Inflação volta a pressionar e IPCA-15 chega a 4,47% em 12 meses
Prévia da inflação oficial sobe 0,70% em setembro, após deflação de 0,40% em agosto, e encosta no teto de 4,5% do intervalo da meta.

A inflação voltou a pressionar a economia brasileira em setembro.
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,70% no mês, depois de uma deflação de 0,40% em agosto.
Com o resultado, o índice acumula 3,82% em 2026 e chega a 4,47% nos últimos 12 meses. Em agosto, o acumulado em 12 meses estava em 4,24%.
O número chama atenção porque está praticamente no limite superior do intervalo estabelecido para a inflação.
A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Isso significa que o intervalo permitido vai de 1,5% a 4,5%.
Com o IPCA-15 em 4,47% nos últimos 12 meses, a prévia da inflação ficou a apenas 0,03 ponto percentual do teto da banda.
O movimento de setembro também representa uma forte reversão em relação ao mês anterior.
Depois da queda de 0,40% registrada em agosto, a inflação voltou para terreno positivo com intensidade.
Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta em setembro.
O maior impacto veio de Habitação, que avançou 2,07% no mês e respondeu por 0,31 ponto percentual do resultado geral.
A principal explicação foi o fim do efeito do bônus de Itaipu, que havia reduzido temporariamente as contas de energia elétrica no mês anterior.
Isso ajuda a explicar parte importante da aceleração.
Mas o resultado não deixa de trazer uma preocupação maior.
O Brasil continua convivendo com uma política monetária bastante restritiva.
A taxa Selic está em 13,75% ao ano, mesmo depois de cinco cortes consecutivos promovidos pelo Comitê de Política Monetária.
Juros nesse patamar têm justamente o objetivo de reduzir a demanda, desacelerar a atividade quando necessário e criar condições para que a inflação volte em direção à meta.
Mesmo assim, a prévia da inflação em 12 meses voltou a se aproximar do teto permitido.
É aí que aparece o desafio.
O Banco Central precisa equilibrar duas necessidades.
De um lado, existe pressão para continuar reduzindo os juros e aliviar o custo do crédito para famílias e empresas.
Do outro, uma inflação ainda resistente limita o espaço para acelerar esse processo.
Quanto mais a inflação se aproxima ou ultrapassa o teto da meta, maior tende a ser a cautela da autoridade monetária.
Isso afeta diretamente empresas e consumidores.
Juros elevados encarecem financiamentos, empréstimos, capital de giro, crédito imobiliário, compras parceladas e investimentos.
Mas reduzir juros de forma mais rápida em um ambiente inflacionário ainda pressionado pode criar novos riscos para os preços.
É exatamente essa equação que o Banco Central precisará acompanhar nas próximas reuniões.
O resultado de setembro também reforça a importância de separar movimentos pontuais de tendências mais persistentes.
Parte expressiva da alta veio da energia elétrica e do efeito estatístico provocado pelo encerramento do bônus de Itaipu.
Mas o que realmente importará nos próximos meses será saber se a inflação voltará a perder força ou se continuará próxima do limite superior da meta.
O próximo IPCA fechado será ainda mais importante para confirmar ou não esse movimento.
Até agora, o dado oficial mais recente do IPCA é de agosto, quando houve deflação de 0,32% e inflação acumulada de 4,22% em 12 meses.
A fotografia oferecida pelo IPCA-15 de setembro, entretanto, acende um sinal de atenção.
0,70% no mês.
4,47% em 12 meses.
Apenas 0,03 ponto percentual abaixo do teto da meta.
Depois de meses de juros elevados, a inflação continua exigindo cuidado.
E isso significa que o caminho para juros significativamente menores pode ser mais difícil enquanto os preços não demonstrarem uma trajetória mais consistente de convergência para o centro da meta.
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