Softplan — de Florianópolis à tecnologia que ajudou a digitalizar o setor público brasileiro

Em 1990, em Florianópolis, três amigos decidiram transformar conhecimento técnico em empresa. Moacir Antônio Marafon, Ilson Stabile e Carlos Augusto de Matos deixaram a segurança de seus caminhos profissionais para criar a Softplan, numa época em que falar em transformação digital ainda parecia distante da rotina do setor público brasileiro. O que nasceu como uma aposta catarinense em software se tornaria, décadas depois, uma das principais referências nacionais em tecnologia para governos, Justiça, infraestrutura e gestão pública.
A origem tem algo que se repete em muitas grandes empresas de Santa Catarina: começo discreto, trabalho intenso e visão de longo prazo. Antes de ser reconhecida nacionalmente, a Softplan precisou provar que tecnologia não era apenas ferramenta de escritório, mas instrumento de eficiência, transparência e organização institucional. Em vez de vender sistemas isolados, a empresa passou a construir soluções capazes de enfrentar problemas complexos: processos físicos, filas, perda de informação, lentidão administrativa e dificuldade de integração entre órgãos públicos.
O grande símbolo dessa trajetória foi o SAJ — Sistema de Automação da Justiça. Antes mesmo de o processo eletrônico se consolidar como política pública no Brasil, a Softplan já trabalhava na digitalização de rotinas judiciais, ajudando tribunais a abandonar o papel e a reorganizar fluxos de trabalho. A empresa se tornou pioneira em Justiça digital e passou a atuar em um dos ambientes mais sensíveis da vida nacional: aquele em que tecnologia precisa servir ao cidadão, ao servidor, ao magistrado, ao advogado e à própria segurança jurídica.
Com o tempo, a Softplan deixou de ser apenas uma empresa de sistemas para se tornar uma parceira de transformação institucional. Suas soluções passaram a atender áreas como Justiça, Ministérios Públicos, Procuradorias, infraestrutura, obras, processos digitais e gestão administrativa. Em 2025, a companhia informa que suas soluções estavam presentes em mais de 900 instituições públicas em todo o Brasil, impactando milhões de pessoas por meio de serviços mais ágeis, transparentes e sustentáveis.
Também houve expansão para mercados privados ao longo da história do grupo, com soluções como o Sienge, voltado à construção civil e ao mercado imobiliário. Esse movimento mostrou a capacidade da Softplan de aplicar a mesma lógica — organizar processos complexos por meio de software — em diferentes setores da economia. Em 2025, porém, a empresa passou por uma reorganização importante: a Softplan ficou concentrada no setor público, enquanto a Starian passou a assumir as operações voltadas ao mercado privado, incluindo o ecossistema Sienge. A cisão ajudou a dar foco estratégico a cada frente de atuação.
A presença internacional também entrou nessa história. A Softplan avançou na América Latina com soluções para o Judiciário, incluindo contrato com o Poder Judicial do Peru e adoção de sua tecnologia em iniciativas como a Jurisdição Especial para a Paz, na Colômbia. Para uma empresa nascida em Florianópolis, é um marco simbólico: conhecimento desenvolvido em Santa Catarina sendo aplicado em sistemas de Justiça fora do Brasil, em realidades institucionais diferentes e de alta complexidade.
Em 2025, ao completar 35 anos, a Softplan celebrou essa trajetória em Florianópolis, reunindo fundadores, clientes e colaboradores. O encontro marcou não apenas uma data comemorativa, mas um novo ciclo: menos dispersão, mais foco no setor público e a reafirmação de uma missão que acompanha a empresa desde a origem — simplificar complexidades por meio da tecnologia.
Como toda grande empresa de tecnologia, a Softplan não se explica apenas por produtos. Ela se explica por gente: desenvolvedores, analistas, arquitetos de software, especialistas em segurança, suporte, implantação, atendimento, gestores de produto, profissionais de relacionamento e equipes que traduzem dores institucionais em sistemas que precisam funcionar todos os dias. Quando um processo tramita com mais rapidez, quando uma informação pública fica mais acessível, quando uma rotina administrativa deixa de depender de papel, há uma cadeia de trabalho invisível por trás.
E esse talvez seja o ponto mais importante desta história. A Softplan não construiu uma marca de massa, dessas que aparecem na prateleira ou no balcão. Construiu algo mais silencioso: tecnologia que entra nos bastidores do Estado e ajuda serviços públicos a funcionar melhor. É um tipo de grandeza que o cidadão nem sempre percebe diretamente, mas sente quando encontra menos burocracia, mais transparência e mais eficiência.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 1990 — Fundação da Softplan, em Florianópolis, por Moacir Antônio Marafon, Ilson Stabile e Carlos Augusto de Matos.
• Anos 1990 e 2000 — Consolidação de soluções para gestão pública e Justiça, com destaque para o SAJ e a digitalização de processos.
• Antes da Lei do Processo Eletrônico de 2006 — Softplan já atuava de forma pioneira na Justiça digital brasileira.
• 2015–2020 — Soluções SAJ contribuíram para economia de papel, redução de custos e maior eficiência em tribunais clientes.
• 2023 — Grupo Softplan amplia sua atuação no mercado privado com a aquisição da Construmarket, posteriormente integrada ao ecossistema Sienge.
• 2025 — Softplan conclui a aquisição da 1Doc, reforçando sua atuação em digitalização de processos, comunicação institucional e atendimento ao cidadão em prefeituras e órgãos públicos.
• 2025 — Empresa completa 35 anos e passa por cisão: Softplan focada no setor público; Starian voltada ao mercado privado.
• Atualidade — Soluções presentes em mais de 900 instituições públicas no Brasil, nos segmentos de Justiça, infraestrutura, obras e processos digitais.
Mais do que uma cronologia empresarial, a história da Softplan é um retrato de uma Santa Catarina que também aprendeu a crescer pela inteligência, pela inovação e pela tecnologia. De Florianópolis para o Brasil, a empresa mostrou que software pode ser infraestrutura pública; que código também pode reduzir distância entre cidadão e Estado; e que uma boa solução tecnológica, quando bem construída, melhora a vida de milhões sem precisar aparecer.
Fica aqui o reconhecimento aos fundadores, às lideranças, aos colaboradores e aos clientes públicos que ajudaram a construir essa trajetória. Porque há empresas que erguem fábricas, portos e redes de distribuição; e há empresas que constroem caminhos digitais. A Softplan pertence a esse segundo grupo — uma catarinense que ajudou a tirar processos do papel e a colocar o serviço público brasileiro em movimento.
