Perspectiva Política: a leitura da última semana de campanha

As tendências para o Governo de Santa Catarina, o Senado e a Presidência, a corrida de mais de 600 candidatos por 56 vagas e uma declaração constrangedora sobre corrupção marcam esta edição.

A leitura da reta final

Imagem gerada por IA

Faltando uma semana para as eleições, a coluna registra sua leitura do cenário. Salvo algum acontecimento de forte impacto e ampla repercussão nestes últimos dias, as principais disputas parecem encaminhadas, embora somente as urnas possam transformar tendências em resultados.

Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello deve conquistar a reeleição ainda no primeiro turno. As pesquisas apresentam diferenças nos percentuais, mas convergem ao mostrar o atual governador com ampla vantagem sobre os adversários e acima da maioria dos votos válidos.

Para o Senado, a disputa permanece aberta. Carol de Toni, Esperidião Amin e Carlos Bolsonaro chegam à reta final como os nomes mais competitivos e deverão disputar voto a voto as duas cadeiras destinadas a Santa Catarina. Entre os três, qualquer definição antecipada seria precipitada.

No cenário nacional, a eleição presidencial deverá avançar para o segundo turno. Lula e Flávio Bolsonaro concentram a preferência do eleitorado e, mantidas as tendências atuais, disputarão quem assumirá a Presidência da República no mandato que começa em 1º de janeiro de 2027. Esta é a fotografia de hoje. A definitiva será revelada pelo eleitor.


Mais de 600 candidatos por 56 vagas

Na última semana de campanha, o movimento dos candidatos às eleições proporcionais se intensifica em Santa Catarina. Mais de 400 postulantes disputam as 40 cadeiras da Assembleia Legislativa, enquanto aproximadamente 230 concorrem às 16 vagas destinadas ao estado na Câmara dos Deputados. Ao todo, são mais de 600 candidatos em busca de apenas 56 mandatos.

Material de campanha nas ruas, adesivos em veículos, distribuição de santinhos, contato direto com os eleitores, anúncios em veículos de comunicação, entrevistas e, principalmente, presença nas redes sociais fazem parte dessa corrida. As campanhas estão cada vez mais profissionalizadas, e todos os meios disponíveis são utilizados para conquistar atenção e votos.

Nas eleições proporcionais, entretanto, a votação individual não define sozinha quem será eleito. Os votos dados aos candidatos e às legendas são somados para estabelecer quantas cadeiras cada partido ou federação conquistará. Somente depois as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo, respeitadas as exigências legais de desempenho. Por isso, nem sempre os candidatos mais votados no conjunto geral ocuparão as cadeiras. Em uma disputa tão numerosa, o desempenho da legenda será tão importante quanto a votação pessoal.


Credibilidade no fundo do poço

Há muito tempo a credibilidade da classe política brasileira está em xeque. Escândalos sucessivos, desperdícios, privilégios e casos de corrupção contribuíram para ampliar o distanciamento entre os representantes públicos e a sociedade. Mas sempre existe espaço para piorar.

Durante um debate entre candidatos ao Senado por São Paulo, a ex-senadora e ex-ministra Simone Tebet afirmou que a classe política precisa “ter vergonha na cara, roubar menos e combater desperdícios e privilégios”. A resposta do candidato Guilherme Derrite foi imediata: “A classe política não tem que roubar menos. A classe política não pode roubar de jeito nenhum.”

Derrite apenas afirmou o que deveria ser evidente. Para o cidadão que trabalha, paga impostos e sustenta a estrutura pública, é constrangedor ouvir uma candidata ao Senado tratar a corrupção como se fosse uma questão de quantidade. Não se espera que os políticos roubem menos. Exige-se que não roubem. Enquanto essa diferença ainda precisar ser explicada, a recuperação da credibilidade continuará distante.

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