Eu já acompanhava Léo Corvo pelas redes sociais, por indicação do meu amigo Marcelo Neto, hoje ligado à Abrasel Nacional e morando em São Paulo. Quando soube que Léo estava em Florianópolis, recomendei a ele o Nakaixa Sushi, do chef Mateus Proença. Ele me disse que iria almoçar ali, por indicação de Marcelo Mussi, cliente habitual da casa.

Entre um compromisso profissional e outro, fui ao Nakaixa no horário do almoço para encontrar Léo e dar-lhe um abraço. Ele estava com Marcelo Mussi e o chef Fred Barroso, amigos seus de longa data. Mussi, sócio-proprietário e chef do Pinocchio, tem formação no Le Cordon Bleu, em Paris, e trajetória profissional que inclui o Ritz Paris, a Lenôtre e experiências na Itália e na Espanha. Fred Barroso é chef de trajetória familiar ligada ao Le Vin. Filho de Francisco Barroso e Nancy Mattos, fundadores do grupo, começou aos 17 anos como ajudante de cozinha, estudou gastronomia e passou mais de um ano em Florença.

No Nakaixa, eu, Léo, Mussi, Fred Barroso e Mateus Proença conversamos longamente sobre cozinha de produto e sobre o papel da crítica gastronômica. Léo estava ali para conhecer o trabalho de Mateus e provou sushis, nigiris e preparações de inspiração izakaya. A cozinha do chef chamou sua atenção. Pedi um missoshiru especial, preparado com caldo muito quente, no qual Mateus colocou uma ostra recém-aberta para cozinhar levemente e liberar seus sabores. Estava realmente maravilhoso. Também pedi o Mar de Floripa, composto por sushis e nigiris com peixes locais.

No Nakaixa, Mussi tomou a iniciativa de nos convidar para jantar naquela noite no Pinocchio. Quando comentei com Léo que ainda não conhecia a casa, ele reforçou a recomendação de Mussi e disse que eu deveria ir. Naquela noite, conforme combinado, fomos ao Pinocchio Cucina.

Léo também passou pela Marisqueira Sintra, da chef Andreia de Paula, e pelo Raro, do chef Narbal Corrêa, pescador e caçador submarino. No Sintra, gravou um vídeo mostrando como aprendeu que se deve comer o bolinho de bacalhau: desmanchado com o garfo, regado com azeite e temperado com molho de pimenta. No Raro, ficou particularmente bem impressionado com o trabalho de Narbal. Também esteve no Box 32, no Mercado Público de Florianópolis, onde foi recebido por Rômulo Barreiros, chef de cozinha e filho de Beto Barreiros, que estava viajando pela Europa. Criado por Beto em 1984, o Box 32 tornou-se um dos endereços mais tradicionais do Mercado Público.

Hospedado no Majestic Palace Hotel, Léo conheceu também o Gran Cigar Lounge, no térreo do hotel, dedicado aos charutos e aos bons drinks.

Publicitário, Léo criou o Não Tem Chef, projeto de conteúdo gastronômico que ganhou notoriedade nas redes sociais por seus comentários diretos sobre restaurantes, comida e serviço. Já visitou mais de 5 mil restaurantes e bares e não se apresenta como crítico gastronômico convencional. Seu trabalho está mais próximo do entretenimento gastronômico. O próprio Léo diz que uma das coisas mais importantes que o projeto lhe proporcionou foi a aproximação com cozinheiros e chefs. Marcelo Mussi está entre eles, e a relação dos dois já se transformou em amizade.

No Pinocchio, estavam à mesa Marcelo Mussi, sua mulher, Anna Laura Bertozzi Mussi, e sua cunhada, Victória Bertozzi Laude; a chef Andreia de Paula, da Marisqueira Sintra, acompanhada do marido, Eduardo Pereira; o chef Fred Barroso; Léo Corvo; eu e minha esposa, Tina Bristot. Era uma mesa de pessoas que compartilham o gosto pela boa gastronomia, pela qualidade dos ingredientes e pelo prazer de comer bem.

Jantamos na varanda do restaurante, com vista espetacular para a orla da Baía Norte. Além da qualidade das massas que provamos, do nhoque, do arroz de pato e de outras preparações, não dava para negar a qualidade dos ingredientes e a habilidade de Mussi com os molhos. A cozinha do Pinocchio é uma cozinha de produto: não há nada mais ou menos. Tudo é de procedência e de altíssima qualidade. E, nos molhos, Mussi demonstra domínio particularmente refinado. É realmente um saucier de primeira linha.

Durante o jantar, presenteei Léo com um rótulo do lagar Quinta do Vienzo, o Blend em garrafa de cerâmica. Abrimos ali mesmo para a degustação de todos. O frescor chamou imediatamente a atenção. Era azeite da safra deste ano, ainda muito vivo, com notas verdes marcantes, entre elas a de grama recém-cortada.

A Quinta do Vienzo fica em Rancho Queimado, aos pés da Serra Catarinense, e foi pioneira no plantio e no processamento de azeite de oliva extravirgem em Santa Catarina. O projeto de Jester e Patrícia Macedo começou em 2011 e teve a primeira safra comercial em 2019. Hoje, mantém olival próprio e lagar junto às oliveiras, permitindo que as azeitonas sejam processadas pouco depois da colheita. A produção já conquistou reconhecimento internacional e segue ampliando a presença do azeite catarinense em competições especializadas.

Léo tinha razão ao elogiar o Pinocchio. Gostei muito da casa, da cozinha de Mussi e da qualidade dos ingredientes, tratados com o cuidado que define o restaurante. É uma casa à qual certamente voltarei.

Ficou bastante claro que Léo Corvo voltará a Florianópolis. Gostou muito do que encontrou na gastronomia da cidade e tem aqui dois de seus grandes amigos, Marcelo Mussi e Fred Barroso, que estão frequentemente por perto.

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