PERSPECTIVA POLÍTICA – E qual é a proposta dos candidatos?

Com famílias e empresas enfrentando níveis elevados de endividamento, a campanha presidencial precisa apresentar respostas concretas. Ao mesmo tempo, promessas econômicas exigem explicações e divergências partidárias continuam movimentando a eleição em Santa Catarina.

Imagem gerada por IA

O Brasil chega à campanha presidencial com números que merecem atenção.

Atualmente, 82% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, enquanto quase 30% já apresentam contas em atraso.

No setor empresarial, a situação também atingiu um novo patamar.

Relatório divulgado pela Serasa mostra que 9,1 milhões de empresas brasileiras estão inadimplentes, acumulando R$ 232,9 bilhões em dívidas vencidas — o maior resultado da série histórica.

São milhões de famílias e empresas convivendo diariamente com dificuldades financeiras.

E é justamente aí que surge uma pergunta simples e objetiva para aqueles que pretendem governar o Brasil:

Qual é a proposta de cada candidato à Presidência da República para enfrentar esse problema?

A campanha começou.

Teremos discursos, slogans, críticas aos adversários e inúmeras promessas.

Mas existem problemas concretos que precisam de respostas igualmente concretas.

O endividamento das famílias afeta consumo e qualidade de vida.

A inadimplência das empresas compromete investimentos, empregos e crescimento econômico.

Não estamos falando de uma situação marginal.

Estamos falando de milhões de brasileiros e milhões de empresas.

Por isso, mais importante do que identificar culpados ou repetir diagnósticos já conhecidos, é saber o que cada projeto político pretende fazer daqui para frente.

Quando 82% das famílias possuem dívidas e 9,1 milhões de empresas estão inadimplentes, o eleitor tem o direito de perguntar a quem pede seu voto: qual é o seu plano para mudar essa realidade?


Ajuste fiscal: diga agora como será feito

Uma promessa não basta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza que, se reeleito, fará o ajuste fiscal necessário para melhorar as contas públicas brasileiras.

Ótimo.

Então chegou a hora de explicar como.

Porque ajuste fiscal não acontece por decreto, discurso ou intenção.

Existem basicamente dois caminhos, que podem ser utilizados isoladamente ou em conjunto: aumentar receitas ou reduzir despesas.

Se a proposta é aumentar receitas, o eleitor precisa saber de onde virá o dinheiro.

Novos impostos?

Aumento de alíquotas?

Fim de benefícios fiscais?

Maior tributação de determinados setores?

Se o caminho será reduzir despesas, a pergunta é igualmente objetiva.

Quais despesas?

O eleitor precisa conhecer a conta antes de votar

É justamente aqui que a promessa começa a enfrentar um problema de credibilidade.

Lula não chegou ontem à Presidência da República.

Está concluindo mais um mandato, além dos dois exercidos anteriormente.

Seu pensamento sobre o papel do Estado também não é desconhecido.

Ao longo de sua trajetória, sempre defendeu uma presença relevante do poder público na economia, programas sociais, investimentos governamentais e atuação estatal como instrumento de desenvolvimento.

Nada existe de ilegítimo nessa concepção.

O eleitor pode concordar ou discordar dela.

Mas existe uma conta que precisa fechar.

Como realizar um ajuste fiscal relevante preservando ou ampliando uma estrutura de Estado que custa dinheiro?

Essa resposta não pode ficar para depois da eleição.

Não basta dizer que fará

Existe ainda uma circunstância política importante.

Se reeleito, Lula estará iniciando seu último mandato presidencial pelas regras atuais.

Portanto, não estamos diante de um candidato estreante apresentando uma ideia que nunca teve oportunidade de executar.

Estamos diante de alguém que governou o Brasil durante vários anos e que agora afirma que fará, no próximo mandato, um ajuste que não colocou até aqui no centro de sua administração.

Por quê?

O que mudou?

E, principalmente, o que exatamente será feito de diferente?

Dizer apenas que haverá responsabilidade fiscal é fácil.

Difícil é apresentar ao eleitor as decisões que permitirão alcançá-la.

A campanha não pode esconder a parte difícil

Ajuste fiscal produz consequências.

Se houver aumento de impostos, alguém pagará.

Se houver corte de despesas, alguma área receberá menos recursos.

Se benefícios forem revistos, haverá pessoas ou setores atingidos.

Se a máquina pública for reduzida, será necessário dizer onde.

É justamente essa parte que o eleitor precisa conhecer antes, e não depois de depositar seu voto na urna.

Apresentar somente o objetivo positivo — equilibrar as contas — e deixar as medidas impopulares para depois da eleição não é informação suficiente para uma escolha consciente.

A pergunta é simples

A coluna não está afirmando que Lula não fará o ajuste fiscal.

Está dizendo algo diferente e muito mais objetivo:

não basta prometer que fará.

Quem pede mais quatro anos para governar precisa explicar como pretende enfrentar um dos principais problemas econômicos do país.

Vai aumentar impostos?

Quais?

Vai cortar despesas?

Quais?

Vai reduzir benefícios fiscais?

Quais?

Vai rever programas, subsídios ou estruturas públicas?

Quais?

Ou pretende combinar aumento de arrecadação com redução de gastos?

Então apresente a combinação.

O eleitor não deveria entregar primeiro o voto para descobrir depois qual será a conta.

Lula possui experiência suficiente para conhecer a dimensão do problema e as dificuldades das escolhas necessárias.

Por isso, sua proposta também precisa estar à altura dessa experiência.

Ajuste fiscal não pode ser apenas uma promessa eleitoral. Se existe um plano, apresente-o. Se existem escolhas difíceis, diga quais são. O eleitor tem o direito de conhecê-las antes de decidir se concede mais um mandato.


Ainda não apareceu a bandeira branca

Uma divergência que continua visível

A relação política entre a deputada estadual Ana Campagnolo e Carlos Bolsonaro continua produzindo sinais de tensão dentro do Partido Liberal em Santa Catarina.

Semanas atrás, durante uma gravação em Itajaí, Campagnolo deixou o enquadramento no momento em que começou um pedido de votos para Carlos Bolsonaro, candidato do próprio PL ao Senado.

O episódio tornou pública uma divergência que já vinha sendo construída havia algum tempo.

Posteriormente, Flávio Bolsonaro também cobrou publicamente maior alinhamento da deputada com o projeto partidário.

A repercussão ampliou ainda mais um problema que poderia permanecer restrito aos bastidores.

O material de campanha também comunica

Desde então, a coluna passou a observar o material de campanha divulgado por Ana Campagnolo.

Até este momento, nas peças e publicações às quais tivemos acesso, não encontramos imagens de Flávio ou Carlos Bolsonaro.

Naturalmente, isso não permite concluir que exista uma decisão formal de afastamento ou que esses nomes não aparecerão posteriormente.

Mas, em política, ausências também podem produzir leituras.

Especialmente quando já existe um histórico público de divergência entre os envolvidos.

A resposta deixou uma porta aberta

Depois da cobrança feita por Flávio Bolsonaro, Campagnolo sinalizou que permanece à disposição do partido e dos projetos partidários.

É uma manifestação importante.

Mostra que, pelo menos formalmente, a deputada não rompeu com a legenda nem declarou oposição às decisões tomadas pelo PL.

Ao mesmo tempo, a ausência de uma demonstração pública mais clara de apoio a Carlos Bolsonaro mantém aberta a percepção de que as divergências ainda não foram completamente superadas.

E é justamente essa diferença entre posição partidária formal e manifestação política pública que continuará sendo observada durante a campanha.

O tempo dirá se haverá convergência

Partidos não são ambientes de unanimidade.

Divergências internas existem e podem ser administradas sem que necessariamente produzam rompimentos.

Agora será preciso observar os próximos movimentos.

Ana Campagnolo seguirá sua campanha à reeleição.

Carlos Bolsonaro disputará uma das vagas ao Senado.

Flávio Bolsonaro conduzirá a candidatura presidencial do partido.

Se as divergências serão superadas por uma convergência eleitoral ou permanecerão convivendo dentro da mesma legenda, somente o desenvolvimento da campanha mostrará.

Por enquanto, não existe ruptura formal. Mas também ainda não apareceu, de maneira clara, a bandeira branca.


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