Jogatina compulsiva

Nunca fui ligado a jogos fora dos gramados ou das quadras que não fossem as esportivas. De jogo do bicho, loterias (inclusive a esportiva), quadra, quina ou a qualquer incentivo que precise de sorte, sempre procurei passar ao largo. Sorte mesmo só a Divina que me deu uma vida regrada e vitoriosa, sem apostas, mas com trabalhos gratificantes.
Mas nos últimos tempos tenho me dedicado a acompanhar a movimentação dos mais recentes sonhos de ganho fácil. Aqueles que no modernismo on-line prometem tudo e não dão nada. São as tais bets, plataformas digitais de jogo de apostas, onde usuários depositam dinheiro para dar palpites em resultados de eventos esportivos ou jogos virtuais. Aliás, o que pouca gente sabe é que as “bets”, contrariando o que anunciam, não são investimentos, mas um jogo de azar com fortíssima probabilidade de perda financeira. Já na mira de quem as autorizou a operar no país, mas não teve a competência para a sua eficaz regulamentação, elas agora estão sendo denunciadas.
A nossa realidade
De quase todos os lados – menos os patrocinados – surgem preocupações pela forma negativa como o sistema de apostas esportivas vem atuando sobre a população brasileira, especialmente na mais carente. Seguindo a linha nacional, agora também em Santa Catarina os malefícios da jogatina estão sendo divulgados. Segundo levantamento do Procon-SC, as bets já são a 2ª maior causa de endividamento em nosso Estado. Os números revelam que negociações por compulsão em apostas atingem dezenas de milhões de reais. O problema já está sendo encarado como uma crise grave de saúde pública e de finanças, destruindo orçamentos familiares e gerando um gargalo sem precedentes no atendimento psicossocial da região metropolitana de Florianópolis e por todo o estado.
O dado mais alarmante apontado pelas equipes de saúde, é a correlação entre a ruína financeira provocada pelas apostas e os episódios de violência autoprovocados e as tentativas de suicídio.
Tudo originado pela perda repentina de patrimônio e o endividamento descontrolado, que têm atuado como fortes gatilhos para crises severas de saúde mental.
Resta saber o que fizeram, ou estão fazendo e não se conta o que prometem fazer, os responsáveis pela fiscalização de um problema que afeta diretamente um expressivo percentual da população.
Pelo visto, parece que absolutamente nada.
