IPCA registra deflação de 0,32% em agosto e aumenta espaço para novo corte da Selic

Índice oficial de inflação recuou 0,32% no mês e acumula alta de 4,22% em 12 meses; resultado reforça cenário favorável à continuidade da redução dos juros.

O Brasil registrou deflação de 0,32% em agosto, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação do país calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa uma notícia positiva para a economia, especialmente porque ocorre em um momento no qual a trajetória da inflação é acompanhada de perto pelo Banco Central para definir os próximos passos da política monetária.

Com o resultado de agosto, o IPCA acumula alta de 4,22% nos últimos 12 meses. O percentual permanece acima do centro da meta de inflação, estabelecido em 3%, mas está dentro do intervalo de tolerância, cujo limite superior é de 4,5%.

A diferença é importante. O país ainda não está com a inflação no centro da meta perseguida pelo Banco Central, mas o índice acumulado encontra-se dentro dos limites estabelecidos pelo sistema de metas. A continuidade desse movimento nos próximos meses poderá melhorar ainda mais o ambiente para uma redução gradual dos juros.

O principal impacto para a queda do IPCA em agosto veio do grupo Habitação, que apresentou deflação de 1,87%. Como possui participação relevante no orçamento das famílias, a redução dos custos relacionados à habitação teve peso importante sobre o resultado geral do índice.

A deflação mensal, entretanto, não significa que os preços estejam 0,32% mais baixos do que há um ano. Significa que, considerando a cesta de produtos e serviços pesquisada pelo IBGE, houve redução média dos preços em relação ao mês imediatamente anterior. Na comparação de 12 meses, os preços continuam acumulando alta de 4,22%.

Essa distinção ajuda a compreender por que um mês de deflação é positivo, mas não representa isoladamente o fim das pressões inflacionárias.

O resultado de agosto ganha relevância também por seus possíveis reflexos sobre a taxa Selic.

O Comitê de Política Monetária (Copom) utiliza a taxa básica de juros como principal instrumento para controlar a inflação. Juros elevados ajudam a reduzir a demanda e, consequentemente, as pressões sobre os preços, mas também encarecem o crédito para consumidores e empresas, atingem financiamentos e podem limitar investimentos e o crescimento da atividade econômica.

Por isso, à medida que a inflação apresenta sinais consistentes de desaceleração, aumenta o espaço para que o Banco Central prossiga com o processo de redução dos juros.

A deflação de agosto e o IPCA acumulado em 12 meses dentro do intervalo de tolerância da meta representam, portanto, novos argumentos favoráveis a uma redução da Selic nas próximas decisões do Copom.

Isso não significa, entretanto, que um novo corte esteja automaticamente definido. A decisão do Banco Central não depende apenas do resultado mensal do IPCA. O Comitê acompanha principalmente a trajetória esperada da inflação e também considera indicadores como inflação de serviços, núcleos inflacionários, expectativas do mercado, atividade econômica, mercado de trabalho, câmbio, situação fiscal e cenário internacional.

Esse conjunto de informações determinará tanto a possibilidade de novo corte quanto a velocidade de eventual continuidade do ciclo de redução dos juros.

Há também uma questão importante para consumidores e empresas. A redução da Selic não produz efeitos imediatos e uniformes sobre todas as modalidades de crédito, mas uma sequência de cortes tende, ao longo do tempo, a criar condições para juros menores nos empréstimos, financiamentos e operações realizadas pelo sistema financeiro.

Para as empresas, juros menores podem facilitar investimentos e reduzir custos financeiros. Para as famílias, podem representar melhores condições de crédito e financiamento. Para o próprio governo, uma trajetória de juros mais baixos também pode contribuir para reduzir o custo de financiamento da dívida pública.

O resultado divulgado pelo IBGE, portanto, vai além da queda dos preços registrada em agosto.

Depois de um longo período em que o combate à inflação exigiu uma política monetária restritiva, a combinação entre deflação mensal e inflação acumulada dentro do intervalo da meta fortalece a expectativa de que o Banco Central possa encontrar espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros.

Ainda será necessário observar os próximos indicadores para saber se a tendência será confirmada. Um único mês não determina a trajetória da inflação e tampouco define sozinho uma decisão do Copom.

Mas o dado de agosto acrescenta uma peça importante ao cenário econômico: a inflação recuou no mês, o IPCA em 12 meses permanece abaixo do teto da meta e aumentaram os argumentos para uma nova redução da Selic.

Agora, as atenções se voltam para o Banco Central.

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