PERSPECTIVA POLÍTICA – Quando os números mudam, as campanhas também mudam

Movimentos nas pesquisas começam a produzir reações nas campanhas presidenciais, nominatas mostram a importância da força coletiva na eleição proporcional e novo levantamento coloca aprovação e intenção de voto lado a lado na disputa pelo Governo de SC.

Mais uma pesquisa.

Mais um empate técnico.

Mas também mais um levantamento em que Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em uma eventual disputa de segundo turno.

A pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (10) mostrou Flávio com 47% e Lula com 45%.

A diferença está dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual.

Portanto, tecnicamente, existe empate.

Mas existe outro aspecto político que começa a chamar atenção:

a reação da campanha do presidente Lula.

O tom mudou

Nos últimos dias, Lula elevou o tom de seus pronunciamentos.

Falou sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e chegou a mencionar o Tribunal Superior Eleitoral ao abordar o processo eleitoral.

São declarações fortes.

Se existe ou não qualquer tentativa de interferência é uma questão que precisa ser demonstrada por fatos.

Politicamente, entretanto, interessa observar o momento em que essas declarações aparecem.

Elas ocorrem justamente quando diferentes pesquisas passaram a mostrar uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A campanha também demonstra preocupação

O movimento não acontece apenas nos discursos do presidente.

Nos bastidores, sua própria campanha demonstra preocupação com o cenário.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, convocou reuniões com dirigentes partidários, aliados e representantes de movimentos que apoiam Lula para discutir os rumos da campanha.

Existem cobranças por maior mobilização.

Discussões sobre estratégias.

Críticas à organização da campanha.

E preocupação com os possíveis efeitos políticos dos acontecimentos recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal.

Campanhas acompanham pesquisas permanentemente.

Quando os números mudam, estratégias também podem mudar.

Mudou a eleição?

Esta pergunta ainda não pode ser respondida.

As pesquisas continuam apresentando diferenças entre institutos e, em muitos levantamentos, Lula e Flávio permanecem tecnicamente empatados.

Mas existe uma diferença em relação ao início da campanha.

O cenário que anteriormente mostrava Lula numericamente à frente em diferentes levantamentos passou a apresentar pesquisas com empate numérico e outras com Flávio numericamente na frente.

Isso não estabelece uma tendência definitiva.

Mas altera o ambiente político da campanha.

E as reações começam a aparecer.

Ainda temos campanha

Faltam pouco mais de três semanas para o primeiro turno.

É tempo para novos acontecimentos.

Novas pesquisas.

Novas estratégias.

Novos discursos.

E provavelmente novas tensões.

Neste momento, talvez seja mais interessante observar não apenas os números apresentados pelos institutos.

Também vale observar como as próprias campanhas estão reagindo a eles.

A pesquisa continua sendo uma fotografia.

Mas quando várias fotografias começam a mudar, quem está dentro da disputa naturalmente presta atenção.


A força está também no conjunto

Este portal fez uma avaliação das nominatas apresentadas pelos partidos para a disputa das 16 vagas de Santa Catarina na Câmara dos Deputados.

As listas ainda podem sofrer substituições até o prazo estabelecido pela legislação eleitoral, mas seu desenho principal já permite algumas observações.

De maneira geral, os partidos procuraram montar suas nominatas considerando dois fatores importantes:

a distribuição geográfica e o potencial eleitoral de cada candidato.

Nas eleições proporcionais, isso faz bastante diferença.

Não basta olhar candidato por candidato

Quando acompanhamos uma eleição para deputado federal, existe uma tendência natural de observar os candidatos individualmente.

Quem possui mandato.

Quem já exerceu outros cargos públicos.

Quem possui uma base eleitoral consolidada.

Quem consegue alcançar diferentes segmentos do eleitorado.

Mas o sistema proporcional exige uma segunda leitura.

É preciso olhar a nominata inteira.

O desempenho de cada candidato contribui para a votação do partido ou da federação.

Por isso, a disputa não depende apenas da votação individual dos nomes mais conhecidos.

A capacidade coletiva da nominata também participa da definição das cadeiras.

O ponto de partida

Atualmente, as 16 cadeiras catarinenses estão assim distribuídas:

PL — 7 deputados

MDB — 3 deputados

PT — 2 deputados

Republicanos — 2 deputados

União Brasil — 1 deputado

Novo — 1 deputado

Essa é a fotografia que serve como ponto de partida para observarmos a eleição deste ano.

Mas outubro fará uma nova distribuição.

Alguns nomes poderão permanecer.

Outros poderão ser substituídos por candidatos da própria legenda.

E cadeiras também poderão mudar de partido.

É justamente aí que a composição das nominatas ganha importância.

Duas disputas acontecendo ao mesmo tempo

Quando olhamos as listas apresentadas, percebemos que os partidos procuraram combinar nomes, regiões e diferentes bases eleitorais.

O resultado dessa estratégia somente será conhecido nas urnas.

Mas existe uma característica da eleição proporcional que muitas vezes passa despercebida pelo eleitor.

Na prática, podemos acompanhar duas disputas acontecendo simultaneamente.

A primeira é entre os candidatos.

Cada um precisa conquistar seus votos.

A segunda é entre as nominatas.

Cada partido ou federação precisa construir votação suficiente para participar da distribuição das cadeiras.

E muitas vezes o eleitor acompanha apenas a primeira.

No dia da apuração, perceberá a importância da segunda.


Quando aprovação e intenção de voto caminham juntas

Mais uma pesquisa sobre a disputa pelo Governo de Santa Catarina.

E novamente Jorginho Mello (PL) aparece acima dos 50% das intenções de voto.

Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (10) mostra o atual governador, que disputa a reeleição, com 51,6%.

João Rodrigues (PSD) aparece com 18,5% e Gelson Merísio (PSB), com 17,6%.

Pela margem de erro do levantamento, os dois estão tecnicamente empatados.

Os demais candidatos registraram 2,9% ou menos.

Considerando somente os votos válidos, Jorginho ultrapassa 55%.

É mais um levantamento que coloca o governador em um patamar que, caso fosse reproduzido nas urnas, seria suficiente para encerrar a eleição no primeiro turno.

Um segundo número ajuda a entender o cenário

A pesquisa trouxe outro dado importante:

60% dos catarinenses aprovam a gestão de Jorginho Mello.

Os dois números precisam ser observados conjuntamente.

De um lado, 51,6% de intenção de voto.

Do outro, 60% de aprovação da administração.

Não são indicadores iguais.

Aprovar um governo não significa necessariamente votar no governador.

Da mesma forma, o voto pode ser definido por muitos outros fatores.

Mas quando aprovação administrativa e intenção de voto aparecem simultaneamente em patamares elevados, existe uma informação política importante a ser observada.

Uma fotografia que vem se repetindo

O levantamento da AtlasIntel não aparece isoladamente.

Pesquisas recentes de diferentes institutos têm colocado Jorginho em torno ou acima dos 50%.

Quaest registrou 50%.

Neokemp, 51,6%.

Veritá, 58,5%.

Agora a AtlasIntel registra 51,6%.

São metodologias, amostras e períodos diferentes e, por isso, os números não devem ser tratados como se fossem uma única pesquisa.

Mas todos oferecem fotografias de um mesmo processo eleitoral.

Ao mesmo tempo, o índice de aprovação registrado pela Atlas acrescenta uma informação importante à leitura desse cenário: o atual governador chega a esta etapa da campanha com maioria de aprovação de sua gestão e maioria das intenções de voto no levantamento.

E até este momento existe uma característica comum nas pesquisas recentes:

Jorginho aparece em patamar compatível com uma definição da eleição no primeiro turno.


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