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Há povos que celebram suas vitórias. Outros preferem transformar derrotas em epopeias. Os fatos permanecem os mesmos. O que muda é a forma como cada geração escolhe recordar o próprio passado, elevando determinados personagens à condição de símbolos, relegando outros ao esquecimento e construindo, pouco a pouco, uma memória coletiva que nem sempre corresponde à complexidade da história. É nesse processo que nascem as identidades nacionais, regionais e culturais. A história não muda; muda a perspectiva a partir da qual passa a ser contada.

O Rio Grande do Sul talvez ofereça o exemplo mais conhecido desse fenômeno. A Guerra dos Farrapos terminou em 1845 sem alcançar o objetivo que lhe dera origem. A República Rio-Grandense desapareceu, a província permaneceu integrada ao Império e milhares de rio-grandenses combateram durante quase dez anos ao lado das tropas imperiais. Porto Alegre jamais foi dominada de forma duradoura pelos revoltosos. Ainda assim, foi a memória dos derrotados que acabou convertida no principal símbolo da identidade gaúcha. Os vencedores praticamente desapareceram da narrativa. A Semana Farroupilha passou a celebrar uma revolução derrotada como se representasse toda a formação política do Estado.

Nem mesmo a Revolução Federalista escapou desse processo. Embora separadas por quase meio século, as duas guerras acabaram reunidas sob um mesmo imaginário heroico. Trata-se de uma simplificação evidente. Os projetos políticos eram distintos. Enquanto os farroupilhas proclamaram uma república independente, muitos dos líderes federalistas defendiam a restauração da Monarquia e uma reorganização federativa do país. Não eram movimentos complementares; em aspectos essenciais, eram incompatíveis. Apesar disso, o tradicionalismo consolidou uma leitura contínua da história gaúcha, transformando conflitos distintos em capítulos de uma mesma tradição política.

O próprio gaúcho de bombacha integra essa construção cultural. A indumentária hoje apresentada como símbolo permanente do Rio Grande do Sul corresponde muito mais à padronização promovida pelo movimento tradicionalista ao longo do século XX do que ao vestuário efetivamente utilizado pelos homens da antiga província, que variava conforme a região, a atividade, a condição econômica e a época. Não há qualquer demérito nisso. Tradições podem ser criadas, reinventadas e preservadas. O problema surge quando passam a ser confundidas com a própria história.

Não foi muito diferente em Florianópolis.

A antiga Nossa Senhora do Desterro não nasceu com a chegada dos casais açorianos. Quando desembarcaram na Ilha, a povoação fundada por Francisco Dias Velho e pelos colonos vicentinos já existia havia décadas. Havia administração, produção agrícola, organização militar e vida religiosa. Os açorianos ampliaram decisivamente a ocupação portuguesa, fortaleceram a presença da Coroa e deixaram marcas profundas na cultura local. Seu legado é incontestável. Mas isso não transforma sua chegada no marco inaugural da cidade.

Também não foi apenas a cultura açoriana que moldou Florianópolis. Entre o final do século XIX e o início do século XX, a capital experimentou uma profunda transformação econômica. O comércio expandiu-se, a navegação aproximou a cidade dos grandes mercados, novas empresas surgiram, edifícios alteraram a paisagem urbana e consolidou-se uma cultura empreendedora que ainda hoje distingue Florianópolis. Nesse processo, a contribuição das famílias germânicas foi decisiva. Carl Hoepcke tornou-se seu nome mais conhecido, mas representava uma geração inteira de empresários que ajudou a construir a economia catarinense.

A ditadura de Getúlio Vargas interrompeu brutalmente esse ambiente. A campanha de nacionalização perseguiu brasileiros descendentes de alemães, italianos e japoneses, fechou escolas, proibiu o uso de idiomas, dissolveu associações culturais e levou cidadãos à prisão apenas em razão de sua origem familiar. Na Trindade, onde hoje se encontra parte do campus da Universidade Federal de Santa Catarina, funcionou um campo de concentração destinado a esses civis. A perseguição alcançou também a herma de Carl Hoepcke. Ela foi arrancada da praça que, por amarga ironia, acabaria recebendo o nome do próprio ditador responsável por aquela política. Décadas depois, a Associação Empresarial de Florianópolis restaurou e recolocou o monumento, devolvendo à cidade um de seus maiores protagonistas econômicos.

No pós-guerra, outra escolha influenciaria decisivamente a memória coletiva da capital. O I Congresso de História Catarinense consolidou a valorização da herança açoriana como eixo predominante da identidade cultural de Florianópolis. Valorizar essa contribuição era justo e necessário. O problema surgiu quando ela passou, na prática, a obscurecer todas as demais. A cidade fundada por vicentinos, ampliada pelos açorianos, impulsionada pelo empreendedorismo germânico e enriquecida por sucessivas contribuições indígenas, africanas, italianas, gregas, árabes e de tantas outras origens passou a ser representada quase exclusivamente por uma única figura: o “manezinho”.

Essa representação tornou-se cada vez mais distante da própria realidade da cidade.

O turismo foi o primeiro grande vetor dessa transformação contemporânea. Florianópolis consolidou-se como um dos principais destinos turísticos do Brasil e passou a receber, ano após ano, centenas de milhares de argentinos. Muitos deixaram de ser apenas visitantes para adquirir imóveis, investir, abrir empresas e estabelecer residência permanente, especialmente na região de Canasvieiras, que há décadas mantém uma relação singular com o turismo platino.

Na sequência vieram os grandes investimentos públicos. A instalação da Eletrosul atraiu para a capital centenas de engenheiros, administradores e técnicos, muitos oriundos do Rio de Janeiro. A Universidade Federal de Santa Catarina consolidou-se como um dos principais centros de ensino e pesquisa do país, trazendo professores, pesquisadores e estudantes de praticamente todos os estados brasileiros. Pouco depois, a expansão da RBS intensificou a presença de profissionais gaúchos em Florianópolis.

Nas últimas décadas, novas correntes migratórias passaram a integrar essa história. Muitos haitianos encontraram na capital oportunidades de trabalho e reconstrução de suas vidas. Também cresceu significativamente a presença de famílias vindas do Pará e de outros estados da Região Norte, atraídas não apenas pelas oportunidades econômicas, mas pela perspectiva de viver em uma sociedade mais segura, organizada e com melhor qualidade de vida. Gente trabalhadora que encontrou em Florianópolis um ambiente propício para prosperar e criar seus filhos.

Mais recentemente, a consolidação do ecossistema de tecnologia da informação transformou Florianópolis em um dos maiores polos brasileiros de inovação. Empresas de base tecnológica, startups, centros de pesquisa e incubadoras passaram a atrair empreendedores, profissionais altamente qualificados e nômades digitais de diversas partes do Brasil e do exterior, ampliando ainda mais a diversidade humana da cidade.

A Florianópolis do século XXI tornou-se resultado de sucessivas ondas de povoamento, imigração e migração. Cada geração acrescentou uma nova camada à sua identidade. Permanecer reduzindo essa realidade ao mito do “manezinho” significa ignorar não apenas a riqueza de sua formação histórica, mas a própria cidade que Florianópolis efetivamente se tornou.

Escrevo estas linhas também a partir da minha própria história. Nasci em Curitiba, mas cheguei a Florianópolis com apenas três anos de idade. Foi aqui que cresci, constituí minha família, construí minha vida profissional e aprendi a conhecer uma cidade muito diferente daquela normalmente retratada pelos seus próprios símbolos. Minha ligação com Florianópolis, porém, começou muito antes de mim.

Pelo lado paterno, minha genealogia alcança tanto famílias de povoadores açorianos quanto alguns dos primeiros povoadores vicentinos que se estabeleceram na antiga Nossa Senhora do Desterro antes da chegada dos casais vindos dos Açores. Essa circunstância, por si só, sempre me impediu de aceitar explicações simplificadas sobre a formação da cidade.

Entre esses antepassados encontra-se o Alferes Joaquim Antônio de São Thiago, meu pentavô. Natural da Ilha de Santa Catarina e neto de povoadores açorianos, sua trajetória não chegou até nós apenas pela tradição familiar. Ela foi registrada por Manuel Joaquim de Almeida Coelho na Memória Histórica da Província de Santa Catarina, obra que inaugurou a historiografia catarinense. É ali que aparece como oficial do Regimento de Infantaria de Linha de Santa Catarina destacado para a campanha contra José Gervasio Artigas.

A Guerra contra Artigas esteve longe de representar um conflito periférico. Travada entre 1816 e 1820, alterou profundamente a geopolítica do Cone Sul. A campanha portuguesa contra José Gervasio Artigas e a Liga dos Povos Livres, conhecida pela historiografia platina como Liga Federal abriu caminho para a incorporação da Banda Oriental ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e redesenhou o equilíbrio político da região platina. Entre seus principais comandantes encontrava-se Andresito Guacurarí y Artigas, líder missioneiro guarani, filho adotivo de José Artigas e uma das mais notáveis figuras indígenas das guerras de independência sul-americanas. Coube ao Alferes Joaquim Antônio de São Thiago realizar sua prisão, episódio registrado pelo próprio Almeida Coelho e incorporado, desde então, à historiografia catarinense. De volta à Ilha de Santa Catarina, seria nomeado primeiro comandante da então Força Policial da Província, instituição que, décadas mais tarde, daria origem à Polícia Militar de Santa Catarina.

Tramita atualmente na Câmara Municipal de Florianópolis um projeto para que a Praça Getúlio Vargas, conhecida por gerações de florianopolitanos como Praça dos Bombeiros, passe a chamar-se Praça Alferes Joaquim Antônio de São Thiago. A iniciativa partiu da própria Polícia Militar, cujo Quartel-General ocupa justamente a frente daquele logradouro. O simbolismo é difícil de ignorar. A praça que homenageia o chefe do Estado Novo, período em que descendentes de alemães, italianos e japoneses foram perseguidos, brasileiros foram presos em campos de concentração e a herma de Carl Hoepcke foi retirada daquele espaço urbano, poderá homenagear justamente o primeiro comandante da corporação. A própria história parece corrigir, ainda que lentamente, algumas das escolhas feitas pela memória.

Quando a Revolução Federalista alcançou Santa Catarina, a participação da família prosseguiu de forma igualmente marcante. Polidoro Olavo de São Thiago, neto do Alferes e meu tio trisavô, assumiu o comando das forças legalistas no Sul do Estado. Terminada a guerra, Hercílio Luz foi eleito governador e Polidoro Olavo, vice-governador. A confiança conquistada nos campos de batalha converteu-se na responsabilidade de participar da reorganização política e administrativa de Santa Catarina.

Seu irmão, Joaquim Antônio de São Thiago, meu trisavô, preferiu servir à República pela palavra. Participou da fundação do Partido Republicano em São Francisco do Sul, integrou a Constituinte catarinense e tornou-se uma das figuras intelectuais mais respeitadas de sua geração. Durante muitos anos participou intensamente da vida política, mas a maturidade o conduziria a uma transformação muito mais profunda do que qualquer mudança de regime.

Este legado seria preservado pelo próprio filho, meu bisavô Arnaldo Claro de São Thiago. Professor, jornalista, poeta, escritor, deputado estadual, fundador de jornais, integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, fundador da cadeira nº 19 da Academia Catarinense de Letras e autor de uma extensa obra literária, histórica e espírita, dedicou a vida à palavra. Poucos homens de sua geração produziram tanto sobre Santa Catarina. Foi, em todos os sentidos, um verdadeiro operário da palavra.

Em sua autobiografia, Memórias de um Franciscano, Arnaldo deixou um testemunho que ultrapassa os limites da história familiar e alcança a própria formação moral e política de Santa Catarina. É nessa obra que relata a profunda transformação vivida por seu pai após abraçar a Doutrina Espírita. Joaquim Antônio não renunciou às suas convicções republicanas nem rompeu com a história política que ajudara a construir. Afastou-se da militância porque compreendeu que nenhuma causa justificava conservar inimigos. Certo dia, dirigindo-se à esposa, minha trisavó Clara, pronunciou uma frase que atravessaria gerações: “Clarinha, não posso mais ter adversário algum. Somos todos irmãos.” Em seguida, saiu de casa para procurar aqueles com quem durante anos travara os mais duros combates políticos. O primeiro foi o Coronel Camacho. Apertaram as mãos. Voltaram a ser amigos. O mesmo aconteceria com os demais. A reconciliação iniciada naquele gesto não se limitaria aos antigos adversários. A própria história ainda reservaria um desfecho muito mais eloquente, demonstrando que as guerras passam, mas as famílias e as sociedades continuam construindo, juntas, o futuro.

Esse desfecho acabaria acontecendo dentro da própria família. Em Memórias de um Franciscano, Arnaldo recorda seu casamento com minha bisavó Maria Eugênia Nóbrega de Oliveira, filha do Coronel José Antônio de Oliveira, outro de meus trisavós, portanto. Oficial da Guarda Nacional, destacado participante da Revolução Federalista e uma das mais influentes lideranças empresariais de São Francisco do Sul, José Antônio exerceu funções consulares, representou companhias de navegação e desenvolveu importantes negócios ligados ao comércio da erva-mate e da madeira.

Entre seus genros encontrava-se também o médico Abdon Batista, meu tio-bisavô por afinidade, que, ao casar-se com Thereza Augusta Nóbrega de Oliveira, associou-se inicialmente a meu trisavô na criação de uma empresa de navegação destinada a impulsionar a exportação da produção regional, especialmente de erva-mate e madeira. A experiência empresarial abriria caminho para uma atuação cada vez mais ampla nos setores da indústria, do comércio e da imprensa, projetando-o para uma das mais notáveis carreiras públicas de Santa Catarina, como deputado federal por quatro mandatos, senador da República e governador interino do Estado.

Na mesma obra, Arnaldo registra que seu sogro sofreu profundamente as consequências da Revolução Federalista, mas soube superar os ressentimentos e colaborar, mais tarde, com o movimento de pacificação política conduzido por Lauro Müller. A guerra colocara meus dois trisavôs em lados opostos; a geração seguinte transformaria antigos adversários em uma única família. A vida realizou silenciosamente aquilo que a política demorou muito mais tempo para compreender.

Essa passagem diz muito mais sobre Santa Catarina do que a insistência em preservar antagonismos que o próprio tempo tratou de desfazer. Enquanto a memória pública permaneceu cultivando divisões, a sociedade seguiu adiante. Os homens que um dia combateram entre si perceberam que nenhuma comunidade se constrói sobre ressentimentos permanentes. As famílias compreenderam naturalmente aquilo que os discursos políticos tantas vezes recusaram admitir: o futuro sempre pertence mais aos que reconciliam do que aos que insistem em reviver antigas guerras.

Talvez seja justamente essa experiência que sempre me impediu de aceitar versões estreitas da história de Florianópolis. Quando olho para esta cidade, não vejo uma identidade encerrada em um único personagem, nem uma cultura que tenha permanecido imóvel ao longo dos séculos. Vejo uma sociedade que nunca deixou de incorporar pessoas, ideias, conhecimentos e modos diferentes de viver. Foi assim desde a fundação da antiga Desterro. Continuou quando os povoadores açorianos consolidaram a ocupação da Ilha. Prosseguiu quando o extraordinário empreendedorismo das famílias germânicas alterou profundamente sua economia, sua arquitetura e sua inserção no restante do país. Nada substituiu o que existia antes. Cada etapa acrescentou uma nova camada à identidade da cidade.

A incorporação de novos povos jamais cessou. O turismo aproximou definitivamente Florianópolis da Argentina muito antes de milhares de argentinos decidirem estabelecer aqui suas casas, seus negócios e suas famílias. A instalação da Eletrosul, da Universidade Federal de Santa Catarina e, posteriormente, da RBS trouxe profissionais de diferentes regiões do Brasil e ampliou ainda mais a diversidade da capital catarinense. Vieram depois trabalhadores haitianos, famílias paraenses em busca da segurança e da qualidade de vida que já não encontravam em seu Estado de origem e, mais recentemente, profissionais altamente qualificados atraídos pelo extraordinário desenvolvimento do setor de tecnologia, transformando Florianópolis em um dos mais importantes polos de inovação da América Latina. A cidade continua crescendo da mesma forma como cresceu desde o início: incorporando novas contribuições sem renunciar àquelas que a formaram.

Também sua relação com o mundo voltou a ampliar-se. A conquista do voo direto para Lisboa restabeleceu uma ligação que ultrapassa o significado comercial e alcança a própria formação histórica da Ilha. Somaram-se novas conexões com capitais da América do Sul e da América Central, especialmente com a Cidade do Panamá, principal centro de distribuição de voos das Américas, aproximando Santa Catarina da América do Norte de maneira inédita. A perspectiva de voos diretos para a Flórida representa apenas mais um passo natural nesse processo de internacionalização de uma cidade que voltou a ocupar o lugar que sua posição geográfica sempre lhe ofereceu.

A reconexão de Florianópolis com o mar começa, enfim, a acompanhar esse movimento. Durante décadas, Florianópolis comportou-se como se sua orla existisse apenas para ser contemplada. O início das obras do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte simboliza uma mudança de mentalidade muito mais profunda do que a construção de uma marina. A cidade começa a reconciliar-se com sua própria condição de arquipélago e a recuperar uma vocação que sempre esteve presente em sua história. Ainda falta, porém, um passo decisivo. Continuo convencido de que Florianópolis precisa integrar definitivamente os grandes roteiros internacionais de cruzeiros de longo curso. Um terminal marítimo de passageiros representará não só uma nova obra de infraestrutura como também a volta de Florianópolis às grandes rotas oceânicas que ajudaram a construir sua identidade e sua prosperidade desde os primeiros tempos.

Sob essa perspectiva, causa estranheza que o episódio de Anhatomirim continue sendo lembrado quase sempre pela ótica dos federalistas derrotados e que, de tempos em tempos, ressurjam propostas para alterar novamente o nome da cidade, como se um decreto pudesse modificar acontecimentos encerrados há mais de um século. Esquece-se, com frequência, que a denominação Florianópolis não resultou apenas de uma decisão administrativa, mas também do sentimento predominante de uma sociedade que, ao final da Revolução Federalista, entendeu ser justa a homenagem ao Marechal Floriano Peixoto. A própria permanência desse nome por mais de um século demonstra que ele foi incorporado naturalmente à identidade da cidade. Também aqui a história acabou sendo contada, muitas vezes, a partir da perspectiva dos derrotados. Isso não torna falsa essa narrativa, mas incompleta. Uma sociedade suficientemente madura não teme ampliar a compreensão do próprio passado. Ao contrário, fortalece-se quando reconhece a contribuição de todos aqueles que participaram da sua construção.

A história que escolheram contar jamais deixou de conter uma parte da verdade. Faltava apenas reconhecer que ela nunca foi a história inteira. Florianópolis tornou-se muito maior do que qualquer narrativa construída para explicá-la. Chegou o momento de contar essa história em toda a sua dimensão, porque uma cidade que aprendeu, ao longo dos séculos, a acolher tantas origens diferentes não precisa escolher entre elas para saber quem realmente é.

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