“Candidato de fora”? Santa Catarina mostra nas urnas que é um estado de todos

Levantamento do DMA Notícias mostra presença expressiva de candidatos nascidos em outros estados; origem não deve valer mais do que compromisso e resultados para os catarinenses

Em períodos eleitorais, uma expressão costuma aparecer com frequência: “candidato de fora”.

É evidente que existem políticos nascidos e radicados há décadas em Santa Catarina e outros que chegaram ao estado mais recentemente.

Mas todo catarinense por escolha teve um primeiro dia nesta terra.

E talvez seja justamente aí que essa discussão precise ser colocada em perspectiva.

Na política, mais importante do que o local onde alguém nasceu deveria ser aquilo que essa pessoa efetivamente pretende fazer — e consegue fazer — pelo estado e pela população que representa.

O DMA Notícias realizou um levantamento com base nas candidaturas que, até o momento, encaminharam pedido de registro para as eleições de 2026.

Os números mostram uma característica muito própria de Santa Catarina.

Na disputa pelo Governo do Estado, existem atualmente 8 candidaturas, sendo que 5 candidatos nasceram fora de Santa Catarina.

Para o Senado Federal, são 13 candidaturas, das quais 2 são de pessoas nascidas em outros estados.

Já na disputa pela Câmara dos Deputados, existem 231 candidaturas registradas, sendo 72 de candidatos nascidos fora de Santa Catarina.

Ou seja, praticamente um em cada três candidatos a deputado federal nasceu em outro estado brasileiro.

Os dados das candidaturas de 2026 estão disponíveis no Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral, que reúne as informações encaminhadas pelos partidos e candidatos à Justiça Eleitoral.

Outro aspecto chamou nossa atenção.

Entre os candidatos que escolheram Santa Catarina para construir suas vidas e agora disputam cargos pelo estado, encontramos pessoas nascidas no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Roraima e Distrito Federal.

É quase um retrato do próprio crescimento catarinense.

Santa Catarina tornou-se, nas últimas décadas, um dos principais destinos migratórios do Brasil.

Milhares de brasileiros chegaram aqui procurando trabalho, segurança, oportunidades, qualidade de vida e melhores condições para suas famílias.

Vieram de diferentes regiões.

E passaram a fazer parte da sociedade catarinense.

Por que na política deveria ser diferente?

Naturalmente, o eleitor possui todo direito de considerar a trajetória de cada candidato.

Tudo isso é legítimo.

Ninguém escolhe onde nasce.

Mas escolhe onde viver.

E Santa Catarina sempre foi extremamente receptiva a quem chegou disposto a trabalhar e contribuir.

Aliás, parte importante da força econômica e populacional que o estado apresenta hoje também foi construída por pessoas que vieram de outras regiões do Brasil.

No final, a avaliação deveria ser objetiva.

O que fez?

O que pretende fazer?

Qual é seu compromisso com Santa Catarina?

Evidentemente, o eleitor decidirá.

É ele quem possui soberania para avaliar se determinado candidato realmente conhece e representa os interesses catarinenses.

Mas os próprios números das eleições de 2026 ajudam a desmontar a ideia de que nascer fora seja alguma excepcionalidade.

São cinco candidatos ao governo.

Dois ao Senado.

Setenta e dois à Câmara Federal.

Pessoas vindas de diversas partes do país e que, em algum momento de suas vidas, escolheram Santa Catarina.

Esse também é o nosso estado.

Uma terra construída por quem nasceu aqui e por quem chegou depois.

Talvez seja justamente essa capacidade de receber pessoas, incorporar talentos e oferecer oportunidades uma das razões para Santa Catarina ter chegado onde chegou.

Na política, portanto, a pergunta deveria ser simplesmente:

“O que você pretende fazer por Santa Catarina?”

No fim, é isso que realmente importa.

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