O CENTRÃO NÃO MUDA. APENAS TROCA DE DISFARCE.

A candidatura de Tereza Cristina à presidência do Senado reproduz o papel desempenhado por Esperidião Amin nas eleições catarinenses. Dois políticos do PP, partido que fez do oportunismo uma prática permanente, disputando espaços com representantes da direita e contribuindo para sua fragmentação. Muda o cenário, mudam os personagens, mas a lógica política permanece a mesma.
Em Santa Catarina, Amin insistiu na reeleição ao Senado, mesmo diante das candidaturas de Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Para sustentar sua pretensão, integrou a coligação adversária ao governador Jorginho Mello, sem abrir mão do conveniente discurso conservador. O eleitor catarinense, porém, deu sua resposta nas urnas. Elegeu Carlos e Caroline e encerrou a longa permanência de Amin no Congresso.
Agora, em Brasília, Tereza Cristina disputa espaço com Rogério Marinho, que articula uma candidatura de oposição à recondução de Davi Alcolumbre. Enquanto isso, a direção do PP declara apoio ao próprio Alcolumbre. Um espetáculo de conveniências políticas que expõe as contradições de um partido capaz de ocupar posições aparentemente opostas sem jamais perder de vista seus interesses.
É assim que o Centrão opera. Aproxima-se da direita quando precisa de votos, acomoda-se ao governo quando lhe convém e negocia cargos e influência com quem estiver no poder. Ideologia, princípios e compromissos eleitorais tornam-se acessórios descartáveis diante da perspectiva de preservar privilégios.
O mais grave é a insistência em confundir ambições pessoais com projetos políticos. A direita não pode continuar servindo de escada para personagens que reivindicam sua identidade eleitoral, mas contribuem para enfraquecer sua articulação institucional.
Em Santa Catarina, essa fragmentação não impediu a vitória dos dois candidatos do PL. No Senado, onde cada voto é decisivo, o custo político da divisão pode ser muito maior.
O PP continua sendo o PP. O Centrão continua sendo o Centrão. E a direita precisa compreender que não basta enfrentar adversários declarados. É igualmente necessário reconhecer as contradições daqueles que se apresentam como aliados enquanto disputam, em benefício próprio, os espaços que dizem defender.
