Somos todos Idiotas

Texto reproduzido do livro “Histórias de Aprendiz” publicado pelo colunista.

Reengenharia. Não sei quem inventou a novidade; descobri que se trata de dar mais trabalho para menos gente. Ela – a reengenharia – estava na moda, também na publicidade. Era o tempo das “duplas de criação”, substituindo o trabalho isolado dos redatores e layoutistas.

Inscreveram-me num “curso de capacitação” numa agência, em São Paulo, com a qual a empresa tinha convênio operacional.

Primeiro dia de curso. Somos perto de 20 “alunos”, vindos de diversos Estados. Nosso mestre é um dos mais famosos e premiados publicitários brasileiros, sócio da agência paulista, um dos pais da propaganda nacional. Sem dúvida, profissional experiente e vitorioso, com muito para nos ensinar. Imaginei que iria discorrer sobre novas técnicas de criação e comunicação. Ele próprio se encarregou de desfazer o equívoco:

– Em propaganda, o mais importante de tudo é se fazer entender. Se não conseguimos isso, todo o resto não conta.

Espanto. Silêncio geral. Não éramos todos publicitários, entendidos em comunicação? Ele continuou:

– Comunicação não é o que a gente fala. É o que o outro entende. E como vamos saber que nosso interlocutor entendeu direito o que nos propusemos a dizer?

Ele próprio se encarregou de responder:

– Regra número 1 para evitar equívocos: tratar todo mundo como idiota!

O silêncio continuava dominando a “sala de aula”.

– Quando falo “todo mundo”, é todo mundo mesmo! A começar pelo nosso chefe. O mesmo vale para os subordinados, parceiros, fornecedores e clientes. Existem alguns “truques” para garantir que estamos sendo entendidos, que falamos a mesma linguagem. Ao final de uma reunião, qualquer reunião, repetir o resumo do tema que foi tratado e dos encaminhamentos a serem feitos. Além do resumo final, fazer sempre um relatório e enviá-lo a todos os participantes. Isso pode não garantir mais acertos, mas irá evitar erros recorrentes.

Descobri, sozinho, que este aprendizado também vale para as demais coisas da vida…

O mestre da história: Alex Periscinoto.

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