PERSPECTIVA POLÍTICA – Uma colocação inapropriada ou assumiu um lado?

Uma declaração de Davi Alcolumbre provoca interpretações sobre sua posição na disputa presidencial, o Sul catarinense concentra candidaturas conhecidas à Câmara Federal e divergências sobre a eleição estadual chegam à propaganda do PP.

Na política, palavras e gestos ganham significado ainda maior durante uma campanha eleitoral.

E uma manifestação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na sessão de quarta-feira (2), inevitavelmente produziu interpretações políticas.

Pressionado por senadores para dar andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, Alcolumbre reagiu.

Ao comentar o caso envolvendo o Banco Master, afirmou que todos haviam esquecido que alguém pediu R$ 130 milhões para fazer um filme, acrescentando que agora o culpado seria somente Alexandre de Moraes.

Não citou nomes.

Mas a referência era facilmente identificável.

O episódio mencionado envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a quem foram solicitados recursos para o projeto de um filme sobre Jair Bolsonaro.

A fala saiu do campo institucional

Alcolumbre poderia ter respondido exclusivamente sobre sua decisão de dar ou não andamento aos pedidos contra Moraes.

Poderia ter defendido a instituição Supremo Tribunal Federal.

Poderia também ter explicado sua posição sobre as prerrogativas da Presidência do Senado.

Escolheu acrescentar à resposta um episódio envolvendo diretamente um candidato à Presidência da República.

E aí a manifestação ganhou inevitavelmente dimensão eleitoral.

A pergunta surgiu rapidamente:

Alcolumbre está apenas defendendo Moraes ou começou a demonstrar uma posição na disputa presidencial?

A questão ganha ainda mais interesse porque o União Brasil, partido de Alcolumbre, integra uma federação que declarou neutralidade na eleição presidencial.

Na política, os sinais são observados

A declaração também não ocorre isoladamente.

Recentemente, Alcolumbre participou de reunião com o presidente Lula e Hugo Motta para discutir o avanço de pautas defendidas pelo governo.

Depois desse encontro, matérias de forte apelo popular, como o fim da escala 6×1 e a medida provisória que elimina a chamada “taxa das blusinhas”, avançaram no Congresso.

Isso significa que Alcolumbre apoia Lula?

Não sabemos.

Mas política também é construída por gestos, palavras, aproximações e decisões.

Ao fazer uma referência crítica justamente ao principal adversário de Lula enquanto respondia às cobranças sobre Alexandre de Moraes, Alcolumbre acrescentou mais um elemento para as interpretações que naturalmente cercam seu posicionamento eleitoral.

Pode ter sido apenas uma colocação inapropriada para quem ocupa a Presidência do Senado.

Pode ter revelado uma preferência política.

Somente Davi Alcolumbre sabe.

Mas, em plena campanha eleitoral, quem ocupa uma posição institucional dessa importância sabe também que cada palavra será observada — e politicamente interpretada.


Sul do Estado congestionado

Se existe uma região de Santa Catarina onde a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados reúne uma grande quantidade de nomes conhecidos, é o Sul.

A região possui candidatos com mandato, estrutura política e histórico eleitoral.

Entre eles estão os deputados federais Daniel Freitas, Ricardo Guidi, Júlia Zanatta e Geovania de Sá, todos novamente candidatos à Câmara.

E a relação de nomes conhecidos não termina aí.

O atual presidente da Assembleia Legislativa, Julio Garcia, também disputa uma cadeira de deputado federal. Com longa trajetória na política catarinense, Garcia possui uma história política fortemente vinculada ao Sul do Estado.

Outro nome da região é o ex-governador Carlos Moisés, que retorna às urnas agora como candidato à Câmara dos Deputados.

Além deles, outras candidaturas buscarão votos no mesmo território eleitoral.

Muitos candidatos disputando o mesmo eleitor

Santa Catarina possui 16 cadeiras na Câmara dos Deputados, e naturalmente nenhuma delas pertence antecipadamente a determinada região.

A eleição proporcional possui ainda uma característica fundamental: o resultado individual do candidato não é o único componente da definição das cadeiras. O desempenho dos partidos e federações também participa dessa matemática.

Por isso, observar apenas os nomes pode não ser suficiente para antecipar como ficará a representação do Sul na próxima legislatura.

O que já pode ser constatado é a quantidade de candidaturas conhecidas buscando votos numa região onde várias delas possuem suas principais bases eleitorais.

Algumas tentarão preservar espaços conquistados anteriormente.

Outras buscarão retornar a Brasília ou chegar à Câmara por um novo caminho político.

E todas disputarão os votos do Sul enquanto também procuram ampliar suas campanhas para outras regiões de Santa Catarina.

O trânsito eleitoral está intenso.

No Sul catarinense, pelo menos em número de candidaturas conhecidas, a pista para Brasília está bastante congestionada.


Esquentou o clima dentro do PP de SC

Uma coisa é a decisão partidária.

Outra é conseguir fazer com que todos os candidatos caminhem na mesma direção.

O Progressistas de Santa Catarina está descobrindo, na prática, a diferença entre as duas coisas.

Oficialmente, o partido integra a aliança que apoia João Rodrigues (PSD) ao Governo do Estado. A coligação reúne também União Brasil e MDB, tendo Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice-governador e Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB) na disputa pelas duas vagas ao Senado.

A decisão, porém, nunca significou unanimidade dentro do PP.

Parte de suas lideranças e candidatos mantém apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL).

E agora essa divisão chegou à propaganda eleitoral.

Não autorizamos

Em peças da propaganda televisiva destinadas às candidaturas proporcionais, o PP vinculou imagens de seus candidatos ao apoio à chapa majoritária formada por João Rodrigues e Antídio Lunelli.

O problema é que alguns daqueles que apareceram nas peças seguem outro caminho na eleição estadual.

E reagiram.

Por meio de ofício encaminhado ao presidente estadual do partido, senador Esperidião Amin, 17 candidatos — cinco à Câmara dos Deputados e doze à Assembleia Legislativa — solicitaram a retirada imediata de suas imagens da propaganda, afirmando que não autorizaram sua utilização para manifestação de apoio a João Rodrigues e Antídio Lunelli.

O episódio coloca na televisão uma divisão que há meses acompanha o Progressistas catarinense.

Uma aliança no papel e caminhos diferentes nas ruas

A convenção decidiu.

O PP está oficialmente na coligação de João Rodrigues.

Mas uma decisão partidária não necessariamente transfere para a candidatura majoritária o apoio individual de todas as suas lideranças, filiados e candidatos.

É justamente essa diferença que agora fica exposta.

Enquanto a direção partidária participa de uma aliança eleitoral, parte de seus próprios candidatos proporcionais faz campanha por um adversário da chapa oficialmente apoiada pelo partido.

Isso cria uma situação política bastante peculiar.

Na mesma eleição, candidatos do PP precisam pedir votos para suas próprias candidaturas enquanto divergem publicamente da escolha feita pelo partido para o Governo do Estado.

A campanha ainda está começando.

Mas uma coisa já ficou evidente:

a convenção definiu o caminho oficial do PP. Não conseguiu colocar todos os progressistas na mesma estrada.


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