PERSPECTIVA POLÍTICA – Quem entrega, conquista confiança
Pesquisas estaduais mostram a força política da confiança construída durante um governo, o caso Master ganha novo ingrediente com repercussões na campanha nacional e os principais candidatos ao Governo de SC apresentam estratégias definidas, mas ainda poucas novidades.
Durante uma campanha eleitoral ouviremos muitas promessas.
Projetos serão apresentados.
Compromissos serão assumidos.
Realizações serão anunciadas.
Adversários serão criticados.
Mas existe uma situação diferente para aqueles que já estão governando.
Eles possuem algo que os demais candidatos não têm:
uma administração para ser julgada.
E algumas pesquisas estaduais deste momento mostram uma realidade interessante.
Governadores de diferentes partidos e campos políticos, que chegam à eleição com administrações reconhecidas pela população, aparecem também liderando disputas pela continuidade de seus projetos.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo.
Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe.
Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina.
São exemplos de Estados e realidades políticas bastante diferentes, mas que permitem uma reflexão em comum:
o eleitor já conhece aquilo que eles fizeram no governo.
Partido importa. Ideologia também. Mas entrega conta
Partidos importam.
Ideologia importa.
Alianças importam.
A realidade política de cada Estado também importa.
Mas existe algo que atravessa todas essas diferenças:
resultado.
Quando uma administração consegue apresentar entregas percebidas pela população, constrói algo que nenhum discurso eleitoral consegue produzir sozinho.
Confiança.
O eleitor pode concordar ou discordar ideologicamente de um governador.
Pode ter maior ou menor identificação com seu partido.
Mas possui quatro anos de administração para observar e consegue comparar aquilo que foi prometido com aquilo que efetivamente aconteceu.
É uma relação muito diferente daquela construída exclusivamente sobre promessas.
Quem já chegou precisa mostrar o que fez
Talvez esta seja uma das mensagens interessantes que algumas pesquisas estaduais estão apresentando nesta eleição.
Quem pretende chegar precisa dizer o que fará.
Quem já chegou precisa mostrar o que fez.
É uma diferença importante.
Quem disputa pela primeira vez apresenta projetos, ideias e compromissos.
Quem busca permanecer no cargo apresenta também aquilo que realizou.
E quando a população reconhece essas entregas, o resultado aparece naquilo que talvez seja o maior patrimônio que um governante pode construir:
confiança.
Confiança de que os compromissos assumidos podem ser cumpridos.
Confiança de que os resultados apresentados podem continuar.
Confiança construída pela relação entre aquilo que foi prometido e aquilo que efetivamente foi entregue.
Um bom governo pode produzir muitas entregas.
Mas uma das mais importantes é a confiança da população.
E confiança não se conquista durante algumas semanas de campanha.
É construída durante todo o governo.
O caso Master ganha um novo ingrediente político
O caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master ganhou ontem um novo ingrediente político.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da instituição, Leandro Almada.
O Governo Federal informou que recorrerá da decisão.
A discussão jurídica seguirá seu caminho, com recursos, manifestações e decisões do Supremo.
Para esta coluna, porém, interessa outro aspecto:
os desdobramentos políticos.
Um assunto que já estava na campanha
O caso Master há bastante tempo deixou de produzir consequências apenas nos campos policial e judicial.
Entrou definitivamente na campanha eleitoral.
Informações envolvendo Daniel Vorcaro, autoridades, políticos e personagens ligados aos diferentes campos da disputa vêm sendo utilizadas eleitoralmente por diferentes candidaturas.
Cada novo documento.
Cada depoimento.
Cada decisão.
Cada revelação.
Tudo rapidamente chega ao debate político.
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal acrescenta agora mais um elemento importante a esse ambiente.
O governo passa a estar diretamente envolvido na decisão
Andrei Rodrigues foi escolhido pelo atual governo para comandar a Polícia Federal.
Agora, um ministro do STF determina seu afastamento e o Governo Federal anuncia que recorrerá para tentar reverter a medida.
Politicamente, isso produz uma situação nova.
A oposição ganha mais um fato para explorar.
O governo terá de explicar sua posição e defender o recurso que decidiu apresentar.
E as demais candidaturas certamente acompanharão os próximos capítulos procurando aquilo que possa ser incorporado aos seus discursos eleitorais.
Em plena campanha, dificilmente seria diferente.
Master continuará presente na eleição
Talvez esta seja a principal consequência política da decisão.
O caso Master já ocupava espaço relevante na campanha.
Agora ganha mais um capítulo envolvendo diretamente o comando da Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal e a reação do Governo Federal.
Não sabemos quais serão os próximos desdobramentos da investigação nem qual será o resultado dos recursos.
Mas uma consequência já pode ser observada:
o assunto continuará presente na campanha eleitoral.
E, enquanto surgirem novos fatos, cada candidatura procurará interpretá-los politicamente.
O processo jurídico seguirá nos autos.
O processo político será disputado diante do eleitor.
Por enquanto, poucas novidades
As campanhas dos três principais candidatos ao Governo de Santa Catarina seguem seu curso.
De maneira geral, estão bem produzidas.
Possuem identidade.
Estratégias definidas.
E cada candidato parece saber exatamente qual mensagem pretende entregar ao eleitor.
O problema é que, até agora, não apareceram grandes novidades.

Jorginho mostra o governo
O governador Jorginho Mello (PL) segue uma estratégia bastante previsível para quem disputa a reeleição com uma administração bem avaliada.
Mostra aquilo que realizou.
Obras, investimentos, programas e resultados do governo ocupam espaço importante de sua comunicação.
É uma campanha construída essencialmente sobre a ideia de continuidade.
Faz sentido.
Quem está governando possui quatro anos para apresentar ao eleitor e procura transformar as realizações do mandato em argumento para permanecer no cargo.
É exatamente o conceito que tratamos na primeira nota desta coluna:
quem já chegou precisa mostrar o que fez.
João amplia Chapecó para Santa Catarina
João Rodrigues (PSD) utiliza uma estratégia diferente.
Boa parte de sua comunicação procura apresentar aquilo que realizou como prefeito de Chapecó e transportar esse modelo para o Estado.
Um exemplo bastante claro está na habitação.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, João afirma ter construído 1.500 unidades habitacionais em Chapecó destinadas a trabalhadores com carteira assinada.
Agora, como candidato ao Governo do Estado, amplia consideravelmente a proposta:
promete construir 60 mil unidades habitacionais em Santa Catarina dentro do mesmo conceito.
A lógica da comunicação é fácil de compreender.
João apresenta uma experiência de sua administração municipal e diz ao eleitor catarinense que pretende reproduzi-la, em outra escala, no Estado.
A mensagem eleitoral poderia ser resumida assim:
aquilo que fizemos em Chapecó podemos fazer em Santa Catarina.
É uma estratégia que transforma sua passagem pela prefeitura em uma espécie de cartão de visitas para a disputa estadual.
E também coloca uma proposta concreta sobre a mesa: 60 mil moradias.
Durante a campanha haverá espaço para discutir custos, financiamento, abrangência e viabilidade do projeto.
Mas a proposta está apresentada.
E agora poderá ser debatida.
Merísio demarca seu campo
Gelson Merísio (PSB) segue por outro caminho.
Sua campanha procura deixar bastante clara a identificação com o campo político que atualmente representa.
Defende, entre outras bandeiras, o fim da escala 6×1 e procura explorar politicamente a relação entre Santa Catarina e o Governo Federal.
Um dos argumentos utilizados é que a falta de proximidade política entre Jorginho Mello e o presidente Lula teria prejudicado o Estado.
É uma tese eleitoral.
E caberá à campanha demonstrá-la com fatos, enquanto Jorginho terá oportunidade de apresentar sua própria relação institucional com Brasília e os recursos e investimentos federais recebidos por Santa Catarina.
É justamente desse confronto de informações que o eleitor poderá formar sua avaliação.
E a novidade?
Até aqui, portanto, as estratégias estão bastante claras.
Jorginho apresenta o governo.
João apresenta Chapecó como referência para o Estado.
Merísio procura marcar diferenças políticas e ideológicas.
Tudo bem produzido.
Tudo dentro das estratégias que cada candidatura escolheu.
Mas ainda falta algo.
Surpreender.
Apresentar aquele projeto capaz de provocar uma discussão diferente.
Colocar sobre a mesa uma ideia que faça o eleitor parar para pensar sobre o futuro de Santa Catarina.
Até agora, temos campanhas organizadas, profissionais e com mensagens definidas.
Mas, usando uma expressão bastante conhecida, seguem um pouco “água com açúcar”.
A campanha está acontecendo.
A grande novidade ainda não apareceu.
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