PERSPECTIVA POLÍTICA

Entre debates que precisam recuperar sua finalidade, manifestações de fé que ganham espaço nas campanhas e mandatos que chegam às urnas com resultados para apresentar, o eleitor começa a conhecer as diferentes faces das eleições de 2026.

O debate precisa voltar a servir ao eleitor

As cadeiras vazias também dizem alguma coisa

Os debates promovidos pela Band neste domingo abriram uma das etapas mais importantes da campanha para os governos estaduais.

Mas, em diferentes estados, um fato chamou atenção: a ausência de candidatos relevantes.

ACM Neto, na Bahia, e Sergio Moro, no Paraná, são exemplos de nomes que não participaram dos encontros, apesar de terem sido anteriormente relacionados entre os participantes.

Cada ausência pode possuir razões próprias e não cabe à coluna atribuir motivações individuais sem que elas tenham sido claramente apresentadas.

Mas a quantidade de ausências provoca uma reflexão maior.

O modelo também precisa ser avaliado

Debates eleitorais deveriam servir para que o cidadão compare propostas, conheça prioridades e avalie a capacidade dos candidatos de responder aos problemas concretos de seu estado.

Esse é o objetivo principal.

Nos últimos anos, entretanto, muitos encontros passaram a ser dominados por outra lógica.

Frases de efeito, ataques pessoais, acusações, provocações e tentativas de produzir cortes para as redes sociais começaram a ocupar um espaço cada vez maior.

A proposta perde espaço.

O espetáculo ganha protagonismo.

A ausência também possui riscos

Não participar de um debate pode fazer parte de uma estratégia eleitoral.

Um candidato bem colocado pode concluir que possui mais riscos do que benefícios ao entrar em um ambiente onde será o principal alvo dos adversários.

É uma decisão legítima.

Mas também possui custos.

Ao se ausentar, o candidato deixa de responder diretamente aos concorrentes, reduz a oportunidade de apresentar suas propostas e impede que o eleitor avalie seu desempenho diante de questionamentos não previamente combinados.

Portanto, a cadeira vazia também comunica.

O debate precisa recuperar sua finalidade

Talvez as ausências registradas sejam apenas decisões particulares de determinadas campanhas.

Talvez também indiquem algo que merece ser observado pelos veículos de comunicação e pelos próprios candidatos.

Se os debates se transformarem apenas em arenas de desconstrução pessoal, deixarão de cumprir sua função mais importante.

O eleitor não precisa assistir a duas horas de acusações para descobrir qual candidato consegue produzir a melhor frase para as redes sociais.

Precisa compreender quem possui as melhores soluções para saúde, segurança, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e equilíbrio das contas públicas.

A crítica é necessária.

O confronto também.

Mas ambos precisam estar a serviço das propostas.

Quando candidatos começam a considerar que um debate acrescenta pouco à sua campanha, talvez a pergunta não seja apenas por que eles faltaram. Talvez também seja necessário perguntar se o formato ainda está entregando ao eleitor aquilo que deveria entregar.


Quando a fé entra na campanha

Religião faz parte da sociedade brasileira

O Brasil possui inúmeras religiões, igrejas e manifestações de fé.

Ao mesmo tempo, continua sendo um país de ampla maioria cristã, reunindo milhões de católicos, evangélicos e integrantes de outras denominações.

A religiosidade faz parte da história, da cultura e da vida cotidiana de uma parcela expressiva da população.

É natural, portanto, que também existam políticos religiosos.

O que chama atenção é outro fenômeno.

A fé que ganha visibilidade nas eleições

Durante boa parte dos mandatos, pouco se vê sobre a prática religiosa de muitos políticos.

Quando a eleição se aproxima, entretanto, imagens em templos, igrejas, cultos, missas e encontros religiosos passam a ocupar com muito mais frequência as redes sociais e o noticiário das campanhas.

Candidatos falam publicamente sobre sua fé, aparecem ajoelhados em oração e procuram demonstrar proximidade com diferentes comunidades religiosas.

Nada existe de errado em um político professar sua religião.

A questão começa quando surge a dúvida sobre onde termina a manifestação legítima de fé e onde começa sua utilização como estratégia eleitoral.

A fé não deveria precisar de marketing

Religião pertence à esfera mais íntima das convicções humanas.

Quem possui fé não precisa escondê-la porque entrou na política.

Da mesma forma, o eleitor tem o direito de conhecer os valores que orientam aqueles que pretendem representá-lo.

Mas existe uma diferença entre viver publicamente uma convicção e transformá-la em instrumento de comunicação eleitoral.

Quando fotografias, discursos e demonstrações religiosas passam a receber divulgação intensificada justamente durante os meses de campanha, é natural que o cidadão questione quanto existe de espiritualidade e quanto existe de estratégia.

Essa resposta pertence à consciência de cada candidato.

O Estado é de todos

O Brasil é um país religioso, mas constitucionalmente laico.

Isso significa que governantes podem possuir fé, frequentar igrejas e manifestar suas crenças.

Mas, depois de eleitos, governam também para quem professa outra religião ou simplesmente não possui nenhuma.

Por isso, a religiosidade de um candidato pode ajudar o eleitor a conhecer seus valores, mas não deveria substituir propostas, capacidade administrativa ou compromissos públicos.

A fé merece respeito.

Assim como o eleitor merece transparência.

Religião pode orientar a vida de um político. O que não deveria acontecer é a campanha transformar a fé em mais um produto eleitoral.


Quando existe entrega, existe reconhecimento

Uma candidatura construída ao longo do tempo

As candidaturas começam a ser oficialmente apresentadas em Santa Catarina, e alguns lançamentos ajudam a mostrar como determinados projetos políticos são construídos ao longo de vários mandatos.

No último sábado, dia 8, o deputado estadual Marcos Vieira lançou sua candidatura à reeleição em Maravilha, no Oeste catarinense, reunindo mais de 1.500 pessoas entre parlamentares, prefeitos, lideranças e apoiadores.

No mesmo dia, também realizou o lançamento de sua candidatura em Xanxerê, com a presença da candidata ao Senado Carol De Toni.

Vieira busca seu sexto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa.

Presença fora da base de origem

Mesmo sendo natural de Florianópolis, Marcos Vieira construiu ao longo dos anos uma presença política relevante no Oeste catarinense.

Essa aproximação não ocorreu apenas em períodos eleitorais.

O deputado manteve atuação frequente junto aos municípios da região, especialmente cidades menores, acompanhando demandas locais, articulando recursos e participando de projetos voltados ao desenvolvimento regional.

Esse tipo de presença cria vínculo político.

E vínculo político, quando acompanhado de resultados percebidos pela população e pelas lideranças locais, tende a produzir reconhecimento eleitoral.

Mandato também se mede pela continuidade

Na política, reeleições sucessivas não acontecem apenas pela força partidária ou pela exposição pública.

Elas costumam refletir também a capacidade de construir relações permanentes com municípios, lideranças e setores da sociedade.

Naturalmente, cada eleitor fará sua própria avaliação sobre o mandato e sobre a candidatura.

Mas existe um princípio que vale para qualquer partido ou campo político.

Quem ocupa um cargo público precisa demonstrar durante o mandato aquilo que pretende defender novamente durante a campanha.

A campanha pode apresentar propostas.

O mandato apresenta resultados.

Reconhecimento não nasce apenas no período eleitoral

Um candidato pode realizar grandes eventos, produzir boa comunicação e construir discursos eficientes.

Tudo isso faz parte da política.

Mas o patrimônio eleitoral mais difícil de construir continua sendo aquele formado durante os anos anteriores à eleição.

Presença, atendimento aos municípios, articulação política e capacidade de entregar resultados produzem uma relação que não nasce apenas nos meses de campanha.

O caso de Marcos Vieira oferece um exemplo dessa dinâmica.

Na política, a comunicação pode apresentar um candidato. Mas é a percepção de entrega ao longo do mandato que costuma transformar apoio em reconhecimento.


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