PERSPECTIVA POLÍTICA – SC BRILHA

Santa Catarina chega pela primeira vez ao topo do Ranking de Competitividade dos Estados, Lula ganha um novo ingrediente eleitoral com o avanço da MP da “taxa das blusinhas” e o início da propaganda no rádio e na TV colocará à prova a disposição dos candidatos para apresentar propostas.

Nem sempre esta coluna precisa falar de eleições, candidatos, articulações ou problemas.

Existem momentos em que é preciso simplesmente registrar e comemorar uma conquista.

E Santa Catarina acaba de alcançar uma enorme.

Na edição 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a Tendências Consultoria, o estado assumiu pela primeira vez a liderança nacional.

Santa Catarina ultrapassou São Paulo, que ocupava o primeiro lugar desde o início da série.

Não foi um resultado isolado.

Em 2016, o estado estava na terceira colocação. Em 2017 chegou ao segundo lugar e permaneceu na vice-liderança durante nove anos consecutivos.

Agora, finalmente, chegou ao topo.

Uma conquista construída ao longo do tempo

O resultado ganha ainda mais relevância porque o ranking avalia 100 indicadores distribuídos em dez pilares, envolvendo áreas econômicas, sociais, fiscais, ambientais, infraestrutura, inovação e qualidade da gestão pública.

Santa Catarina ficou entre os cinco melhores estados brasileiros em todos os dez pilares e conquistou a liderança nacional em quatro: Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social.

É uma conquista que não pertence a uma única pessoa, empresa, instituição ou governo.

Foi construída ao longo de décadas pelo trabalho dos catarinenses, por seus empreendedores, trabalhadores, cooperativas, municípios, instituições e sucessivas administrações públicas.

Chegar ao primeiro lugar merece reconhecimento.

SC BRILHA.

E agora surge um desafio ainda maior:

permanecer no topo.


Um ingrediente a mais para a campanha de Lula

O presidente Lula ganhou mais um ingrediente para utilizar em sua campanha à reeleição.

Depois de reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, ficou encaminhada a votação da medida provisória que elimina o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a conhecida “taxa das blusinhas”.

A MP ainda precisa ser aprovada pelo Congresso antes de perder a validade.

Mas o aval político dos presidentes das duas Casas aumenta consideravelmente a possibilidade de votação.

A cronologia também faz política

Existe uma sequência de acontecimentos que precisa ser lembrada.

Foi durante o governo Lula que entrou em vigor a cobrança de 20% sobre as importações de até US$ 50.

A medida provocou forte reação entre consumidores.

Depois de quase dois anos, em maio de 2026 — justamente no ano eleitoral —, o governo editou uma medida provisória eliminando a cobrança.

Agora, já em campanha pela reeleição, Lula trabalha diretamente para garantir sua aprovação no Congresso.

Existem discussões econômicas importantes envolvendo o assunto. Setores do comércio e da indústria brasileira defendem tratamento tributário equilibrado entre produtos nacionais e importados, enquanto consumidores naturalmente recebem de maneira positiva a retirada de uma cobrança que encarece suas compras.

Mas existe também a leitura eleitoral.

Imposto retirado também rende discurso

Se a MP for aprovada, Lula poderá chegar à campanha dizendo que seu governo acabou com a “taxa das blusinhas”.

E isso possui evidente apelo popular.

Existe, porém, um componente importante nessa narrativa:

foi durante seu próprio governo que a cobrança começou.

A cronologia é simples.

O governo participou da criação da taxa.

A cobrança tornou-se impopular.

No ano eleitoral, Lula decidiu eliminá-la.

E agora conseguiu de Hugo Motta e Davi Alcolumbre o encaminhamento político necessário para colocar a medida em votação.

Se o Congresso aprovar a MP, Lula ganhará mais um argumento para sua campanha. Seus adversários terão outro igualmente objetivo: o governo que agora retira a taxa foi o mesmo que a implantou.


Agora vamos conhecer a escolha de cada campanha

Nesta sexta-feira (28), começa oficialmente a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para as eleições de 2026.

Chegou a hora de conhecer com maior clareza a linha escolhida por cada candidato para conversar com o eleitor.

Esta coluna tem insistido numa expectativa bastante simples:

propostas e projetos.

Queremos saber o que cada candidato pretende fazer, como pretende governar, quais problemas considera prioritários e quais resultados promete entregar.

Mas confessamos algum ceticismo.

As últimas eleições brasileiras foram marcadas por campanhas em que boa parte do esforço de comunicação esteve concentrada na desconstrução dos adversários, em acusações, frases de efeito e narrativas preparadas para mobilizar bases eleitorais.

Proposta ou mais do mesmo?

Agora os candidatos terão espaço próprio no rádio e na televisão.

Não poderão dizer que faltou oportunidade para explicar suas ideias.

A questão será descobrir qual espaço sobrará para aquilo que realmente interessa ao eleitor.

Saúde.

Educação.

Segurança.

Economia.

Emprego.

Infraestrutura.

Contas públicas.

E, principalmente, como cada candidato pretende enfrentar esses problemas.

Torceremos para que a campanha de 2026 apresente algo diferente.

Mas somente os próximos dias mostrarão se teremos uma eleição baseada em propostas ou se assistiremos novamente à velha fórmula de gastar mais tempo explicando por que o adversário não serve do que demonstrando por que o próprio candidato merece governar.

A propaganda eleitoral começa nesta sexta-feira. Agora veremos se os candidatos escolherão apresentar projetos para o futuro — ou simplesmente repetir o mais do mesmo.


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