PERSPECTIVA POLÍTICA – Momento difícil
Em meio às dificuldades do país, a coluna faz um chamamento à responsabilidade de quem pode ajudar a construir novos caminhos, registra uma relação comercial relevante para a transparência das pesquisas eleitorais e observa as diferentes condições das campanhas proporcionais.

Não é preciso ser economista, cientista político ou especialista para perceber que o Brasil atravessa um momento difícil.
Do brasileiro mais informado àquele que acompanha pouco o cotidiano nacional, existe a percepção de que os problemas são muitos e as soluções não serão simples.
Esta coluna já escreveu isso outras vezes.
Na economia, existem desafios conhecidos e amplamente noticiados.
Na política, uma eleição que poderia representar uma grande oportunidade para discutir caminhos para o país vai sendo dominada pela polarização, pela guerra de narrativas e pelo confronto ideológico.
Propostas e projetos continuam ocupando espaço menor do que deveriam.
E, para a população, permanecem as preocupações de todos os dias: renda, emprego, segurança, saúde, educação, endividamento e a expectativa sobre aquilo que virá pela frente.
Agora, as tensões alcançam também o ambiente da nossa Suprema Corte, acrescentando mais um componente de preocupação a um cenário que já era suficientemente complexo.
O Brasil precisa encontrar um caminho
Não existe solução simples para problemas dessa dimensão.
Muito menos será uma única pessoa, instituição, partido ou Poder capaz de resolvê-los.
Mas existem brasileiros que, pelos cargos que ocupam e pelas responsabilidades que assumiram, possuem capacidade muito maior de influenciar os rumos do país.
Presidente da República.
Congressistas.
Ministros do Supremo Tribunal Federal.
Governadores.
Lideranças políticas, empresariais e institucionais.
É principalmente a essas pessoas que precisamos fazer um apelo.
O Brasil precisa reduzir suas tensões, recuperar previsibilidade e voltar a oferecer à população perspectivas concretas de futuro.
Divergências continuarão existindo.
A eleição continuará sendo disputada.
As instituições continuarão exercendo suas atribuições.
Mas responsabilidade, equilíbrio e capacidade de diálogo tornam-se ainda mais necessários justamente nos momentos difíceis.
O brasileiro não precisa que escondam os problemas.
Precisa saber que existem pessoas trabalhando seriamente para solucioná-los.
Um país pode atravessar dificuldades. O que não pode perder é a capacidade de encontrar caminhos — e oferecer esperança à sua população.
Pesquisa também precisa transmitir confiança
Em todas as eleições brasileiras surgem questionamentos sobre pesquisas eleitorais.
Alguns partem simplesmente da insatisfação de quem não gosta dos números apresentados. Outros levantam discussões sobre metodologia, amostragem, forma de coleta ou interpretação dos resultados.
Pesquisas seguem critérios estatísticos e precisam observar as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Mas existe outro elemento igualmente importante:
a confiança do eleitor em quem apresenta esses números.
E um caso atual merece ser registrado.
A Nexus, empresa de pesquisa e inteligência de dados pertencente à FSB Holding, vem divulgando levantamentos sobre a eleição presidencial.
Ao mesmo tempo, empresas do grupo mantêm contratos relevantes com o governo federal.
Segundo levantamento publicado pela coluna de Cláudio Humberto, do Diário do Poder, a FSB recebeu desde 2023 cerca de R$ 296,5 milhões por serviços prestados a órgãos do governo federal. Desse total, aproximadamente R$ 85,8 milhões teriam origem na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a Secom.
Além disso, documentos oficiais da própria Secom registram contrato diretamente com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados.
Informação também é transparência
Esses fatos, por si só, não permitem qualquer conclusão sobre os resultados das pesquisas realizadas pela Nexus.
E esta coluna não fará essa ilação.
A questão é outra.
Em uma eleição presidencial extremamente disputada, pesquisas possuem enorme repercussão. Influenciam cobertura jornalística, estratégias partidárias, financiadores, percepção de viabilidade das candidaturas e até o comportamento de parte do eleitorado.
Por isso, além do cumprimento das exigências técnicas e legais, existe um patrimônio indispensável para qualquer instituto:
credibilidade.
E credibilidade também se constrói oferecendo ao público todas as informações relevantes para que ele próprio possa avaliar quem está produzindo aquilo que lê.
A relação comercial entre empresas de um grupo de comunicação que realiza pesquisas eleitorais e o governo comandado por um dos candidatos é uma dessas informações.
Não cabe concluir além dos fatos.
Mas também não cabe escondê-los do eleitor.
Pesquisa eleitoral precisa de metodologia. Precisa de transparência. E, principalmente, precisa transmitir confiança a quem recebe seus resultados.
Estratégia ou condições diferentes?
Circular pelas ruas também permite observar como uma eleição vai tomando forma.
Nos últimos dias, percorrendo diferentes pontos da Grande Florianópolis e acompanhando também as redes sociais, esta coluna percebeu uma diferença bastante visível entre candidatos que disputam as eleições proporcionais.
Alguns parecem ter concentrado grande parte de suas campanhas no ambiente digital.
Publicações.
Vídeos.
Fotos.
Mensagens aos eleitores.
Outros já possuem uma presença física muito mais perceptível nas ruas, com bandeiras, adesivos em veículos, equipes e diferentes materiais de campanha.
Pode ser apenas estratégia.
Mas pode existir também outro componente:
dinheiro.
Campanhas custam — e os recursos são diferentes
Uma campanha com presença intensa nas ruas naturalmente exige estrutura.
Material gráfico, equipes, deslocamentos, produção, comunicação e inúmeras outras despesas fazem parte da construção de uma candidatura competitiva.
E os candidatos não começam necessariamente essa corrida com os mesmos recursos.
O Fundo Eleitoral possui critérios legais para distribuição entre os partidos, mas isso não significa que todos os candidatos de uma mesma legenda receberão valores iguais.
O próprio PL, por exemplo, estabeleceu critérios diferentes para a distribuição dos recursos entre suas candidaturas, distinguindo candidatos à reeleição dos demais e deixando parte da definição vinculada à avaliação do potencial eleitoral.
É uma decisão que ajuda a demonstrar algo importante sobre uma campanha:
estar submetido às mesmas regras não significa disputar com a mesma estrutura.
No final, somente as urnas dirão
Naturalmente, dinheiro sozinho não elege ninguém.
Uma campanha cara pode fracassar.
Uma candidatura com estrutura menor pode encontrar enorme identificação com o eleitor e surpreender.
As redes sociais também reduziram parte da dependência das estruturas tradicionais e abriram caminhos para candidatos alcançarem milhares de pessoas com custos muito diferentes daqueles exigidos por uma campanha de rua.
Por isso, ainda não sabemos se aquilo que estamos observando na Grande Florianópolis representa principalmente estratégias diferentes ou condições financeiras diferentes.
Provavelmente exista um pouco das duas coisas.
Mas uma realidade permanece:
numa campanha eleitoral, recursos fazem diferença.
Não garantem votos.
Mas certamente ampliam as possibilidades de buscá-los.
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