O pacote de bondades continua. Quem paga a conta?

Perdão de dívidas de MEIs e promessa de auxílio universitário ampliam a lista de anúncios na reta final da campanha, enquanto o orçamento federal permanece deficitário.

Imagem gerada por IA

O pacote de bondades eleitorais continua crescendo. Nesta terça-feira, 13 de outubro, a 12 dias do segundo turno, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas para microempreendedores e prometeu ampliar o Pé-de-Meia para universitários. Os benefícios recebem destaque. A capacidade de financiá-los precisa receber a mesma atenção.

As contas públicas já estão no vermelho. Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central acumulou déficit primário de R$ 94,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. Isso significa que as receitas ficaram abaixo das despesas antes mesmo de considerar o pagamento dos juros da dívida. É sobre esse orçamento que chegam novas promessas.

Para os MEIs, o governo propõe perdoar R$ 12,6 bilhões em débitos com a União, alcançando aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores. A iniciativa depende de aprovação do Congresso Nacional. Por enquanto, portanto, é uma proposta, com previsão de aplicação a partir de 2027. O valor anunciado corresponde aos créditos que seriam cancelados; o efeito sobre a arrecadação depende de quanto seria efetivamente recuperado.

No Pé-de-Meia universitário, Lula prometeu, caso seja reeleito, auxílio mensal de R$ 700 durante dez meses e depósitos anuais de R$ 2.500, a serem resgatados após a conclusão do curso. Segundo Camilo Santana, coordenador da campanha, os recursos viriam do Fundo Social do Petróleo.

Indicar um fundo não faz o custo desaparecer. O dinheiro continua sendo público. Destiná-lo a um novo programa exige demonstrar quanto está disponível, quais compromissos já existem e como os pagamentos serão sustentados nos próximos anos.

Na avaliação deste portal, a sucessão de anúncios na reta final tem evidente caráter eleitoral. O presidente disputa votos enquanto utiliza a posição de governante para apresentar benefícios a diferentes segmentos. O eleitor recebe a promessa agora; o orçamento terá de acomodá-la depois.

Ajudar estudantes e pequenos empreendedores pode ser uma decisão legítima. Mas governar exige explicar como essa ajuda será financiada. Uma política pública precisa sobreviver ao encerramento da campanha e à chegada das despesas.

Sem compensações por redução de outros gastos ou receitas adicionais, novas despesas pressionam o déficit e a dívida. Se a solução escolhida for elevar impostos, o contribuinte paga diretamente. Se for ampliar o endividamento, a obrigação permanece e ainda carrega juros. Se houver remanejamento, outra prioridade perde espaço. Nenhuma dessas escolhas sai de graça.

É fácil anunciar o benefício diante das câmeras. Mais difícil é apresentar a conta completa: custo, duração, fonte de recursos e consequências para o restante do orçamento. Essa explicação também deveria fazer parte da campanha.

A eleição termina em 25 de outubro. Os compromissos financeiros continuam. O cidadão merece saber o que está sendo prometido em seu nome — e quanto poderá pagar por isso.

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