O Brasil não pode inviabilizar quem gera riqueza

Reforma tributária, reoneração da folha e possível redução da jornada colocam 2027 no radar de empresários e exigem uma pergunta objetiva: até onde as empresas conseguem absorver novos custos?

O ano de 2027 poderá ser determinante para milhares de empresários e empreendedores brasileiros.

Não importa se estamos falando de uma grande indústria, uma rede varejista, um restaurante, uma transportadora ou uma pequena empresa familiar.

Existem mudanças importantes chegando.

E talvez esteja na hora de o Brasil fazer uma pergunta que frequentemente fica em segundo plano:

até quando quem produz, investe e emprega conseguirá absorver novos custos?

Vamos nos concentrar em três situações.

A primeira é a reforma tributária.

Em janeiro de 2027 começa uma etapa efetiva da transição, com a extinção de PIS e Cofins, entrada da CBS e início da cobrança do Imposto Seletivo. A promessa é de simplificação no longo prazo, mas a transição ainda provoca dúvidas entre empresários sobre impactos, custos, preços, créditos e funcionamento do novo sistema.

A segunda situação já está definida em lei.

A reoneração gradual da folha continuará avançando. Em 2027, os setores anteriormente beneficiados passarão a recolher 15% sobre a folha, chegando novamente à alíquota integral de 20% em 2028.

Para atividades intensivas em mão de obra, é aumento de custo contratado.

Existe ainda uma terceira questão: a redução da jornada semanal e o fim da escala 6×1.

Aqui precisamos separar as coisas.

Melhorar as condições de trabalho é uma discussão absolutamente legítima.

Mas reduzir a jornada de 44 para 40 horas sem redução salarial, caso a proposta seja definitivamente aprovada, também produzirá consequências econômicas.

Empresas que precisam funcionar durante os mesmos períodos terão que reorganizar escalas, contratar trabalhadores adicionais, pagar horas extras, automatizar atividades ou encontrar ganhos de produtividade capazes de compensar as horas reduzidas.

A conta existe.

E alguém terá que pagá-la.

É justamente quando colocamos as três situações lado a lado que surge nossa preocupação.

Reforma tributária.

Reoneração da folha.

Possível redução da jornada sem redução salarial.

Não estamos discutindo isoladamente se cada medida é boa ou ruim.

Estamos discutindo a soma das medidas e a capacidade das empresas de suportá-las.

Esse debate precisa ser enfrentado sem preconceitos.

O Brasil não pode transformar empresário em vilão simplesmente porque busca lucro.

Empresa precisa dar lucro.

Se não der, fecha.

E quando fecha, não é apenas o empresário que perde.

Perde o trabalhador.

Perde o fornecedor.

Perde o município.

Perdem estados e União na arrecadação.

Perde a economia.

Um país somente consegue distribuir riqueza depois que alguém a produz.

Essa equação econômica elementar parece, algumas vezes, esquecida no debate brasileiro.

Podemos ampliar direitos.

Podemos aperfeiçoar relações trabalhistas.

Podemos reformar impostos.

Podemos criar políticas sociais.

Mas existe um limite que nenhuma lei consegue revogar:

a atividade econômica precisa ser viável.

Se produzir no Brasil ficar caro demais, algumas empresas aumentarão preços.

Outras reduzirão margens.

Algumas deixarão de investir.

Outras automatizarão atividades.

Algumas demitirão.

E aquelas que não conseguirem nenhuma dessas alternativas simplesmente fecharão as portas.

Não se trata de previsão alarmista.

É a lógica de qualquer negócio.

Por isso, antes de aprovar uma nova obrigação, o poder público deveria perguntar qual será o impacto quando ela for somada a todas as obrigações que já existem.

O empresário não recebe dinheiro por decreto para pagar aquilo que também foi criado por decreto.

Ele precisa vender.

Precisa competir.

Precisa produzir.

Precisa pagar impostos.

Precisa pagar salários.

Precisa pagar fornecedores.

E, no final dessa cadeia, ainda precisa obter resultado suficiente para justificar continuar investindo seu capital e assumindo riscos.

Esse é o ponto central.

O Brasil não pode inviabilizar quem gera riqueza.

Defender empresas economicamente saudáveis não significa escolher empresários contra trabalhadores.

É justamente o contrário.

Não existe emprego sustentável sem empresa sustentável.

Não existe salário sem geração de receita.

Não existe arrecadação sem atividade econômica.

E não existe política social permanente sem uma economia capaz de financiá-la.

Talvez 2027 coloque essa discussão definitivamente sobre a mesa.

O país precisa decidir até onde pretende continuar aumentando obrigações sem avaliar conjuntamente a capacidade de quem terá que suportá-las.

Direitos precisam avançar.

O sistema tributário precisa melhorar.

As relações de trabalho podem evoluir.

Mas a conta precisa fechar.

Porque quando uma empresa fecha, nenhuma lei consegue obrigá-la a continuar empregando.

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