As exageradas concessões

Ao longo do tempo em que acompanhei o processo de criação e aplicação das normas que criaram o atual protocolo de ação nos jogos nacionais e estaduais, sempre defendi – e continuo defendendo – a concessão de vantagens a quem serve ao futebol e não àqueles que dele se servem. Assim, as televisões detentoras dos direitos de transmissões, não importa quem seja, devem ter prioridades nos momentos mais importantes do evento que cobrem.
Aliás antes mesmo de a CBF instituir a sua normatização, o Clube Athletico Paranaense já havia instituído a prioridade de entrevistas ao final de cada jogo. Um determinado atleta falava apenas para as detentoras de direitos, em transmissão. Um pouco diferente da Fifa que também usava o método, mas mediante pagamento.
Com o passar do tempo as normas foram se modificando, nem sempre se aperfeiçoando, até chegar a alguns exageros que estão ocorrendo hoje.
Mas quero tratar agora de uma facilidade concedida pela CBF às detentoras, da qual discordo e contra ela já me indispus. Logo, ela não é nenhuma novidade pois já faz tempo que sai de cena.
O fatos
As televisões estão se valendo desta regalia e instalando microfones ao lado dos espaços reservados para jogadores reservas e suas comissões técnicas. Logo, captam as manifestações dos que ali estão com o agravante de divulgar as orientações passadas aos jogadores. Para piorar, agora os equipamentos já estão sendo inseridos em meio aos atletas e treinadores, quando das chapadas paradas técnicas.
Outro dia, revoltado com um momento do jogo, o irrequieto e competente técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, bateu um tiro de meta com um desses microfones, limpando a sua área de trabalho. Foi denunciado ao Superior Tribunal da Justiça Desportiva, como se tivesse agredido um adversário. Punido com suspensão de dois jogos, em seguida teve concedido um efeito suspensivo, em mais uma peça teatral do STJD.
Desconheço os motivos que levaram Abel ao certeiro chute, mas aprovo a sua manifestação. A exagerada concessão não agrega nada à transmissão e muito menos ao futebol.
O que faz é colocar em risco o trabalho de um profissional (treinador), que não raras vezes precisa usar de estratégias táticas para superar o time contrário e o faz através da comunicação verbal. E o que deveria ser sigiloso, está servindo de “ponto de comunicação” para comentaristas e narradores alimentarem os adversários.
