Os congestionamentos da Grande Florianópolis continuarão crescendo, por maiores que sejam os investimentos dos municípios e do Estado em infraestrutura rodoviária. O problema é estrutural: a frota aumenta mais rapidamente do que a capacidade de expansão de uma região limitada pela geografia costeira continental e da Ilha de Santa Catarina, por áreas de preservação permanente, manguezais, dunas, áreas alagadas e relevo acidentado. Insistir apenas em novas vias é como fazer mais furos na cinta de um obeso sem atacar a causa do problema. A consolidação de centralidades, com maior adensamento, aumento do gabarito e ampliação da fachada útil, fomentando a cidade de 15 minutos, é um passo importante, mas insuficiente.

É preciso investir de forma consistente em um sistema multimodal de transporte coletivo, integrado à mobilidade ativa, mas também compreender que a solução não depende apenas do poder público. Sempre que possível, famílias deveriam considerar a proximidade entre moradia, trabalho, escola e serviços ao decidir onde viver. Da mesma forma, empresários e profissionais liberais que tenham liberdade para definir a localização de suas atividades poderiam aproximá-las de suas residências, reduzindo deslocamentos diários que hoje pressionam um sistema viário cuja ampliação custa bilhões de reais. União, Estado e Municípios também poderiam mapear os fluxos de servidores e usuários para orientar a localização de repartições públicas e serviços, buscando reduzir deslocamentos desnecessários e aproximando a burocracia da população que ela atende.

Nada disso, porém, produzirá os resultados esperados sem uma mudança de mentalidade. Ainda existe, em parte da classe média da região, um preconceito em relação ao transporte coletivo que acaba reforçando a dependência do automóvel. Parece inacreditável, mas há quem sinta constrangimento em ser visto em um ponto de ônibus ou desembarcando dele. Curiosamente, esse estigma quase não existe nos extremos sociais: os mais pobres utilizam o transporte coletivo naturalmente, enquanto os mais ricos, em geral, não sentem necessidade de afirmar seu status por meio do automóvel.

Enquanto a mobilidade continuar sendo tratada apenas como um problema de engenharia, e não também de planejamento urbano, escolhas racionais de localização e comportamento coletivo, os congestionamentos continuarão crescendo, independentemente do volume de investimentos em novas obras viárias.

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