Enfim, o sucesso da SAF

Em meio a tantas SAFs (Sociedade Anônima do Futebol) brasileiras mal administradas, inclusive em grandes clubes, dois bons exemplos parecem estar servindo para que surja um ponto de esperança para a recuperação de clubes.
O Paraná Clube (Curitiba) e o Juventus (São Paulo) são os dois casos a serem reverenciados. Ambos emergiram do fundo do poço em seus estados e ascenderam à elite de seus campeonatos poucos meses após a implementação do novo modelo de gestão. O processo de reconstrução administrativa, criou um equilíbrio financeiro que teve imediatos resultados técnicos e promoveu a reconexão com suas torcidas que, apesar de não serem as maiores das suas cidades, conseguiram viver momento da mais explícita alegria.
No caso do Paraná, o retorno à elite representou uma recuperação imediata após o rebaixamento no estadual. Em São Paulo, o simpático “moleque travesso” encerrou um jejum de 19 anos fora da Série A1, como é chamada a primeira divisão paulista.
Os caminhos
Em Curitiba, a SAF (NexPlay) do Paraná Clube, assumiu com R$ 240 milhões em dívidas e conseguiu promover um equilíbrio capaz de reconquistar e até ampliar a presença da sua torcida que lotou os estádios, acreditando no futuro sustentável do terceiro clube da capital paranaense, sempre ofuscado pelas super forças da Athletico e Coritiba.
Roteiro semelhante foi traçado pelo Juventus paulista onde estão previstos investimentos de longo prazo que chegam aos R$ 500 milhões a serem aplicados na recuperação financeira e modernização da estrutura do clube. A reforma do tradicional estádio da Rua Javari, que será modernizado e terá capacidade ampliada, tem o comando da “P&P Sport Management”.
Os exemplos de Curitiba e São Paulo reforçam a tendência necessária ao futebol brasileiro exigindo planejamento de longo prazo, governança, profissionalização da gestão e capacidade de investimento. Tudo isso direcionado ao tão propalado e necessário desenvolvimento sustentável, também no futebol.
Diferente de lá…
Pena que os exemplos do Paraná e Juventus são pouco espelháveis para a necessidade catarinense. Por aqui (e disso vou tratar brevemente) a história é diferente. Vivemos num estado sem uma grande concentração populacional para dar sustentação à grandes investimentos e (felizmente) com uma distribuição econômica que nos torna um Estado de raro e magnífico exemplo. Mas sem uma ou mais cidades com a qualificação de “metrópole” ficamos à mercê de muitas ajudas e poucas apostas financeiras. E não é só no futebol. No esporte de alto rendimento, qualquer modalidade só consegue sobreviver com recursos públicos, quase sempre desviados das suas reais necessidades sociais como educação, saúde, transporte e segurança. E quase sempre com um foco politiqueiro.
