Lula “pisou na bola” ao negar qualquer encontro com Roberta Luchsinger

Presidente afirmou no Jornal Nacional que nunca viu a empresária, mas registros publicados nas redes sociais mostram os dois juntos em diferentes ocasiões

Existe um velho ditado popular que cabe perfeitamente na situação: pisou na bola.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Durante entrevista ao Jornal Nacional na noite desta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, foi questionado sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger, atualmente investigada pela Polícia Federal.

Na resposta, Lula foi taxativo.

Disse que não conhecia Roberta, que nunca a havia visto e que ela nunca estivera próxima dele.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O problema surgiu praticamente imediatamente.

Pouco depois da entrevista, começaram a circular nas redes sociais fotografias mostrando Lula e Roberta Luchsinger juntos em diferentes ocasiões. Algumas dessas imagens já estavam publicadas há anos nas próprias redes sociais da empresária. Há registros de encontros entre 2022 e 2023, inclusive em ambientes fechados e eventos com outras pessoas conhecidas.

Parlamentares e adversários políticos rapidamente utilizaram as fotografias para questionar a declaração do presidente. Alguns veículos também destacaram a contradição entre a resposta concedida no Jornal Nacional e os registros públicos existentes.

É necessário, porém, colocar os fatos em seus devidos lugares.

Políticos tiram milhares de fotografias durante suas trajetórias.

Presidentes, governadores, prefeitos, deputados e candidatos são abordados constantemente por pessoas que desejam um registro. Evidentemente, ninguém exige documento de identidade ou estabelece uma relação pessoal com cada cidadão que aparece em uma fotografia.

Portanto, uma fotografia isolada não comprova proximidade pessoal.

Muito menos transfere qualquer responsabilidade sobre atos praticados pela outra pessoa.

Esse ponto precisa ficar absolutamente claro.

Roberta Luchsinger está sendo investigada em inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência. As investigações seguem seu curso, e cabe à Polícia Federal e à Justiça determinar se houve ou não qualquer irregularidade.

O fato de Lula aparecer ao lado dela não significa que tenha participação em qualquer dessas suspeitas.

Esse não é o problema da entrevista.

O problema está na forma absoluta da resposta.

Disse que nunca a tinha visto e que ela nunca esteve próxima dele.

Os registros disponíveis demonstram que essa afirmação, literalmente, não corresponde aos fatos.

E justamente por ser candidato à reeleição, qualquer declaração dessa natureza produz consequências políticas.

Uma resposta mais simples provavelmente encerraria o assunto.

Em vez disso, optou por uma negativa absoluta.

E criou um problema desnecessário.

A própria equipe de campanha do presidente avaliou a fala como uma “derrapada”, justamente porque sabia da existência de registros fotográficos dos dois.

Em uma campanha eleitoral, credibilidade vale muito.

Adversários procurarão contradições.

Vídeos antigos serão recuperados.

Fotografias serão publicadas.

Frases serão comparadas.

Isso acontecerá com Lula e com todos candidatos.

Por isso, quanto mais objetiva e verdadeira for uma resposta, menor será o espaço para exploração política posterior.

Lula esteve, sim, em ambientes e fotografias com a empresária.

Portanto, dizer que nunca a viu foi um erro.

Não precisava acontecer.

Mas aconteceu.

E, em plena campanha presidencial, adversários certamente utilizarão a declaração.

Foi, literalmente, uma situação em que o presidente pisou na bola.

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