Em Florianópolis, Lula cobra reconhecimento do agronegócio e Merísio assume missão de ampliar diálogo do presidente em SC
Ato reuniu candidatos e lideranças da coligação em Santa Catarina; presidente destacou recursos destinados à agricultura, enquanto candidato ao governo afirmou que pretende aproximar Lula do eleitor catarinense.

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (19) de ato de campanha na Praça Tancredo Neves, no Centro de Florianópolis, reunindo as principais lideranças de seu campo político em Santa Catarina.
Participaram do evento a primeira-dama Janja da Silva, o candidato ao Governo do Estado Gelson Merísio (PSB), a candidata a vice-governadora Angela Albino (PDT), os candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL), além do deputado federal Pedro Uczai (PT) e candidatos aos legislativos estadual e federal.
Foi a primeira visita de Lula a Santa Catarina durante a atual campanha presidencial. O evento serviu também para apresentar conjuntamente a chapa estadual apoiada pelo presidente e reforçar a participação de Lula na campanha catarinense.
Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando Lula falou sobre a relação de seu governo com o agronegócio catarinense.
Dirigindo-se diretamente a Gelson Merísio, o presidente sugeriu que o candidato promovesse uma reunião com representantes do setor para discutir as razões da resistência política ao seu governo.
Lula afirmou:
“Eu acho que você deveria fazer uma reunião com o pessoal do agronegócio aqui. Você pergunta para eles: por que é que eles não gostam de nós?”
Na sequência, Lula associou parte dessa resistência à sua origem social e regional e argumentou que seu governo destinou recursos em volume elevado para a agricultura.
“O problema contra nós, acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino ou porque eu sou pobre. Porque, se dependesse desse dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar para mim. Porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora.”
A declaração rapidamente ganhou repercussão nacional, especialmente pelo uso da expressão “se ajoelhar para mim” ao se referir ao agronegócio.
Ao sustentar seu argumento, Lula mencionou o volume de recursos disponibilizados para o financiamento da produção rural. O Plano Safra 2026/2027 destinou R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, ante R$ 516 bilhões na edição anterior.
A fala do presidente introduz diretamente na campanha catarinense um tema importante: sua relação política com o agronegócio.
Santa Catarina possui uma economia com forte presença da produção agropecuária e da agroindústria, especialmente nos setores de carnes, leite, grãos e cooperativismo. Por isso, a aproximação com esse segmento passa a fazer parte da estratégia política defendida pelo próprio presidente durante sua passagem pelo Estado.
Lula sugeriu que Merísio procure diretamente os produtores e questione os motivos pelos quais parte deles mantém resistência ao seu projeto político.
O candidato ao Governo de Santa Catarina, por sua vez, deixou clara outra missão que pretende assumir durante a campanha.
Merísio afirmou que uma de suas principais tarefas será ampliar o diálogo entre Lula e os catarinenses.
“A primeira e a principal delas é ajudar o presidente Lula a ser ouvido pelos catarinenses, a permitir que aqui no Estado as pessoas possam reconhecer todo o seu esforço e todo o seu trabalho. Essa é a minha missão”, declarou.
A afirmação mostra que a campanha estadual e a disputa presidencial estarão diretamente relacionadas na estratégia política apresentada no evento.
Merísio afirmou ainda que estava afastado do processo político desde 2018, conheceu pessoalmente Lula em março de 2022 e passou, desde então, a acompanhar as ações do governo federal destinadas a Santa Catarina. Segundo ele, sua decisão de concorrer novamente ao Governo do Estado ocorreu depois de uma conversa com o presidente há pouco mais de 90 dias.
O ato também evidenciou a formação do palanque eleitoral de Lula em Santa Catarina.
Além da chapa Gelson Merísio e Angela Albino para o Governo do Estado, Lula conta com Décio Lima e Afrânio Boppré como candidatos ao Senado dentro da composição política que participou do evento.
Durante as manifestações, os candidatos defenderam a eleição conjunta dos nomes que integram o grupo e buscaram vincular as disputas estadual, presidencial e para o Senado.
A presença de Lula em Florianópolis ocorre justamente em um Estado onde sua campanha procura ampliar espaço político.
Nesse contexto, duas declarações feitas no ato ajudam a sintetizar a estratégia apresentada neste sábado.
De um lado, Lula quer ampliar o diálogo com setores catarinenses que demonstram resistência ao seu governo, especialmente o agronegócio.
Do outro, Gelson Merísio assume publicamente a tarefa de ajudar Lula a ser mais ouvido pelos eleitores de Santa Catarina.
O resultado dessa estratégia será decidido pelo eleitor.
Mas o ato de Florianópolis deixou claro que a campanha presidencial de Lula e a campanha estadual de Merísio pretendem caminhar de forma integrada nas próximas semanas.
E o agronegócio, pela própria manifestação do presidente, passa a ocupar espaço importante nessa tentativa de aproximação com o eleitorado catarinense.
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