PERSPECTIVA POLÍTICA – O candidato precisa olhar para frente

A campanha eleitoral começa a mostrar seus caminhos: enquanto candidatos ainda recorrem ao passado, declarações provocam disputas de interpretação no cenário nacional e as provocações aumentam na corrida pelo Governo de Santa Catarina.

Fernando Haddad tem insistido em entrevistas na situação das contas públicas que encontrou quando assumiu o Ministério da Fazenda.

Pode apresentar sua interpretação e seus argumentos sobre aquele período.

Mas existe uma questão mais simples.

Haddad não está disputando novamente o Ministério da Fazenda.

É candidato ao Governo de São Paulo.

E é justamente São Paulo que deveria ocupar o centro de sua campanha.

Quais são suas propostas para segurança pública?

Saúde?

Educação?

Infraestrutura?

Desenvolvimento econômico?

Emprego?

Equilíbrio das contas estaduais?

Aliás, o próprio programa registrado pela candidatura já apresenta propostas para várias dessas áreas, ainda que como diretrizes preliminares. É sobre elas que o debate deveria avançar.

Naturalmente, o passado faz parte da trajetória de qualquer candidato e ajuda o eleitor a avaliar aquilo que ele já fez.

Mas não pode substituir aquilo que realmente interessa numa eleição: o projeto para o futuro.

E essa cobrança não vale apenas para Fernando Haddad.

Vale para todos.

Quem disputa uma eleição precisa explicar menos aquilo que os outros fizeram e muito mais aquilo que pretende fazer. O passado pode ajudar o eleitor a julgar uma trajetória. Mas é para governar o futuro que o candidato está pedindo o voto.


Agora existem duas versões para a mesma fala

Gilberto Kassab afirmou que o Centrão estaria com Lula e que Flávio Bolsonaro teria “chance zero” de vencer a eleição presidencial. A declaração provocou forte reação da campanha do PL e abriu uma crise política que ainda repercute na chapa de Ronaldo Caiado.

Caiado decidiu reagir.

Segundo ele, a campanha de Flávio estaria potencializando e distorcendo as declarações de seu vice. Também sustenta que o adversário demonstra preocupação com sua candidatura e insiste em apresentar-se como alternativa capaz de romper a polarização.

A defesa está feita.

Agora existem duas leituras colocadas publicamente.

De um lado, a declaração de Kassab, que produziu a percepção de aproximação do Centrão com Lula e de baixa viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro.

De outro, Caiado procura reposicionar a fala dentro de uma estratégia para apresentar sua candidatura como alternativa competitiva. O candidato também reafirmou publicamente sua oposição a Lula.

Somente o desenvolvimento da campanha poderá responder às perguntas que ficaram.

O Centrão realmente caminhará majoritariamente com Lula?

Caiado conseguirá romper uma polarização que, até agora, continua aparecendo claramente nas pesquisas? Os levantamentos nacionais mais recentes ainda mostram Lula e Flávio Bolsonaro muito à frente dos demais candidatos.

E, se Caiado chegar ao segundo turno, terá condições de vencer Lula?

Por enquanto, nenhuma dessas perguntas possui resposta definitiva.

Na política, declarações produzem efeitos imediatos. Mas são os movimentos seguintes — e, no final, as urnas — que mostram qual interpretação estava mais próxima da realidade.


Ralf devolve a provocação a João Rodrigues

A campanha pelo Governo de Santa Catarina ganhou mais um capítulo do confronto entre Ralf Zimmer e João Rodrigues.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Zimmer respondeu às críticas de João, que tem insistido na tese de que sua candidatura funcionaria como uma espécie de projeto auxiliar do governador Jorginho Mello.

Ralf decidiu inverter a lógica.

Propôs publicamente que João Rodrigues abandone sua candidatura e passe a apoiá-lo para que, juntos, possam derrotar Jorginho Mello e Gelson Merísio.

A proposta veio acompanhada de ironia.

Zimmer afirmou que João está em campanha há quatro anos, que sua candidatura não consegue deslanchar e estaria “encalhada”. Por isso, segundo ele, faria mais sentido apoiar um candidato que considera viável — o próprio Ralf.

Não é o primeiro capítulo dessa troca de provocações. Recentemente, Zimmer chegou a publicar um vídeo pedindo que João Rodrigues o desbloqueasse no WhatsApp, depois de outros confrontos entre os dois. A própria assessoria de João confirmou que bloqueios, desbloqueios e provocações fazem parte da relação informal entre os candidatos.

E talvez seja exatamente isso que mereça ser observado daqui para frente.

Se a estratégia de confronto ajudará Ralf Zimmer a crescer eleitoralmente ou apenas aumentará a temperatura da disputa entre os dois candidatos, somente a campanha mostrará. Por enquanto, uma coisa está clara: provocações também farão parte do roteiro da eleição catarinense.


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