A partir da segunda quinzena de agosto, terá início a corrida eleitoral no Brasil. Vivemos desafios importantes na vida institucional, política e econômica que exigem, de quem se apresentar ao pleito, não apenas competência, mas ética e responsabilidade com a nação e com o estado que pretende representar.

Nesta nação gigante, onde cada estado reúne um universo de demandas muitas vezes distintas das de outros estados, é necessário que os representantes nas Assembleias, na Câmara e no Senado tenham pleno conhecimento e compromisso com suas bases.

Àqueles que pedem uma segunda chance, cabe ao eleitor pesquisar o que fizeram nos quatro anos anteriores: com que causas se envolveram, o que defenderam em prol do país e do estado, se mantiveram retidão na conduta, sem se vincular ou dar respaldo a quem pratica malfeitos. Quem defende corrupto não merece segunda chance; quem se omite, tampouco. Cuidado especial merece o forasteiro: aquele que nunca pisou nas entranhas do estado, que não conhece suas dores nem construiu vínculo com sua gente, mas que, valendo-se da exposição que carrega fora do estado, muda de domicílio eleitoral às vésperas do pleito para ali se candidatar.

Quem não tem raiz não tem compromisso — e quem não tem compromisso, uma vez eleito, tende a votar com o partido ou com quem o patrocina, não com o estado que diz representar.

Basta ver o retrato do Congresso nos últimos anos: bancadas inteiras que se recusaram a assinar CPIs para apurar fraudes bilionárias contra aposentados; mais de cem pedidos de impeachment contra ministros do Supremo arquivados ou represados sem sequer serem votados, qualquer que seja o partido que ocupe a Presidência do Senado; e emendas parlamentares que praticamente dobraram em um ano, num momento em que o investimento público em obras e infraestrutura segue sufocado.

É esse o retrato que o eleitor precisa levar para a cabine de votação, não o marketing de campanha. O pecado da omissão é tão ou mais grave que a conduta imoral. Da mesma forma, cabe analisar, no caso do Executivo federal e estadual, as propostas apresentadas. Não se pode mais tolerar propostas vazias, fruto de retórica fácil e dos lugares-comuns repetidos em toda eleição: saúde, segurança e educação. Propostas devem ser concretas e factíveis.

O povo deve ser tratado com respeito, ainda que alguns sequer reconheçam os descalabros noticiados diariamente na vida política da nação. A eleição para o Senado da República tem tempero especial. O Brasil precisa, com urgência, que a Câmara Alta se faça respeitar e cumpra suas obrigações constitucionais. Precisamos ter no Senado pessoas comprometidas e conhecedoras do estado que representam, capazes de traduzir o sentimento do povo.

Conhecer o estado é primordial. Participar da vida política do estado — entendendo suas demandas, visitando instituições empresariais e associativas, mantendo contato próximo com as questões locais — é essencial para compreender o sentimento que alimenta as insatisfações e as ações necessárias para o país avançar.

Esperamos, e isso há muito tempo, que nossos representantes tenham cultura e alto nível de representatividade. Que não sejam fanfarrões ou boquirrotos. Que tenham postura e honrem o povo que representam, sem se tornar motivo de chacota. Que não estejam interessados em conseguir likes nas redes sociais a qualquer custo. Que não tenham chiliques em seus pronunciamentos, nem lancem mão de lágrimas falsas para apelar ao sentimentalismo — recurso que, em vez de apontar soluções, apenas acirra ânimos e nada constrói.

A política tem que ser exercida com coerência, dignidade e honradez. Fazer política só para permanecer no cargo é lançar ao lixo a oportunidade que o povo deu para se ver representado. Alguns até conseguem.

Mas, como se atribui a Churchill, “poucos enganam muitos por pouco tempo”.

Que comecem os jogos.

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