Copom reduz Selic pela quinta vez consecutiva e taxa cai para 13,75% ao ano
Banco Central promove novo corte de 0,25 ponto percentual; juros básicos acumulam redução de 1,25 ponto desde março, mas autoridade monetária mantém sinal de cautela

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira (16), reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano.
É o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros da economia brasileira e mantém o processo gradual de flexibilização da política monetária iniciado em março deste ano.
Desde o começo do atual ciclo, a Selic já recuou 1,25 ponto percentual, sempre em movimentos de 0,25 ponto. Antes das reduções, a taxa permaneceu em 15% ao ano, seu maior patamar em quase duas décadas.
Ao anunciar a decisão, o Copom afirmou que a redução é compatível com sua estratégia de conduzir a inflação para próximo da meta no horizonte considerado pela autoridade monetária.
O comunicado acrescenta que, preservado o objetivo fundamental de estabilidade dos preços, a decisão também contribui para reduzir as oscilações da atividade econômica e favorecer o pleno emprego.
A manifestação é importante porque mostra os dois lados que precisam ser considerados na condução da política monetária.
De um lado está o controle da inflação, principal objetivo da atuação do Banco Central. Do outro estão os efeitos que juros elevados produzem sobre crédito, consumo, investimentos e atividade econômica.
A Selic é a principal referência para o custo do dinheiro no país. Suas alterações influenciam, em diferentes intensidades e prazos, as taxas cobradas em financiamentos, empréstimos, capital de giro das empresas e outras operações de crédito.
Uma redução da Selic não significa que os juros cobrados dos consumidores e das empresas cairão imediatamente na mesma proporção. Os bancos também consideram fatores como risco de inadimplência, custos operacionais, impostos, prazo das operações e condições de cada cliente.
Mesmo assim, a continuidade do ciclo de redução da taxa básica tende gradualmente a produzir condições financeiras menos restritivas para a economia.
O momento também é marcado por sinais de desaceleração da atividade.
No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central avaliou que os indicadores apresentados desde o encontro anterior mostram moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido.
A inflação apresentou recentemente um dado favorável. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, enquanto a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,22%. O centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Isso significa que a inflação acumulada em 12 meses se encontra dentro do intervalo de tolerância, embora acima do centro da meta.
O Banco Central, entretanto, continua demonstrando cautela.
O Copom chamou atenção para as incertezas do cenário internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio e a condução da política monetária nas principais economias. Internamente, continuam no radar as expectativas de inflação e os riscos associados à evolução dos preços.
Por isso, o quinto corte consecutivo não significa que novas reduções estejam automaticamente definidas.
O Comitê informou que continuará acompanhando os dados econômicos e que a extensão total do atual ciclo dependerá das novas informações disponíveis e da necessidade de assegurar a convergência da inflação para a meta.
Apesar dos cinco cortes, os juros brasileiros continuam elevados.
A Selic de 13,75% ao ano mantém a política monetária em terreno restritivo, justamente porque o Banco Central procura reduzir a inflação sem produzir estímulos que possam provocar uma nova aceleração dos preços.
É esse equilíbrio que determinará os próximos movimentos.
Se a inflação e suas expectativas continuarem apresentando melhora, aumenta o espaço para discutir novas reduções. Se os riscos inflacionários crescerem, o Banco Central poderá diminuir o ritmo, interromper o ciclo ou manter os juros no patamar considerado necessário.
As próximas reuniões do Copom estão previstas para 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro, quando o Banco Central voltará a avaliar o comportamento da inflação, atividade econômica, emprego, cenário fiscal e ambiente internacional antes de decidir sobre a Selic.
A decisão desta quarta-feira acrescenta, portanto, mais um movimento ao processo iniciado em março.
A Selic saiu de 15% para 13,75% ao ano em cinco reuniões consecutivas.
O movimento é de queda.
Mas o próprio Banco Central deixa claro que continuará sendo gradual e condicionado aos dados.
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