GloboNews divulga informação falsa sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida e depois se retrata
Canal informou que grupo ligado ao candidato discutiria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil; emissora reconheceu o erro e pediu desculpas, mas a informação continua circulando nas redes sociais.

É lamentável a divulgação de uma informação falsa em qualquer circunstância. Em plena campanha eleitoral, quando uma notícia pode atingir diretamente a imagem de um candidato diante de milhões de eleitores, as consequências ganham dimensão ainda maior.
Foi o que aconteceu nesta quinta-feira (24), quando a GloboNews, durante o programa Em Pauta, divulgou que um grupo de evangélicos estaria se articulando com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil.
A informação foi apresentada pela jornalista e comentarista Maria Cristina Fernandes.
Não era verdadeira.
Não existe projeto, proposta ou declaração de Flávio Bolsonaro defendendo a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
Horas depois, a própria GloboNews reconheceu o erro. Na edição da meia-noite, o canal corrigiu a informação e pediu desculpas pela divulgação.
A retratação corrigiu oficialmente o conteúdo apresentado pela emissora.
Mas não conseguiu apagar suas consequências.
A informação já havia entrado nas redes sociais, sido compartilhada e reproduzida por diferentes perfis, inclusive por pessoas conhecidas e com grande capacidade de alcance.
Mesmo depois da correção da GloboNews, publicações continuaram disponíveis e a história seguiu circulando.
É justamente aí que está uma das maiores consequências da desinformação no ambiente digital.
Publicar leva segundos. Corrigir não significa necessariamente alcançar novamente todas as pessoas que receberam a informação falsa.
Neste caso, existe ainda um componente especialmente sensível.
Nossa Senhora Aparecida é oficialmente a Padroeira do Brasil, e o catolicismo continua sendo a religião com o maior número de seguidores no país. Uma informação afirmando que um candidato à Presidência pretendia alterar essa condição possui evidente potencial de repercussão entre milhões de brasileiros.
Flávio Bolsonaro reagiu à divulgação e negou que exista qualquer iniciativa de sua parte nesse sentido. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou respeitar todas as religiões e também aqueles que não possuem religião.
O episódio ocorrido é grave justamente porque demonstra a força que uma informação adquire quando parte de um veículo jornalístico de alcance nacional.
O público pressupõe que uma notícia transmitida por uma emissora especializada em jornalismo passou pelos procedimentos necessários de apuração e verificação.
Desta vez, isso falhou.
A própria GloboNews reconheceu o erro e fez aquilo que precisava fazer diante dele: corrigiu a informação e pediu desculpas.
Mas o episódio não terminou com a retratação.
A informação falsa continua encontrando espaço nas redes sociais e pode chegar a pessoas que jamais terão contato com a correção feita posteriormente pela emissora.
É o estrago que permanece depois do erro.
E deixa uma questão que provavelmente continuará sem resposta: como uma informação dessa dimensão chegou ao ar sem a necessária confirmação?
Erro de apuração, falha nos controles editoriais ou alguma outra razão?
A resposta cabe à GloboNews.
Para o público, permanece aquilo que efetivamente aconteceu: uma informação falsa envolvendo um candidato à Presidência e um dos maiores símbolos religiosos do país foi divulgada nacionalmente, ganhou as redes sociais e precisou ser desmentida pela própria emissora que a colocou no ar.
A retratação é indispensável.
Mas nem sempre consegue alcançar todos aqueles que receberam primeiro a informação errada.
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