JBS aposta nos jovens para enfrentar um dos grandes desafios do agro: a sucessão familiar

Programa Jovem SuperAgro prepara filhos de produtores para assumir a gestão das propriedades e coloca capacitação, tecnologia e empreendedorismo no centro da continuidade dos negócios rurais.

Imagem gerada por IA

O agronegócio brasileiro possui um desafio que vai muito além de produtividade, tecnologia, mercados ou preços.

Quem vai assumir a propriedade quando a atual geração deixar o comando?

A JBS, por meio da Seara, decidiu enfrentar diretamente essa questão com a criação do Jovem SuperAgro, programa de empreendedorismo voltado à sucessão familiar no campo.

A iniciativa prepara produtores rurais com idade entre 18 e 30 anos para assumir gradativamente a gestão de granjas integradas à Seara. A proposta combina conhecimento técnico com gestão, tecnologia, liderança e desenvolvimento das habilidades necessárias para administrar uma propriedade rural cada vez mais profissionalizada.

A primeira edição reúne 60 jovens produtores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

O programa terá duração de 18 meses, em formato híbrido, com nove módulos elaborados pela Seara em parceria com o Sebrae. A formação inclui teoria, atividades práticas e mentorias especializadas.

Entre os assuntos trabalhados estão tecnologia aplicada ao agronegócio, sustentabilidade, gestão estratégica, liderança, negociação, comunicação e autoconhecimento.

A proposta toca em uma questão fundamental para o futuro do campo.

Durante décadas, a transferência de uma propriedade rural de pais para filhos ocorreu muitas vezes de maneira natural. Uma geração trabalhava, os filhos aprendiam acompanhando a família e, em determinado momento, assumiam a atividade.

O agronegócio mudou.

Uma propriedade rural moderna é também uma empresa.

Existem investimentos, financiamentos, custos, margens, indicadores de produtividade, tecnologia, automação, exigências sanitárias e ambientais e decisões que podem determinar a viabilidade econômica do negócio.

Por isso, herdar uma propriedade não significa necessariamente estar preparado para administrá-la.

É justamente nesse ponto que o Jovem SuperAgro procura atuar.

A própria Seara considera a sucessão familiar um dos principais desafios do agronegócio e avalia que o processo ainda ocorre, muitas vezes, sem planejamento suficiente. A intenção é preparar o jovem antes que ele efetivamente tenha de assumir o comando.

Existe ainda outro componente importante: aproximar a nova geração de uma atividade rural profundamente transformada pela tecnologia.

Hoje é possível acompanhar pelo celular indicadores fundamentais da produção, utilizar processos automatizados e administrar uma propriedade com ferramentas que pouco se parecem com aquelas disponíveis às gerações anteriores.

Mostrar essa realidade também pode contribuir para que o jovem enxergue no campo não apenas a continuidade do trabalho dos pais, mas uma oportunidade profissional e empresarial para construir o próprio futuro.

O desafio é particularmente importante para Santa Catarina.

Dos mais de 321 mil produtores rurais ativos registrados no Estado, apenas um em cada dez apresenta indícios de continuidade familiar, considerando filhos já vinculados à atividade nos cadastros oficiais, segundo levantamento do Sebrae-SC baseado em informações da Secretaria de Estado da Fazenda.

É um dado que merece atenção.

Sem sucessores, propriedades construídas durante décadas podem perder continuidade. E o impacto não fica restrito à família.

A sucessão rural está relacionada à manutenção da produção, da renda, dos negócios locais e da atividade econômica de centenas de pequenos municípios cuja estrutura depende fortemente do agronegócio.

O problema também possui dimensão nacional.

O último Censo Agropecuário contabilizou cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários e 15,1 milhões de pessoas ocupadas no campo, sendo 77% dos estabelecimentos classificados como agricultura familiar. Entre 2010 e 2022, segundo os dados destacados pela JBS, a população residente nas áreas rurais brasileiras diminuiu em aproximadamente 4,3 milhões de pessoas.

Preparar uma nova geração, portanto, não significa simplesmente convencer filhos a permanecer na propriedade dos pais.

Significa criar condições para que permanecer no campo seja uma escolha profissional economicamente viável.

E existe um aspecto interessante no modelo adotado pela Seara.

O processo não envolve apenas os jovens.

Já no primeiro módulo, pais e filhos participam juntos das atividades, procurando aproximar a experiência acumulada por quem construiu o negócio da visão e dos conhecimentos da geração que poderá assumir sua continuidade.

O Jovem SuperAgro integra uma estrutura maior da companhia.

O programa faz parte da plataforma SuperAgro, criada há mais de uma década para o relacionamento da Seara com produtores integrados de aves e suínos. A plataforma reúne acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades. A JBS informa ter investido mais de R$ 4 bilhões nessa estrutura ao longo dos últimos dez anos.

A empresa também desenvolve o Mulheres SuperAgro, voltado ao empreendedorismo feminino no campo. Somadas as turmas desse programa e do Jovem SuperAgro, mais de 120 mulheres e jovens já participaram das iniciativas de formação empresarial da companhia.

O Jovem SuperAgro parte, portanto, de uma constatação simples, mas decisiva.

Não basta modernizar as propriedades. É preciso preparar quem vai administrá-las no futuro.

Máquinas podem ser substituídas.

Tecnologias podem ser atualizadas.

Granjas podem ser ampliadas.

Mas uma atividade construída por uma família durante décadas somente continuará para a geração seguinte se existir alguém disposto — e preparado — para assumir a responsabilidade.

Nesse sentido, sucessão familiar não é apenas uma questão de herança.

É uma questão de formação, planejamento e continuidade.

Ao preparar jovens para administrar propriedades como verdadeiros negócios, a iniciativa da JBS e da Seara enfrenta um dos desafios que definirão o futuro do agronegócio brasileiro: fazer com que a próxima geração não seja apenas herdeira da terra, mas esteja preparada para ser gestora do negócio e protagonista da próxima etapa do campo brasileiro.

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