Brasil, 204 anos: um país grandioso que ainda precisa cumprir sua promessa

No aniversário da Independência, celebramos nossas riquezas, nossa diversidade e nosso povo, mas também renovamos a cobrança por um país capaz de transformar seu enorme potencial em qualidade de vida

Hoje segunda-feira, 7 de setembro, o Brasil completa 204 anos de sua Independência.

É uma data para olhar nossa bandeira com orgulho, mas também para olhar o país com sinceridade.

O Brasil é uma nação extraordinária.

Poucos países receberam da natureza tamanha abundância. Temos dimensões continentais, água, terras produtivas, minérios, energia, florestas, enorme potencial agrícola, indústria diversificada e algumas das paisagens mais bonitas do planeta.

Mas nossa maior riqueza está nas pessoas.

O Brasil nasceu da mistura de povos originários, africanos, europeus, asiáticos, árabes e tantas outras culturas que ajudaram a construir nossa identidade.

Dessa miscigenação nasceu um povo alegre, acolhedor, criativo e, principalmente, trabalhador.

É o brasileiro que levanta cedo, enfrenta dificuldades, produz, empreende, estuda, cria seus filhos e continua acreditando que amanhã poderá ser melhor.

É esse Brasil que merece ser homenageado.

Mas uma homenagem verdadeira não pode esconder aquilo que ainda precisamos mudar.

Depois de 204 anos de Independência, convivemos com problemas incompatíveis com as riquezas e o potencial do país.

Ainda existem milhões de brasileiros sem saneamento adequado, famílias vivendo com renda insuficiente, deficiências na educação e na saúde, violência, infraestrutura precária, empresas enfrentando custos e burocracia excessivos e um Estado permanentemente pressionado por dificuldades fiscais.

Talvez nossa maior frustração seja justamente esta:

sabemos o tamanho do Brasil que poderíamos ser.

Durante décadas, governos de diferentes partidos passaram pelo poder. Houve avanços, acertos e conquistas importantes, mas também erros, desperdícios e decisões que ajudaram a perpetuar problemas que atravessam gerações.

E o brasileiro continua pagando a conta.

Paga impostos elevados e espera serviços públicos melhores.

Trabalha e muitas vezes não consegue viver com a tranquilidade que seu esforço deveria proporcionar.

Empreende, gera empregos e enfrenta enormes dificuldades para manter seu negócio funcionando.

Estuda esperando encontrar oportunidades.

Cria seus filhos desejando entregar a eles um país melhor.

Não é pedir demais.

É exatamente por isso que nossas autoridades precisam compreender que exercer um cargo público não significa conquistar um privilégio.

Significa assumir uma responsabilidade.

O Brasil precisa de governantes que pensem menos na próxima eleição e mais na próxima geração.

Que coloquem o interesse público acima dos interesses pessoais, partidários ou eleitorais.

Que tratem o dinheiro público como aquilo que ele realmente é: dinheiro do povo.

E talvez o 7 de Setembro seja também um bom momento para lembrarmos que o Brasil não pertence à direita nem à esquerda.

A bandeira brasileira não pertence a nenhum partido.

Podemos pensar diferente, votar diferente e defender caminhos diferentes.

Mas deveria existir algo capaz de nos unir acima dessas diferenças:

o desejo de construir um Brasil melhor.

Um país em que trabalhar permita viver com dignidade, estudar represente oportunidade, empreender seja valorizado, a lei seja aplicada igualmente e cada criança possa acreditar que seu futuro dependerá muito mais de seu esforço do que do lugar onde nasceu.

Essa talvez seja a independência que ainda precisamos conquistar.

A independência da pobreza.

Da violência.

Da ignorância.

Da corrupção.

Da irresponsabilidade política.

E, principalmente, da falta de esperança.

Neste 7 de Setembro, temos motivos para celebrar.

Somos um país extraordinário, construído por um povo que já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de superar dificuldades.

Mas patriotismo não significa ignorar nossos problemas.

Amar o Brasil também é querer transformá-lo.

Depois de 204 anos, nosso maior desafio talvez seja finalmente aproximar o país que temos daquele que sabemos que podemos construir.

O Brasil merece mais.

Seu povo merece mais.

E nossas autoridades precisam compreender que fazer esse Brasil acontecer não é um favor.

É a responsabilidade que receberam do próprio povo.

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