PERSPECTIVA POLÍTICA – Santa Catarina no centro da disputa
Santa Catarina recebe no mesmo dia os dois principais candidatos à Presidência, emendas parlamentares podem movimentar quase R$ 58 bilhões em 2027 e PSDB apresenta à coluna suas expectativas para as urnas de outubro.
O próximo sábado, dia 19, será uma data simbólica para a campanha eleitoral em Santa Catarina.
Os dois principais candidatos à Presidência da República estarão no Estado no mesmo dia.

Flávio Bolsonaro será recebido pelo governador e candidato à reeleição Jorginho Mello. Pela manhã, participará de evento em Joinville. À tarde, a agenda seguirá para Chapecó.

Do outro lado da disputa, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva estará em Florianópolis, onde participará de ato público na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa. A mobilização reunirá lideranças e candidatos do campo político que sustenta sua candidatura no Estado.
A geografia também fala
As cidades escolhidas ajudam a tornar a agenda ainda mais interessante.
Joinville é o maior colégio eleitoral de Santa Catarina e foi administrada por Adriano Silva, candidato a vice-governador na chapa de Jorginho Mello.
Chapecó, por sua vez, é a principal base política de João Rodrigues, justamente um dos adversários de Jorginho na disputa pelo Governo do Estado.
Lula estará na Capital, onde encontrará o palanque estadual do seu campo político, liderado na disputa pelo governo por Gelson Merísio.
Não serão, portanto, apenas três eventos de campanha.
A eleição nacional encontra a estadual
As visitas também mostram como as disputas presidencial e estadual começam a caminhar cada vez mais próximas nesta reta da campanha.
Jorginho procura associar sua candidatura à de Flávio Bolsonaro.
Gelson Merísio terá a oportunidade de dividir o palanque catarinense com Lula.
E os candidatos proporcionais e ao Senado dos dois campos também estarão diante de uma oportunidade de mobilização.
Faltando pouco mais de duas semanas para o primeiro turno, Santa Catarina terá, em um único sábado, os dois principais candidatos à Presidência percorrendo ou mobilizando o Estado ao lado de seus aliados locais.
Por algumas horas, a disputa nacional terá endereço catarinense.
Bilhões que também precisam ser acompanhados
Deputados e senadores terão novamente sob sua responsabilidade uma parcela expressiva do Orçamento da União.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 reservou R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares individuais e de bancadas estaduais.
São recursos de execução obrigatória e um crescimento nominal de aproximadamente R$ 4 bilhões em relação aos R$ 40,8 bilhões inicialmente previstos no projeto do Orçamento de 2026.
Para termos uma dimensão do que isso representa, cada deputado federal terá limite aproximado de R$ 43 milhões em emendas individuais. Para cada senador, serão cerca de R$ 79,1 milhões.
E o valor pode aumentar
Os R$ 44,8 bilhões não representam necessariamente o valor final.
O projeto encaminhado pelo governo não incluiu as chamadas emendas de comissão, que não possuem execução obrigatória.
Durante a tramitação do Orçamento, o Congresso poderá acrescentá-las, respeitando um limite de aproximadamente R$ 12,9 bilhões.
Caso isso ocorra integralmente, estaremos falando de um volume próximo de R$ 57,7 bilhões em emendas parlamentares.
É muito dinheiro.
O recurso é público
As emendas permitem que deputados e senadores direcionem recursos para obras, saúde, infraestrutura e diferentes projetos nos estados e municípios.
Também são, recorrentemente, objeto de discussões envolvendo critérios de distribuição, transparência e rastreabilidade. O próprio Supremo Tribunal Federal tem tratado dessas questões nos últimos anos.
Por isso, talvez a discussão não deva ficar restrita à existência das emendas.
Com dezenas de bilhões de reais sendo direcionados por decisões parlamentares, interessa à sociedade saber quem indicou, para onde foi, qual a finalidade e qual resultado o dinheiro produziu.
Porque existe um princípio que não deveria mudar, independentemente de quem esteja no governo ou no Congresso:
a emenda pode ser parlamentar. O dinheiro continua sendo público.
As contas do PSDB para outubro
A coluna conversou com o deputado estadual e candidato à reeleição Marcos Vieira, presidente do PSDB em Santa Catarina e vice-presidente nacional da sigla.

Segundo Vieira, a Federação PSDB/Cidadania trabalha com a expectativa de conquistar duas cadeiras na Assembleia Legislativa nas eleições de outubro.
Para alcançar esse objetivo, a federação montou uma nominata com 19 candidatos a deputado estadual, distribuídos por diferentes regiões de Santa Catarina.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, foram lançados três candidatos.
A aposta na majoritária
Na eleição majoritária catarinense, PSDB e Cidadania estão no grupo de partidos que apoia a candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello.
Segundo Marcos Vieira, a expectativa da sigla é de vitória dos três candidatos da coligação na majoritária.
É uma projeção otimista apresentada pelo dirigente tucano para uma eleição que decidirá, no mesmo dia, governador e as duas cadeiras catarinenses no Senado.
A estratégia nacional
Marcos Vieira também apresentou à coluna a expectativa do PSDB para o cenário nacional.
Segundo o vice-presidente da legenda, a estratégia adotada pelo partido priorizou o fortalecimento das candidaturas à Câmara dos Deputados.
A projeção partidária, de acordo com Vieira, é eleger quase 40 deputados federais, dois governadores e três senadores.
São metas ambiciosas para um partido que já ocupou posição central na política brasileira e que chega a 2026 tentando ampliar novamente sua representação.
As urnas de outubro mostrarão o tamanho que o PSDB conseguirá reconstruir no cenário político brasileiro.
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