Entre agressões e aplausos, escolhemos continuar fazendo jornalismo

Elogios e ataques mudam conforme os números favorecem ou contrariam preferências políticas, mas a verdade não pode depender do lado de quem lê

Não gostaríamos de escrever sobre este assunto, mas, em determinados momentos, o silêncio também pode ser interpretado como conformismo.

O DMA Notícias nasceu como um pequeno portal, movido por um propósito muito claro: fazer jornalismo com seriedade, equilíbrio e respeito aos fatos. Não temos a pretensão de sermos donos da verdade, mas temos a obrigação de buscá-la todos os dias, mesmo quando ela desagrada uma parte dos leitores.

Vivemos um período em que grande parte do debate público deixou de ser conduzida pela análise e passou a ser dominada pela militância. Muitas pessoas já não avaliam uma informação pelo seu conteúdo, pela fonte ou pela metodologia. Avaliam apenas se aquela notícia beneficia ou prejudica o campo político com o qual se identificam.

A opinião foi substituída, em muitos casos, pela torcida.

Nos últimos meses, este portal publicou mais de 170 pesquisas eleitorais, realizadas por diferentes institutos, em diversos estados e também no cenário nacional. Em todas elas, seguimos o mesmo procedimento: apresentamos os números, explicamos a margem de erro, informamos a metodologia e publicamos os registros legais dos levantamentos.

Não fazemos juízo de valor sobre quem está na frente ou atrás. Não comemoramos resultados e não lamentamos percentuais. Apenas informamos.

As reações, porém, revelam muito sobre o momento que vivemos.

Quando determinada pesquisa mostra um candidato na liderança, seus apoiadores escrevem: “Está eleito”, “Vai ganhar no primeiro turno” ou “Parabéns, isso é jornalismo”.

Os simpatizantes de quem aparece atrás seguem outro caminho: “É fake”, “Mentiroso”, “Tinha que ser gado” ou “Conta outra, jumento”.

Dias depois, quando uma nova pesquisa apresenta resultado diferente, as posições se invertem. Quem elogiava passa a atacar. Quem atacava passa a reconhecer. O trabalho é exatamente o mesmo. O que mudou foi apenas o nome que apareceu na frente.

Entre aplausos e agressões, fica evidente que, para uma parcela da sociedade, a notícia somente é considerada verdadeira quando confirma aquilo em que ela já acredita.

Seria mais fácil escolher um lado. Talvez fosse até mais vantajoso. Teríamos o apoio permanente de uma parcela do público, cresceríamos com maior rapidez e receberíamos aplausos previsíveis de quem desejasse apenas ouvir aquilo que pensa.

Mas, se fizéssemos isso, perderíamos o sentido do projeto.

O jornalismo não pode existir para agradar torcidas. Não pode selecionar números, esconder pesquisas ou alterar a forma de apresentar os fatos de acordo com o resultado. A credibilidade não se constrói agradando leitores em um dia e omitindo informações no outro.

Escolhemos um caminho mais difícil.

Continuaremos publicando pesquisas não importando o nível das eleições e quem sejam os candidatos. O critério será sempre o mesmo: existência da pesquisa, metodologia informada, registro legal e interesse público.

Quem procura apenas confirmação para suas preferências talvez se decepcione conosco muitas vezes. Quem procura informação encontrará sempre o mesmo compromisso.

Não queremos leitores sem opinião. Pelo contrário. Defendemos que cada cidadão tenha suas convicções, faça suas escolhas e participe ativamente da democracia. O que não podemos aceitar é que a discordância seja transformada em ofensa e que o mensageiro seja atacado apenas porque a mensagem não agradou.

Um portal de notícias não existe para eleger candidatos, proteger governos ou destruir adversários. Existe para informar a sociedade.

O DMA Notícias poderia crescer por atalhos, aderindo a um campo político e oferecendo diariamente o conteúdo que sua torcida deseja consumir. Mas crescimento sem princípios não representa sucesso. Representa apenas a perda daquilo que motivou o nascimento deste projeto.

Nossa convicção está acima dos aplausos momentâneos e das agressões passageiras.

Seguiremos cometendo erros, como qualquer veículo formado por pessoas, mas jamais aceitaremos que a conveniência substitua a honestidade editorial. Quando errarmos, corrigiremos. Quando acertarmos, não esperaremos reconhecimento. E, quando os fatos desagradarem, ainda assim serão publicados.

O jornalismo já foi motivo de orgulho e admiração para milhões de pessoas. Resgatar essa confiança é uma tarefa difícil, talvez lenta, mas necessária.

Nossa contribuição pode ser pequena. Nosso compromisso, não.

Entre agressões e aplausos, escolhemos continuar fazendo jornalismo.

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