PERSPECTIVA POLÍTICA – Palavras também chegam à mesa

Uma frase de Lula provoca reflexão sobre dificuldades e perspectivas, PSD trabalha para reconstruir sua presença catarinense na Câmara Federal e Carol de Toni recebe um apoio simbólico de projeção nacional.

Durante passagem de campanha por Porto Alegre, o presidente Lula fez uma afirmação que merece reflexão:

“Se não tiver carne, come ovo.”

Uma frase simples.

Mas nem sempre aquilo que parece simples para quem fala chega da mesma maneira para quem escuta.

Opção ou necessidade?

Existe uma diferença entre comer ovo porque se deseja e comer ovo porque o orçamento não permite comprar carne.

Para algumas pessoas, a frase pode representar apenas uma alternativa diante de uma dificuldade momentânea.

Para outras, especialmente aquelas que diariamente precisam escolher o que conseguem colocar dentro do carrinho do supermercado, pode ter um significado diferente.

Porque, nesse caso, não estamos falando de preferência.

Estamos falando de limitação.

O peso das palavras

Lula conhece a pobreza brasileira e frequentemente utiliza sua própria história para falar sobre as dificuldades enfrentadas pela população.

Talvez exatamente por isso suas palavras tenham ainda mais significado quando tratam desse assunto.

Quem enfrenta dificuldades já conhece as substituições que precisa fazer.

Sabe o que deixou de comprar.

Sabe aquilo que gostaria de oferecer à família e muitas vezes não consegue.

Uma frase pode admitir diferentes interpretações.

Mas existe uma pergunta que talvez valha para qualquer governante:

quem enfrenta uma dificuldade espera apenas uma alternativa para conviver com ela ou também uma perspectiva de que poderá superá-la?


Uma cadeira é viável. Duas seriam uma grande vitória

Em contato com fontes ligadas ao PSD de Santa Catarina, a coluna encontrou uma expectativa otimista para a eleição à Câmara dos Deputados.

O partido trabalha com a possibilidade de conquistar duas das 16 cadeiras catarinenses.

As próprias fontes, entretanto, reconhecem que não será uma missão fácil.

Atualmente, o PSD não possui representante de Santa Catarina na Câmara Federal. Por isso, qualquer cadeira conquistada representará a reconstrução da presença catarinense do partido em Brasília.

A nominata

Como fizemos recentemente com as nominatas dos partidos, também avaliamos o conjunto apresentado pelo PSD.

Nossa leitura é que a conquista de uma cadeira é bastante viável.

Chegar a duas representaria um resultado ainda mais expressivo para o partido.

E aqui volta aquela característica das eleições proporcionais que abordamos nesta coluna: não basta possuir candidatos individualmente competitivos.

A nominata precisa produzir votos.

É a votação do conjunto que ajudará a determinar quantas cadeiras o partido poderá conquistar.

Colombo e Júlio

Dentro dessa disputa, dois nomes naturalmente recebem maior atenção.

O ex-governador Raimundo Colombo e o atual presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia.

São políticos experientes, conhecidos em diferentes regiões do Estado e com longas trajetórias na política catarinense.

Na avaliação desta coluna, Colombo e Júlio aparecem como os principais nomes do PSD na disputa por uma eventual primeira cadeira.

Mas existe um detalhe importante.

Eles não disputam apenas entre si.

Precisam também dos votos conquistados pelos demais candidatos da nominata para que o PSD alcance votação suficiente para entrar na distribuição das cadeiras.

É a lógica da eleição proporcional novamente aparecendo.

Primeiro, o partido precisa conquistar a cadeira. Depois, os votos individuais ajudam a definir quem sentará nela.


Um apoio diferente

A deputada federal e candidata ao Senado por Santa Catarina Carol de Toni recebeu um apoio que chama atenção principalmente por sua origem.

O jurista Ives Gandra da Silva Martins gravou um vídeo, publicado nas redes sociais, no qual afirma que, se fosse eleitor em Santa Catarina, votaria em Carol de Toni.

Ao justificar sua manifestação, Ives Gandra relata ter acompanhado a atuação da deputada durante seus mandatos na Câmara Federal e destaca características que, em sua avaliação, marcaram o desempenho parlamentar de Carol, entre elas conteúdo, firmeza e respeito aos procedimentos.

O significado de um apoio

Ives Gandra não é eleitor de Santa Catarina.

Portanto, seu apoio possui uma característica diferente daquele oferecido por uma liderança política catarinense com base eleitoral no Estado.

É essencialmente simbólico.

Mas apoios simbólicos também fazem parte de uma campanha.

Principalmente quando quem manifesta sua posição procura justificá-la a partir daquilo que observou no exercício do mandato da candidata.

E existe um registro político relevante:

uma candidatura ao Senado por Santa Catarina recebeu o reconhecimento público de uma personalidade nacional que afirma ter acompanhado sua atuação na Câmara dos Deputados.


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