — Francisco Loersch negocia a antiga Cerâmica Santa Terezinha com grupo liderado por Otair Becker; nasce a base da Indústria Cerâmica Oxford Ltda.
• 02/01/1954 — Início da produção, com 72 colaboradores e uma unidade fabril em São Bento do Sul.
• 1968 — Criação da Oxford Mineração, em Campo Alegre, para fornecimento de matérias-primas.
• 1976 — Envio do primeiro contêiner ao exterior, marco da trajetória exportadora.
• 1980 — Primeira participação em feira internacional, em Berlim, na Alemanha.
• 1981 — Inauguração da primeira loja de fábrica, ao lado da empresa, em São Bento do Sul.
• 1982 — Criação da embalagem de madeira, que se tornaria um dos ícones da marca.
• 2010 — Reposicionamento como Oxford Porcelanas; linha cerâmica passa a ser Biona Cerâmica.
• 2011 — Aquisição da fábrica de cristais artesanais em Pomerode.
• 2016 — Inauguração da unidade fabril em São Mateus (ES), primeira fora de Santa Catarina.
• 2017 — Marca Strauss passa a integrar o Grupo Oxford, reforçando a atuação no segmento de cristais de luxo.
• 2023 — Oxford completa 70 anos e recebe homenagem da Câmara de São Bento do Sul.
• Atualidade — Grupo reúne mais de 3 mil colaboradores, unidades em SC e ES, presença em mais de 60 países e posição de maior fabricante de porcelanas e cerâmicas de mesa das Américas.

Mais do que uma cronologia empresarial, a história da Oxford Porcelanas é um retrato do que Santa Catarina constrói quando une indústria, design, tradição e sensibilidade. De São Bento do Sul saiu uma marca que atravessou gerações, chegou a mesas simples e sofisticadas, acompanhou famílias, restaurantes, hotéis e celebrações, e levou o nome catarinense para o mundo.

Fica aqui o reconhecimento aos fundadores, aos trabalhadores, às lideranças, aos artesãos, aos designers, aos parceiros comerciais e aos clientes que ajudaram a transformar a Oxford em uma referência nacional. Porque algumas empresas produzem objetos; outras ajudam a compor a memória das casas. A Oxford pertence a esse segundo grupo: uma empresa catarinense que aprendeu a transformar porcelana, cerâmica e cristal em presença cotidiana, beleza e confiança.

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