A pergunta que precisa ser feita aos candidatos: qual é o plano para milhões de brasileiros viverem da própria renda?

Cerca de 20 milhões de famílias dependem do Bolsa Família; mais do que discutir o benefício, candidatos deveriam explicar objetivamente como pretendem criar condições para que essas pessoas conquistem autonomia econômica.

Os grandes problemas brasileiros são conhecidos. Juros, educação, saúde, segurança, saneamento básico, carga tributária, infraestrutura, equilíbrio fiscal, desigualdade e tantos outros estão diariamente no noticiário e nos discursos políticos.

Repeti-los mais uma vez seria tomar o precioso tempo do leitor.

Há, entretanto, uma pergunta muito mais direta que deveria estar no centro da campanha presidencial:

Qual é o plano dos candidatos para criar condições para que milhões de brasileiros possam viver dignamente com sua própria renda?

Em agosto de 2026, cerca de 19,3 milhões de famílias brasileiras recebiam o Bolsa Família. Estamos falando de aproximadamente 50 milhões de pessoas alcançadas pelo principal programa de transferência de renda do país.

Não está em discussão a necessidade do programa. Enquanto existirem famílias sem renda suficiente para garantir suas necessidades básicas, o Estado deve protegê-las. A questão é saber o que será feito para que, progressivamente, essas pessoas possam conquistar renda própria e não precisem mais dessa proteção.

É aí que deveria começar uma discussão muito mais profunda nesta eleição.

Quem pretende governar o Brasil pelos próximos quatro anos precisa explicar, de maneira objetiva e de fácil compreensão, qual é o seu projeto para mudar essa realidade.

Não basta dizer que vai gerar empregos, melhorar a educação, estimular a economia ou combater a pobreza. São objetivos importantes, mas genéricos e repetidos há décadas.

É preciso explicar como.

Como transformar crescimento econômico em oportunidades para quem hoje está fora do mercado de trabalho?

Como qualificar milhões de brasileiros para ocupações que efetivamente ofereçam emprego e renda?

Como aproximar educação profissional das vagas que as empresas precisam preencher?

Como estimular pequenos negócios e o empreendedorismo entre as famílias de menor renda?

Como criar oportunidades nas regiões onde emprego formal e atividade econômica são mais escassos?

Como impedir que filhos de famílias dependentes de programas sociais cheguem à vida adulta encontrando as mesmas dificuldades enfrentadas por seus pais?

E existe uma pergunta ainda mais objetiva:

Ao final de quatro anos de governo, quantas dessas famílias o candidato espera que tenham conquistado renda suficiente para viver sem depender do Bolsa Família?

Não por exclusão administrativa do programa. Não porque o benefício foi cortado. Mas porque a renda da família aumentou, alguém conseguiu emprego, abriu um negócio, adquiriu uma profissão ou encontrou condições para melhorar efetivamente de vida.

Essa seria uma meta social que o país poderia compreender, acompanhar e cobrar.

Se hoje aproximadamente 20 milhões de famílias precisam do programa, onde queremos estar daqui a quatro anos?

E qual é o caminho para chegar lá?

Talvez essas perguntas também precisem ser dirigidas a quem conduz o debate público.

Durante uma campanha presidencial, candidatos participam de entrevistas, sabatinas, debates e programas jornalísticos. Falam sobre alianças, pesquisas eleitorais, declarações de adversários, estratégias de campanha e acontecimentos políticos do dia.

Tudo isso faz parte da cobertura eleitoral.

Mas a mídia também pode ajudar a colocar no centro da eleição questões que dizem respeito diretamente ao futuro da população.

Qual é sua proposta concreta para reduzir a dependência econômica de milhões de famílias brasileiras?

Quais são as metas?

Qual é o prazo?

Como serão medidas?

E, quatro anos depois, será possível verificar se aquilo que foi prometido efetivamente aconteceu.

O Brasil possui recursos naturais, produção agrícola altamente competitiva, indústria, tecnologia, serviços, capacidade empreendedora e uma das maiores economias do mundo. Diante desse potencial, oferecer condições para que cada cidadão possa buscar uma vida digna por meio de sua renda não deveria ser uma aspiração distante.

Deveria ser um dos principais objetivos nacionais.

Programas sociais são necessários para proteger quem precisa deles.

Mas a grande conquista de um país não é aumentar permanentemente o número de pessoas que precisam de auxílio. É criar condições para que cada vez mais famílias possam dizer: agora conseguimos caminhar com nossa própria renda.

Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes desta campanha ainda esteja esperando uma resposta objetiva.

Candidatos à Presidência: qual é o plano?

E à imprensa que os entrevista fica outra:

por que não perguntar — e insistir até obter uma resposta concreta?

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