Mortal combinação

A cada dia que passa novos casos surgem aflorando fatos e enlameando a pouca reputação do futebol brasileiro. Clubes de grandes e pequenos centros, gigantes nacionais e estaduais e alguns que sequer emergiram para o sucesso, entram no rol do descrédito diante de quem os acompanha.
Negócios obscuros protegidos pela tal “cláusula de confidencialidade” que usada em contratos para proibir a revelação de informações a terceiros acobertam negócios e “negociatas”, estão acabando com o pouco da credibilidade que ainda desperta o torcedor nacional.
São segredos comerciais que deveriam ser proibidos em transações onde o maior interessado é o mais importante cliente do “negócio” futebol: a sua torcida.
O que ajuda a gestão de uma entidade – associação, sociedade anônima ou limitada – esconder do público o real valor auferido numa negociação? Imagino que ocultar o lucro para burlar uma fiscalização, sonegar contribuições e mascarar prestações de contas.
Mas quem tem autoridade para barrar esta série de afrontas perpetradas contra o mais popular esporte do país?
Na nascente das irregularidades há órgãos (nos clubes, por exemplo, os Conselhos Deliberativos e Fiscais) que detém este poder mas, não raras vezes, são coniventes com tais atos. E quando quem deveria agir permanece em hibernação e ao invés de servir à instituição passa a servir a interesses particulares, a decadência deixa de ser uma possibilidade e se transforma num destino.
Afinal, entidades não desaparecem apenas por falta de recursos. Muitas sucumbem por uma combinação mortal: a inércia de quem deveria decidir, a ignorância de quem deveria compreender e fiscalizar e o oportunismo de quem descobriu na instituição um meio de satisfazer interesses próprios.
E quando isso acontece, a agonia do presente destrói a sua história e mata o seu futuro.
É preciso lembrar que no esporte, quem recebe a confiança para administrar uma instituição, não adquire a licença para dela se servir.
Reparação
Diante do atual quadro imagina-se que Leis podem punir, auditorias podem revelar e a Justiça pode reparar, quando ainda houver o que reparar. Mas nenhuma sentença devolve o tempo perdido, o patrimônio dilapidado ou a credibilidade destruída.
A realidade
Sobre o assunto, valho-me de um registro feito pelo colega radialista Alexandre Praetzel (Rádio Bandeirantes/São Paulo).
Disse ele:
– O futebol brasileiro hoje tem:
1 – Empresários bilionários
2 – Jogadores milionários
3 – Dirigentes ricos
4 – Clubes quebrados.
E ele tem razão.
