O perigoso “negócio” futebol
Cada dia mais envolvido nos quase sempre escusos interesses, o futebol cresce absurdamente no aspecto financeiro e agoniza no lado moral das suas instituições.
Não preciso relacionar fatos, tamanha a exposição que eles vêm ocupando na mídia mundial, em todas as bases de todos os Continentes. Não tem Santo nesta história. Enquanto dirigentes teimam em querer transformar as instituições em quintal de suas casas ou num bunker de seus interesses pessoais, clubes – os melhores administrados – tentam superar os problemas, vencer os obstáculos e provar que executam um negócio sério e lucrativo, num esforço sobrenatural para convencer parceiros investidores.

Desde a mais forte denúncia, em 2015, quando o FBI e a Justiça dos Estados Unidos apontaram o que se tornou no maior escândalo da história do futebol, banindo dezenas de dirigentes acusados de envolvimento em casos de propinas, subornos e lavagem de dinheiro – não se tinha notícia de algo tão grave para o futuro do futebol do que as recentes denúncias contra o Presidente da Fifa, o suíço-italiano Gianni Infantino, no cargo desde 2016.
Infantino tentou realizar uma negociação sem a necessária transparência com seus filiados, o que gerou uma imediata reação negativa nas suas principais bases. Confederações – as mais fortes no mundo do futebol – dirigentes, mesmo os alheios ao sistema e até funcionários da própria entidade se postaram, num ato digno e inédito, contra o poderoso chefe. “Fomos enganados” dizia uma placa visível num corredor da Fifa, referindo-se à falta de transparência numa negociação que visava “vender” o futebol tirando-o do domínio da instituição, mesmo que, soube-se depois, o comando continuaria com o próprio Infantino, numa empresa pessoal. Os filiados, não sem razão, se revoltaram e bateram de frente contra a maior entidade esportiva do mundo, exigindo a imediata retratação do seu presidente.
Não sei se a ação vai salvar o futebol, se é que ele tem salvação – ou prejudicá-lo economicamente – mas é preciso reconhecer que o recuo de Infantino admitiu mudanças comportamentais que podem determinar um novo rumo ao comando do futebol mundial.
O dinheiro importa, e muito, para a sustentação do futebol, mas ele não pode ser superior à dignidade de seus dirigentes e suas ações. E um dirigente deve ser um administrador de ações que visem o bem da sua modalidade e de seus filiados, nunca um ditador.
Vende-se punições
Não sei se a proposta do presidente da Fifa foi uma ideia pessoal dele ou uma sugestão desses marqueteiros de plantão, cujas retinas, no futebol pouco enxergam além dos cifrões que lhes rendem polpudas comissões.
No Brasil, o mais recente exemplo dessa ganância financeira, foi a comercialização dos cartões vermelhos e amarelos que os árbitros aplicam aos jogadores.
Agora “patrocinadas”, expulsões e advertências poderão se contabilizadas financeiramente.
Ainda a Fifa
A dona do futebol mundial está negociando os espaços que colocará à disposição das seleções, para treinamentos e jogos, na Copa do Mundo Feminina em 2027. No Rio, enquanto Botafogo, Fluminense e Vasco da Gama, de olho no dinheiro, estão detalhando custos, o Flamengo – acertadamente – se negou a ceder o seu Centro de Treinamento (Ninho do Urubu) onde pretende manter a sua equipe principal em treinamento, apesar da paralisação das competições nacionais.
Os clubes querem mais do que a Fifa oferece (R$ 500.000,00) pelo aluguel e tentam melhorar a parte financeira. Já para jogos, a entidade internacional vai dispor de US$ 200 mil (pouco mais de R$ 1 milhão) por partida, valor já acertado com o Maracanã.
Os gramados
Voltou a antiga discussão sobre gramados sintéticos e naturais. Como não tenho como avaliar tecnicamente a qualidade de cada um, fico com uma observação que me parece sensata: não interessa se natural ou sintético, o gramado precisa ser bom. E o que se está vendo no futebol brasileiro é exatamente contrário: estádios bons e gramados ruins.
Se bem que tem “craques” que merecem jogar nos velhos campos com roseta.
