DIA NACIONAL DO AMIGO DA MARINHA

Hoje, 6 de novembro, celebra-se o Dia Nacional do Amigo da Marinha, homenagem àqueles que, mesmo sem integrar os quadros da Força Naval, dedicam parte de sua vida a aproximá-la da sociedade e a difundir a compreensão de que o Brasil não termina na praia. A data recorda o nascimento do Almirante de Esquadra Maximiano Eduardo da Silva Fonseca, patrono das Sociedades Amigos da Marinha e personagem fundamental na consolidação dessa ponte entre o mundo civil e a Instituição naval.

A Medalha Amigo da Marinha surgiu em 1966. Poucos anos depois, em Santos, formou-se a primeira associação de Amigos da Marinha e, em 1979, o movimento ganhou organização nacional. Havia por trás disso uma percepção bastante avançada: uma Marinha pode possuir navios, submarinos, fuzileiros, arsenais e escolas, mas precisa também ser compreendida pela sociedade que a sustenta. Sem mentalidade marítima, as necessidades do Poder Naval permanecem distantes do cidadão e, consequentemente, também dos responsáveis por decidir prioridades e distribuir recursos públicos.

A SOAMAR nasceu exatamente nesse espaço. Não é extensão da estrutura militar nem simples associação de admiradores da Marinha. É sociedade civil organizada em torno da consciência marítima. O soamarino ocupa uma posição peculiar, quase de stakeholder híbrido. Mantém sua independência civil, mas conhece a Instituição, convive com seus integrantes, entende sua cultura, acompanha suas necessidades e consegue transitar por ambientes aos quais a própria natureza hierárquica da Força nem sempre permite acesso com a mesma desenvoltura. Pode conversar com empresários, universidades, imprensa, entidades representativas e parlamentares, explicando por que determinada instalação, embarcação, equipamento ou programa é importante para muito além dos muros de uma organização militar.

Essa interface funciona também no sentido inverso. Uma Marinha que se aproxima da sociedade compreende melhor aquilo que ocorre no ambiente econômico, produtivo, acadêmico e político que a cerca. O relacionamento não é de subordinação nem de representação informal. Sua força está justamente na independência de cada lado e na confiança construída entre ambos.

No centro dessa missão está a mentalidade marítima, que precisa deixar de ser conceito restrito aos marinheiros para tornar-se consciência nacional. Ela encontra expressão muito concreta no tripé formado pela salvaguarda da vida humana, pela segurança da navegação e pela prevenção da poluição hídrica. São princípios que alcançam diretamente quem trabalha no mar, pesca, transporta passageiros, pratica esporte, explora o turismo náutico ou simplesmente depende de águas seguras e preservadas.

Mas a mentalidade marítima vai muito além. Ela conduz à cultura oceânica e à compreensão da Amazônia Azul, essa extraordinária dimensão marítima brasileira sobre a qual repousam interesses econômicos, ambientais e estratégicos que a população ainda conhece muito menos do que deveria. Conhecer o oceano é compreender como ele interfere no clima, na alimentação, na energia, no comércio, na ciência, na tecnologia e na própria capacidade do País de decidir autonomamente seu futuro.

Santa Catarina demonstra de maneira quase didática por que essa consciência é necessária. É um Estado profundamente ligado ao mar, mas cuja relação com a navegação já não pode ser descrita apenas pela faixa litorânea. Temos portos estratégicos, estaleiros, pesca industrial, maricultura, turismo náutico, navegação de recreio, construção naval e o Programa Fragatas Classe Tamandaré em Itajaí. Ao mesmo tempo, o crescimento da atividade náutica nas águas interiores levou a presença da Autoridade Marítima para centenas de quilômetros distante da costa.

A estrutura da Marinha em Santa Catarina traduz essa dimensão. Em Florianópolis estão a Capitania dos Portos de Santa Catarina, a Escola de Aprendizes-Marinheiros e o Centro Cultural da Marinha no histórico Forte Santa Bárbara, onde funciona o Museu Naval, importante instrumento de preservação da memória e difusão da mentalidade marítima. Ao longo do litoral estão as Delegacias da Capitania dos Portos em Itajaí, Laguna e São Francisco do Sul, cada qual responsável por áreas de intensa atividade portuária, pesqueira, turística e recreativa.

E há Chapecó. Talvez seja justamente ali que esteja um dos melhores exemplos de como a realidade náutica catarinense mudou. A aproximadamente 600 quilômetros do litoral, a Marinha mantém uma Patromoria da Capitania dos Portos de Santa Catarina, com equipe permanente destinada ao atendimento da extensa região da bacia do Rio Uruguai. Sua implantação não ocorreu por acaso. A própria Marinha identificou aumento das demandas locais, crescimento da utilização de balsas, expansão do potencial turístico e concentração de embarcações de esporte e recreio nos lagos e rios do Oeste. A presença começou de forma permanente em 2020 e ganhou sede própria em 2021, havendo planejamento para que a estrutura venha futuramente a transformar-se em Agência da Capitania.

O Rio Uruguai, sozinho, possui cerca de 400 quilômetros dentro da jurisdição catarinense da CPSC e abriga travessias, lagos de reservatórios, atividades de lazer, pesca e navegação entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A jurisdição alcança ainda as bacias do Peperi-Guaçu, Antas, Chapecó, Irani, Peixe, Jacutinga, Canoas e Pelotas. Cidades como Chapecó, Itá, Concórdia, Itapiranga, Mondaí, Palmitos e tantas outras passaram a conviver com uma cultura náutica crescente, impulsionada pelos reservatórios das hidrelétricas, pelo turismo, pelo esporte e pela aquisição de embarcações de recreio.

A evolução é suficientemente significativa para ter provocado a própria expansão física da Marinha no Oeste. Em 2025, a Capitania também registrou crescimento das inscrições de embarcações de esporte e recreio, motos aquáticas e habilitações de amadores em relação à operação anterior. Não se trata, portanto, de uma percepção meramente impressionista. A atividade náutica catarinense cresce tanto no litoral quanto no interior, aumentando na mesma proporção a necessidade de fiscalização, educação, formação, sinalização, prevenção de acidentes e presença efetiva da Autoridade Marítima.

É nesse contexto que a aproximação entre parlamentares e Marinha assume enorme importância. Santa Catarina já possui exemplos concretos. O senador Esperidião Amin e a então deputada federal Angela Amin contribuíram com recursos destinados a estruturas da Marinha em nosso Estado, incluindo a Escola de Aprendizes-Marinheiros e o Centro Cultural. Angela teve participação relevante na viabilização do alojamento feminino da Escola. O ex-deputado federal Coronel Armando destinou recursos ao Ensino Profissional Marítimo da Capitania dos Portos. A deputada federal e senadora eleita Caroline de Toni direcionou recursos para equipamentos operacionais, inclusive destinados a reforçar a atuação no Oeste. Mais recentemente, os senadores Esperidião Amin e Jorge Seif participaram dos esforços que levaram à contratação da primeira lancha especializada em busca e salvamento destinada a Santa Catarina.

São investimentos de naturezas diferentes, mas unidos por um mesmo princípio: recurso destinado à Marinha não beneficia apenas a Marinha. Um equipamento de salvamento serve ao pescador, ao velejador e ao turista. Uma moto aquática empregada em fiscalização e salvamento no Oeste protege quem utiliza os lagos e rios. Uma estrutura de ensino prepara profissionais que movimentam nossa economia. Uma Capitania equipada previne acidentes, fiscaliza embarcações e ajuda a preservar nossas águas. Um farol funcionando corretamente não pergunta a orientação política de quem navega diante dele.

Essa compreensão torna-se ainda mais importante diante das limitações orçamentárias enfrentadas pelas Forças Armadas. A Marinha administra uma estrutura gigantesca, tecnologicamente complexa e necessariamente cara. Navios envelhecem, motores precisam de manutenção, tripulações devem ser treinadas, combustível é consumido, instalações deterioram-se e equipamentos tornam-se obsoletos. Paralelamente, programas estratégicos precisam atravessar muitos governos até chegarem à conclusão. Defesa naval não combina com improvisação nem com descontinuidade.

Emendas parlamentares podem representar a diferença entre uma necessidade permanecer anos aguardando recursos ou efetivamente transformar-se em capacidade operacional. Mas elas não substituem um orçamento adequado, previsível e permanente. Servem como instrumento complementar extremamente valioso, especialmente quando o parlamentar conhece a realidade local, visita as organizações militares, conversa com seus comandantes e entende onde determinado recurso pode produzir resultado imediato para a sociedade.

Os parlamentares que iniciam novos mandatos precisam conhecer essa realidade. Visitar a Capitania dos Portos, a Escola de Aprendizes-Marinheiros, o Centro Cultural, as Delegacias de Itajaí, Laguna e São Francisco do Sul, conhecer a Patromoria de Chapecó, acompanhar o Programa Fragatas Classe Tamandaré e compreender as missões de busca e salvamento não deveria ser simples agenda protocolar. É formação indispensável para quem participa das decisões orçamentárias de um Estado cuja relação com as águas vai do Atlântico ao Rio Uruguai.

É aí que o Amigo da Marinha revela sua maior utilidade. Ele aproxima. Explica. Conecta. Cria ambientes de diálogo e ajuda a fazer com que necessidades institucionais, muitas vezes técnicas e silenciosas, cheguem à sociedade e àqueles que podem contribuir para solucioná-las. Não precisa vestir a farda para compreender que há causas que transcendem governos, partidos e circunstâncias políticas.

Tendo presidido a SOAMAR-SC, conheço de perto essa realidade. Vi parlamentares compreenderem necessidades que desconheciam até visitarem uma organização militar. Vi recursos transformarem-se em instalações, equipamentos e capacidade operacional. Participei, inclusive, da inauguração da Patromoria em Chapecó, quando a presença permanente da Marinha no Oeste deixava de ser projeto e se convertia em realidade. E aprendi que uma das melhores formas de ajudar a Instituição é fazer com que mais brasileiros a conheçam verdadeiramente.

Governos passam. Presidentes passam. Ministros passam. Governadores e parlamentares passam. A Marinha permanece. Permanece protegendo nossas águas, formando gerações, salvando vidas, garantindo a segurança da navegação, prevenindo a poluição hídrica, preservando nossa cultura naval e defendendo interesses que não pertencem a este ou àquele governo, mas ao Brasil.

Do Atlântico à bacia do Rio Uruguai, da Amazônia Azul aos lagos do Oeste catarinense, a mesma compreensão deve prevalecer: um país que desconhece suas águas desconhece parte de si mesmo.

A SOBERANIA COMEÇA NO MAR.

VIVA MARINHA!

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