PERSPECTIVA POLÍTICA

Enquanto a campanha começa a ganhar forma, cresce a importância de oferecer mais informação ao eleitor, cobrar propostas concretas dos candidatos e acompanhar temas de Estado que continuarão exigindo respostas muito depois do encerramento das urnas.

Mais informação, melhor democracia

Conhecer antes de escolher

Ao longo das últimas semanas, esta coluna tem defendido um princípio de forma permanente: o eleitor precisa conhecer mais do que nomes, números de urna e slogans de campanha.

Precisa conhecer pessoas, trajetórias, motivações e propostas.

A democracia torna-se mais forte quando o voto é resultado da informação e da reflexão, e não apenas da propaganda eleitoral.

Foi exatamente com esse espírito que o DMA Notícias lançou o projeto “Por que sou candidato”.

Um espaço para quem pede o voto

A proposta é simples.

Abrir um espaço para que candidatos de todos os partidos, tanto das eleições majoritárias quanto proporcionais, possam apresentar diretamente aos eleitores sua história, as razões que os levaram a disputar a eleição e as principais propostas que pretendem defender caso sejam eleitos.

Não será um espaço para confrontos, ataques pessoais ou disputas entre adversários.

Será um espaço para informação.

Todos os participantes estarão submetidos às mesmas regras editoriais, preservando a igualdade de tratamento e a transparência do processo.

Quem ganha é o eleitor

Mais do que beneficiar candidatos, a iniciativa procura beneficiar quem realmente decidirá a eleição.

O eleitor.

Quanto maior o acesso a informações claras e objetivas, maiores são as condições para que cada cidadão compare ideias, avalie trajetórias e forme sua própria convicção.

A democracia não se fortalece apenas pelo direito de votar.

Fortalece-se também pelo direito de conhecer aqueles que pedem a confiança da população.

Um compromisso com a democracia

O DMA Notícias não pretende dizer ao eleitor em quem votar.

Essa decisão pertence exclusivamente a cada cidadão.

Nosso compromisso é outro.

Ampliar o acesso à informação, garantir igualdade de oportunidade para todos os candidatos que desejarem participar e contribuir para que o debate eleitoral seja cada vez mais qualificado.

Em uma democracia, o voto é livre.

Mas quanto mais informado estiver o eleitor, mais consciente será sua escolha.

Porque a melhor campanha para a democracia continua sendo a informação de qualidade.


Por enquanto, mais do mesmo

A campanha ainda não começou, mas o discurso já apareceu

A campanha eleitoral oficial ainda não começou. Conforme o calendário da Justiça Eleitoral, a propaganda geral estará autorizada somente a partir de 16 de agosto.

Isso não significa que os candidatos permaneçam em silêncio.

Depois das convenções partidárias, nomes já confirmados para as disputas majoritárias passaram a conceder entrevistas, participar de eventos e ampliar sua presença nos meios de comunicação e nas redes sociais.

Este colunista acompanhou vídeos e declarações de candidatos de diferentes estados, partidos e campos políticos. Até este momento, porém, o conteúdo apresentado inspira pouca novidade.

Predominam narrativas conhecidas, frases de impacto, slogans produzidos para facilitar a comunicação e tentativas de desconstruir os adversários.

Promessas sem explicar o caminho

As campanhas brasileiras costumam apresentar soluções simples para problemas complexos.

Se milhares de pessoas aguardam cirurgias, o candidato promete zerar a fila.

Se uma rodovia precisa ser duplicada, compromete-se a realizar a obra.

Se determinado serviço público apresenta deficiência, afirma que resolverá o problema durante o mandato.

Esses compromissos podem ser legítimos e responder a necessidades reais da população.

O que normalmente não aparece é a explicação sobre como serão executados, quanto custarão, de onde sairão os recursos, quais etapas serão necessárias e em quanto tempo os resultados poderão ser entregues.

Prometer o objetivo é fácil.

Demonstrar o caminho exige muito mais responsabilidade.

A desconstrução continua ocupando espaço

Até agora, o ambiente eleitoral parece repetir uma estratégia conhecida.

Em vez de convencer o cidadão de que determinado projeto é melhor, muitas campanhas concentram esforços em demonstrar que o adversário representa o pior caminho.

O ataque gera a resposta. A acusação produz a reação. O debate passa a ser dominado por personagens, versões e disputas pessoais, enquanto as propostas objetivas permanecem em segundo plano.

A crítica é legítima e indispensável. Governos precisam ser fiscalizados, trajetórias devem ser examinadas e contradições precisam ser expostas.

Mas apontar os erros do adversário não substitui a obrigação de apresentar soluções.

Impedir que o outro vença não constitui, por si só, um projeto de governo.

O eleitor merece mais

A campanha oficial ainda oferecerá tempo para que esse cenário seja modificado.

Debates, entrevistas e programas eleitorais poderão permitir que os candidatos detalhem suas prioridades e expliquem como pretendem transformar promessas em resultados.

É isso que a sociedade deveria exigir.

O eleitor não precisa apenas ouvir que filas serão zeradas, estradas serão duplicadas e problemas históricos finalmente desaparecerão.

Precisa saber quais medidas serão adotadas, quanto custarão, quais metas serão estabelecidas e como o futuro governo prestará contas daquilo que prometeu.

O Brasil já conhece a força dos slogans e a intensidade dos ataques eleitorais.

Agora precisa conhecer projetos capazes de sobreviver ao fim da campanha.

A crítica faz parte da democracia. A proposta faz parte da responsabilidade.

Que o Brasil, pelo menos, não perca a esperança de assistir a uma eleição em que os candidatos expliquem não apenas o que pretendem fazer, mas principalmente como transformarão suas palavras em resultados.


Quando a diplomacia entra em zona de turbulência

Uma tradição colocada à prova

Mauro Vieira – Foto: Portal Gov.Br

O Brasil sempre construiu sua política externa apoiado no diálogo, na negociação e na busca de soluções diplomáticas para conflitos internacionais.

Ao longo de sua história recente, o país manteve relações estáveis com diferentes governos e correntes ideológicas, preservando uma tradição reconhecida de equilíbrio nas relações exteriores.

Justamente por isso, o momento atual merece atenção.

Não necessariamente pela existência de um problema específico.

Mas pelo acúmulo de diferentes tensões diplomáticas ocorrendo praticamente ao mesmo tempo.

Quatro episódios em sequência

O primeiro impasse permanece sendo a crise com Israel, iniciada há cerca de dois anos, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado persona non grata pelo governo israelense.

Nas últimas semanas, outros três episódios ampliaram esse cenário.

Com o Paraguai, surgiu uma controvérsia diplomática após declarações relacionadas à Guerra da Tríplice Aliança.

Com a Argentina, o Brasil decidiu rebaixar o nível da representação diplomática após sucessivos episódios de desgaste entre os dois governos.

Por fim, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, classificando a medida como resposta recíproca ao fato de o governo brasileiro ainda não ter concedido o agrément ao novo embaixador indicado por Donald Trump.

Casos diferentes, um mesmo ambiente

Cada um desses episódios possui origem, contexto e responsabilidades próprias.

Não seria correto tratá-los como se decorressem de uma única causa.

Entretanto, vistos em conjunto, revelam um ambiente diplomático incomum para a tradição brasileira.

A política externa influencia comércio, investimentos, cooperação internacional, circulação de pessoas e a capacidade de diálogo entre governos.

Por isso, crises simultâneas merecem atenção, independentemente da posição política de cada observador.

O interesse nacional acima das divergências

A coluna não procura apontar culpados nem distribuir responsabilidades entre os governos envolvidos.

Essa discussão pertence ao debate político e diplomático.

A reflexão proposta é outra.

Em um cenário internacional cada vez mais complexo, preservar canais de diálogo e reconstruir relações institucionais continua sendo um dos principais interesses permanentes do Estado brasileiro.

Diferenças entre governos fazem parte das relações internacionais.

O desafio da diplomacia é impedir que essas diferenças se transformem em prejuízos duradouros para os interesses nacionais.

O Brasil sempre foi reconhecido por sua capacidade de dialogar com diferentes países. O momento atual convida à reflexão sobre como preservar essa tradição em um ambiente internacional cada vez mais tenso.


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